Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2006

Os 500 Milhões da Begum (1878, 1879)

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Poderá ler aqui no blog uma crítica escrita por Ricardo Agostini sobre esta obra.


1 vernianos comentaram:

Luis disse...

Aí está Verne de novo no seu melhor estilo, após uma obra menos conseguida, “Atribulações de um chinês na China”, em relação áquilo a que ele nos habituou, isto é, fazendo-nos prisioneiros das suas palavras, e conseguindo criar um ambiente de espectativa do princípio ao fim da sua obra, chegando mesmo, neste caso, a deixar-nos ficar sem ar quando, durante a aventura, isto é o que acontece a um dos seus personagens.

Esta obra pode bem ser o reflexo da sociedade europeia da segunda metade do século XIX. Uma Alemanha querendo dominar acima de tudo e de todos, com a intenção de eliminar a raça latina em detrimento da ariana. Aliás, pesquisando um pouco, conseguimos identificar que a história de Verne se passa exactamente na época da Guerra Franco-Prussiana ou Guerra Franco-Germânica(19 de Julho de 1870—10 de Maio de 1871) e que foi um conflito ocorrido entre a França e a Prússia no final do século XIX. Durante o conflito, a Prússia recebeu apoio da Confereração da Alemanha do Norte, da qual fazia parte, e dos estados do Baden, Württemberg e Bavária. A vitória incontestável dos alemães marcou o último capítulo da unificação alemã sob o comando de Guilherme I da Prússia. Também marcou a queda de Napoleão III e do sistema monárquico na França, com o fim do Segundo Império e sua substituição pela Terceira República Francesa. Também como resultado da guerra ocorreu a anexação da maior parte do território da Alsácia-Lorena pela Prússia, território que ficou em união com a Alemanha até o fim da Primeira Guerra Mundial.(Fonte: Wikipédia)

Ora nada melhor que um francês e um alemão serem os herdeiros de uma valente fortuna de uma Begun (princesa) indiana para criar o cenário ideal que pudesse reflectir a sociedade na altura.

Um francês, o Dr. Sarrasin, resolveu criar uma cidade utópica, e um alemão, Herr Schultze, resolve criar uma super arma para destruir a super cidade.
Interessante aventura em que Verne nos dá vislumbres do visionário que foi, ao revelar pormenores de como deveria uma cidade ideal ser construída, e segundo que regras se deviam dirigir os seus cidadãos.

Mantendo-se fiel ao seu estilo, Verne cria também nesta obra um personagem (dois em um) dotado de inteligência acima da média e que ao mesmo é um fiel vassalo do Dr. Sarrasin, completando assim duas das principais características dos seus personagens num só, e que passa pelas mais fantásticas aventuras para salvar a cidade do seu protector, o Dr. Sarrasin. Fica só mesmo a faltar um negro.

Para não destoar, também termina com um excelente final do qual me apraz referir uma bonita referência:

O moço alsaciano estava pálido como um defunto.
Não será este o aspecto que toma a felicidade quando entra nas almas fortes sem dizer... cautela?...

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