quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Crítica 'Os Filhos do Capitão Grant (1868)'

Parte 1:

Lancei-me novamente na leitura de Júlio Verne, que tanto me move. Admiro os seus amplos conhecimentos de quase todas as matérias e a sua imaginação fértil e em constante invenção.

Bem, falo-vos agora do primeiro volume de uma trilogia que relata a verdadeira odisseia promovida por Mary e Roberto Grant em busca do seu pai, o capitão Grant. Parte-se do pressuposto de que este valoroso marinheiro escocês naufragou juntamente com dois companheiros. E como se sabe isto? Tudo começa de uma forma completamente fantasiosa, digna das histórias mais criativas de marinheiros piratas e tesouros. A bordo do “Duncan”, o “yacht” pertencente a lord Glenarvan (homem de longa linhagem, considerado como um verdadeiro escocês, amante profundo da sua pátria, riquíssimo mas grande filantropo), é pescado um tubarão cabeça-de-martelo, de cujas entranhas se recolhe uma garrafa… de dentro dela, sai uma mensagem de socorro!

Pois bem, é a partir dessa mensagem que lord Glenarvan, seus companheiros, servidores do seu castelo na Escócia, e sua mulher, vão inferir o paradeiro do Capitão. Julgam-no algures na Patagónia, refém dos índios. Glenarvan e lady Helena (a mulher) vêem recusada a ajuda do governo para ir em busca do capitão e decidem, por meios próprios, fazerem-no eles. Mary e Roberto acabam por se lhes juntar.

Bem, à partida estão lançados os elementos para mais uma louca aventura, bem ao gosto de Verne, mas penso que, desta feita, resulta um pouco inferior. Pelo menos, em relação ao que já li dele e sobre o qual opinei há algum tempo. Estava tentada a dar-lhe 3 estrelas mas acabo por lhe dar mais meio valor, pelo que arredondo para 4.

Notei, logo de início, algo curioso: o imenso patriotismo. Todos os homens que servem na casa de Glenarvan são descendentes de escoceses puros. Glenarvan faz parte da mais pura e elevada linhagem nacional e fez questão de se rodear desses homens valorosos. Depois, a própria mulher também reúne esse requisito precioso, apesar de pertencer a famílias muito modestas. Por último, todos eles se lançam no encalço de um escocês corajoso que se vê abandonado pelo seu próprio governo.

Portanto, parece, efectivamente, uma ode à Escócia, contra a Grã-Bretanha. Depois, achei curioso mas perfeitamente compreensível o trato dado às mulheres. É preciso perceber que estamos na segunda metade do século XIX. Lady Helena e Mary têm aqui um papel subalterno, são eclipsadas durante grande parte da obra e são tratadas com alguma condescendência: “as mulheres, segundo se diz, são sempre um tanto curiosas.” (pág. 9).

Houve várias coisas que não me agradaram tanto neste volume de Júlio Verne, portanto. Para além do patriotismo exacerbado e do extremo nacionalismo e independência destes escoceses face à Inglaterra (embora, não sem razão), achei o discurso do autor demasiado romântico – no sentido da corrente literária com o mesmo nome. Um dos exemplos mais significativos é o momento de fervor religioso na Igreja de Saint Mungo (pouco antes da partida para a América do Sul).

Depois, achei um pouco presunçoso e até mesmo cínico, o discurso de Glenarvan e lady Helena. Estas duas personagens dizem-se movidas pelo desejo sincero de salvar um compatriota e ajudar os seus filhos mas parecem fazê-lo por condescendência (do mesmo modo que a Lili Caneças foi ao bairro do Fim do Mundo ou os americanos para o Iraque). Ou seja, são os exemplos típicos dos patronos ricos que se sacrificam em prole dos desgraçados (fazem o seu dever). Por muito que as intenções sejam verdadeiras, a mim eles soam-me a artificial.

Tenho ainda a apontar a visão de Júlio Verne acerca da ilha da Madeira na época. Ainda que justa, não deixa de ser desoladora: “Nada oferece de interessante a um geógrafo [aqui, refere-se a Paganel, geógrafo que também os acompanha]. Tem-se dito e escrito tudo quanto é possível a respeito deste grupo, que, aliás, se acha em grande decadência sob o ponto de vista da vinicultura.”

A viagem tem início e encaminha-se para a América do Sul, mais propriamente para o Chile, cordilheira dos Andes e Pampas argentinas.

Júlio Verne é um homem de uma cultura imensa. A descrição que faz do povo autóctone, bem como dos seus costumes, personalidade, condições atmosféricas e de viagem é apaixonante. Percebe-se, contudo, que Verne se comporta como um cientista, observando analiticamente o que o rodeia. Isso dever-se-á certamente ao facto de a sua formação académica ser de Direito e a maior parte dos temas que ele abordava nos seus livros estarem fora do seu leque de conhecimentos. Assim, foram muitas as horas de pesquisa empreendidas na construção de cada uma das suas obras. Júlio Verne faz ainda, por vezes, juízos de valor, sobretudo no que respeita à suposta inferioridade dos índios e dos negros face aos brancos mas fá-lo de modo natural para a época.

Verne é também muito didáctico, mostrando-se muitíssimo interessado e informado acerca dos viajantes e descobridores que haviam passado por estes lados do Novo Mundo.

A viagem ao longo da cordilheira dos Andes é belíssima, mas não passa sem os habituais perigos que uma escalada nestas altas montanhas comporta. Verne consegue colocar-nos a viajar juntamente com as suas personagens.

De todas elas, a mais excêntrica e curiosa é um francês, o geógrafo e sábio Paganel. Para já, é muito mas mesmo muito distraído e acaba por entrar no “Duncan” por acaso, quando o seu verdadeiro objectivo era a Índia. Apesar de muito inteligente e pró-activo, acaba por estudar português em vez do espanhol. Achava, pois, muito estranho que os nativos não compreendessem o que dizia. Afinal tinha lido “Os Lusíadas" e aprendido português. Também não deixa de ser curioso que seja um francês, mesmo o mais distraído deles, a arrancar do documento achado no tubarão uma interpretação completamente contrária à que todos haviam presumido inicialmente. Apesar de tudo, para mim, é o que está melhor caracterizado, de forma mais expressiva e original. Destacam-se, depois, o índio Thalcave, Glenarvan e Roberto. Os restantes quase não existem, ouvimo-los poucas vezes e de forma inexpressiva e desinteressante.·

Mas Júlio Verne compreende perfeitamente que episódios ou acontecimentos entremear com os momentos mais mortos do percurso. Exemplo disso mesmo são as horas de tensão no deserto salgado, em busca de água, o ataque dos lobos vermelhos e o desaparecimento de Roberto (em dois momentos: durante o tremor de terra e aquando do ataque dos lobos).

Verne é mestre em atiçar quer a curiosidade (imensa informação sobra as Pampas: fauna, flora, hábitos humanos, raças de índios, os conflitos intestinos na Argentina, a colonização) quer a tensão dos leitores.

É um livro repleto de emoções, não há momentos parados, mas não se compara com outras obras de Verne, pelo menos as mais emblemáticas e pelo menos este primeiro volume. Percebe-se que o livro cresce e até o seu desfecho é apoteótico, embora não sem a sua pontinha de acção. Sentimo-nos transportados para os locais calcorreados pelas personagens e não é sem alguma nostalgia que partimos da Argentina. Para onde vamos, saber-se-á no segundo volume.

Verne prima pela imaginação e é um gosto andar a caçar tatus ou nandus para o jantar; dormir nas árvores; atravessar os Andes; deslizar numa placa de terra arrancada ao solo depois do terramoto; fazer fogueiras à noite e dormir ao relento; quase morrer de sede no deserto; ver os animais mortos nos pântanos.

Enfim, aconselho a quem já tenha lido melhor do aturo e seja persistente na contínua perseguição das suas obras. Penso também que será melhor esperar pelos outros volumes. Apesar de não ter sido uma desilusão completa, não me apaixonou por aí além. Acaba por salvar-se das 3 estrelas porque ganha um fôlego maior a partir da jornada no terreno, mas há muitas arestas por limar.

Refiro ainda que li o livro através da colecção lançada pela RBA Editores, que não é nada de especial mas é barata – com a desvantagem de ter aquele papel rugoso e amarelado que não gosto nada.


Parte 2:

Com muitíssimo menos entusiasmo que no volume primeiro desta saga, acabei o segundo volume. Decididamente, o benefício da dúvida que havia concedido a Verne não teve grandes frutos. Até agora, foi das obras mais desinspiradas que li do autor. Depois de um primeiro volume empolgante, cheio de aventuras deliciosas, Verne desilude completamente.

A expedição de lord Glenervan segue a pista do documento encontrado no estômago do tubarão e continua a sua demanda, desta vez, pelas terras da Austrália, depois da passagem atribulada pela Argentina.

Tinha colocado algumas expectativas quanto ao seguimento da obra e acabei por vê-las absolutamente goradas. Este segundo volume é uma sombra, o reflexo muito, muito pálido do estilo, da imaginação contagiante do autor. Parece-me mesmo que constitui um acidente de percurso, esperando eu que a última parte da busca pelo capitão Grant possa redimir Verne – pelo menos, aos meus olhos.

Tenho a nítida sensação de que Verne andou à deriva, como que inventando tema para encher um volume extra. Continuam, contudo, a persistir aqueles traços que fazem de Verne um autor fascinante. Sobretudo, o constante optimismo e a descrição das soluções mais improváveis nos momentos em que já não resta qualquer esperança. Isso acontece menos abundantemente no segundo volume, mas dá-se, por exemplo, com o aparecimento de Ayrton, que alega ser um dos náufragos do Brittnania.

Pelo meio da narração fantástica, Verne inclui as já habituais informações factuais, apesar de aqui quase se limitarem a uma descrição enfadonha, sem espírito, informações às quais todos nós hoje podemos aceder – talvez à época da sua edição, a informação contida no livro se revestisse de maior interesse e importância. Gostei de saber, por exemplo, num dos raros momentos em que Verne discorre de forma a interessar, que a Austrália, como país colonizado pelos ingleses, apresenta – à semelhança do continente africano –, uma divisão territorial perfeitamente geométrica, sem olhar às particularidades da topografia nem da cultura e geografia.

Curiosa mas não surpreendentemente, é Paganel, o geógrafo francês, o crítico mais amargo da visão colonizadora inglesa e o que mais se insurge contra alguma falta de sensibilidade nesse processo. É na pessoa de Paganel e na do major Mac-Nabs, aliás, que se centrará umas das discussões mais tendenciosas e nacionalistas deste livro e do conjunto dos dois volumes. Esse momento é o da discussão acerca do progresso, em que Paganel representa a posição tradicionalista francesa e o major, britânico, a posição que passa sobre o passado uma esponja (“- O que importa, se o progresso penetra nele! – replicou o major”, pág. 153 da versão da RBA Editores). Não deixa de ser curiosa a disputa de nações que, aliás, está presente de forma mais acentuada no discurso do geógrafo. Indiscutivelmente, a mentalidade desta segunda metade do século XIX tem de ser compreendida e aceite. Não querendo ver com repugnância, através dos meus olhos de século XXI, o discurso de Verne, tento compreendê-lo. Verne, para além de tendenciosamente nacionalista, mostra ainda uma ideia que permanece desde o primeiro volume: o menosprezo pelos indígenas. Desta vez, muito curiosamente, não temos um índio companheiro e fiel que surja por toda a obra, mas apenas um fugaz rapazinho selvagem que desaparece em poucas páginas sem nunca mais ser mencionado. O porquê da sua aparição tão lacunar permanece um mistério, embora me pareça que tenha servido apenas de base de discussão. Nesta altura, Toliné, o selvagem, é apresentado como um indígena cristianizado, evangelizado, que aspira a ser missionário, no seguimento daquela ideia secular de que as almas perdidas dos selvagens sem credo têm de ser salvas – ainda hoje os indígenas brasileiros são enganados por falsos profetas. O que é certo é que eles têm os seus próprios credos, adorando e respeitando a natureza, algo considerado como pagão e herético aos olhos da Igreja.

A descrição que Verne faz da Austrália nada tem a ver com a feita aquando da peregrinação pela América do Sul. O autor torna-se apenas num relator de datas, nomes de exploradores e dados estatísticos sobre a exploração do ouro neste país. Porém, é no ponto em que descreve os números da exploração aurífera que Verne demonstra plenamente ser um homem do seu tempo – embora possamos, noutras obras, vê-lo como um precursor, muito para lá do século XXI. Verne diz-nos que “Os países auríferos não são privilegiados. Só criam populações ociosas e nunca raças fortes e trabalhadoras. Veja-se o Brasil, o México, a Califórnia, a Austrália! Onde estão eles no século XIX? O país por excelência, meu rapaz, não é o país do ouro, é o país do ferro!” (pág. 188). Apesar de considerar a Califórnia como um país, Verne, através de Paganel, tem aqui uma das mais marcantes frases e conceitos do livro.

Por outro lado, continua, à semelhança do primeiro volume, a ideia de que as mulheres são demasiado frágeis ou histéricas para estarem a par das decisões mais sérias. Embora também possamos compreender esta mentalidade, para as mulheres mais feministas, é capaz de lhes pôr o cabelo de pé :)

Verne repete, pois, as mesmas fórmulas do primeiro volume, mas faltam-lhe aqui aquelas que conferem verdadeiro interesse à leitura. Nem sequer a lamechice romântica, o exagero sentimental o encontramos, excepto, talvez, na aproximação de John Mangles a Mary Grant.

Este segundo volume decai imenso em qualidade e entusiasmo. Para além do desaparecimento prematuro e inexplicável de Toliné, o episódio do crime em Camden-Bridge é mencionado de forma superficial e sensacionalista, porém fugaz. Nem mesmo o twist final apaga o sabor amargo do resto da obra porque as pistas deixadas por Mac-Nabs tornam-no absolutamente previsível.

Numa atitude aparentemente desesperada, Verne inventa uns episódios de dificuldades no deserto a caminho de Twofold-Bay, onde o yacht Duncan os devia esperar – depois de percorrerem a Austrália de uma ponta à outra. Ora, durante mais de 200 páginas é a pasmaceira, não é assim, à pressa, que se redime uma má obra.

Portanto, desta vez, a desilusão foi grande, Verne leva 2 estrelas. Contudo, esta travessia no deserto torna-se necessária para chegarmos ao desenlace da aventura, no terceiro volume, pelo que aconselho a leitura apenas aos mais resistentes – embora já se possa adivinhar qual será o derradeiro desfecho (não convém que sejam demasiado curiosos e espreitem as ilustrações que se encontram adicionadas em qualquer das edições da obra de Verne, é que podem ficar a saber o final do livro através delas).

Há uma grande diferença de estilo, mas tenho ainda esperança no último volume. Sinceramente, espero não ter motivos para dar novamente uma pontuação tão baixa.


Parte 3:

E ao terceiro volume, Verne redime-se, sem, apesar de tudo, fazer um livro brilhante. É, certamente, muito mais empolgante e completo que o segundo (um enorme erro de percurso), concluindo – com sucesso ou não, não vou contar – a demanda em busca do Capitão Grant. Se bem se lembram, o capitão havia naufragado algures na Patagónia e os seus filhos, juntamente com toda a tripulação do Duncan, vinham-lhe seguindo o rasto desde aquele local, passando depois pela Austrália e, agora, pela Nova Zelândia. Verne dá-nos um impressionante testemunho da realidade neo-zelandesa – pelo menos, uma parte e um pouco tendenciosa –, focando, sobretudo, a fortíssima inclinação canibal das populações autóctones. Sempre expressando-se através dos seus personagens, percebe-se que Verne está em pano de fundo, sente-se a sua presença. Visivelmente chocado com estas práticas, será maioritariamente através de Paganel, o geógrafo francês excêntrico e distraído, que demonstrará de forma mais aguerrida a sua repulsa.

Neste último volume, perpassa um enorme sentimento de desilusão e resignação. Depois de infrutífera expedição pela Austrália, todos os tripulantes perderam a esperança de voltar a ver o capitão com vida.

Percebe-se ainda uma novidade, algo que vem contrariar o aparente facilitismo que o narrador Verne aplicava à narrativa. Desta vez, os tripulantes – lord Glenarvan, lady Helena, Mary e Roberto Grant, Wilson, Mulrady, Paganel e John Mangles – deparam-se com muito maiores dificuldades, já não temos aquela sensação de passeio de gente fina pelo meio dos selvagens. Agora, enfrentam naufrágios a sério, correm perigo de vida até ao último instante. Muito mais que nos volumes anteriores, sentimos estar a ler o verdadeiro Verne.

Mas o tema que domina grande parte do livro é o da antropofagia. Mais uma vez, os tripulantes se chocam e insurgem: “Mas como é que o cristianismo não pôde ainda destruir os costumes da antropofagia?” (pág. 67 da edição da RBA Editores). Todavia, apesar da narrativa interessantíssima das tentativas de cristianizar e dominar os povos autóctones da Nova Zelândia, Verne retorna ainda à narrativa aborrecida e desgastada da História do país através da descrição dos aventureiros que por lá passaram. Ora, isto acontece com frequência em todos os volumes e é, sinceramente, um aborrecimento de morte.

Neste volume, contudo, Verne introduz elementos ricos que acabam por compensar alguns outros mais entediantes. Atreve-se mesmo a algum suspense, pese embora ingénuo: “(…) quando na Nova Zelândia alguém está um ano sem aparecer (…), é porque se acha irremediavelmente perdido!” (pág. 99). É neste estilo que Verne nos tenta confundir em relação ao destino do capitão, não nos revelando nunca se nefasto ou benfazejo, até muito, muito perto do final.

Verne junta ainda a estes elementos que promovem o interesse, episódios de curiosidades. Por exemplo, adorei saber – sim, porque eu não sabia, confesso, e senti-me uma criancinha, a rir-me sozinha para o livro – que as focas engolem seixos de dimensões consideráveis para mergulharem a maior profundidade. Achei engraçado LOL! Também gostei muito da descrição sobre os kiwis, aquelas aves sem asas e bico longo e fino, tipicamente australianas – até as ilustrações do bicharoco estão um brinco.

O terceiro volume continua, apesar de tudo, a mostrar-nos juízos de valor bem depreciativos – mas compreensíveis – acerca dos indígenas. Para além da condenação sem compreensão prévia dos hábitos antropofágicos, quase que se goza com a bandeira utilizada por uma das tribos locais, referindo-se-lhe como “um pedaço de estofo que o vento fazia ondular no alto de uma cabana. Era a bandeira nacional.” (pág. 125). Bem, se formos realistas, o que é bandeira de cada país? Um pedaço de pano tingido, nada mais. Parece-me muito depreciativa e até ofensiva e racista – embora se perceba bem o contexto da época de Verne – que não se tenha em conta que a bandeira é o significado que se lhe atribui. Para quem a veja e não lhe conheça o simbolismo, não tem qualquer interesse ou significado.

Aquilo que Verne descreve de forma absolutamente impressionante é o luto dos neo-zelandeses, esse sim, um testemunho mais próximo de antropológico: “Os parentes e amigos dos guerreiros mortos [em combate contra os ingleses], as mulheres principalmente, rasgavam o rosto e os ombros com cortantes conchas. O sangue escorria e misturava-se com as suas lágrimas. As profundas incisões atestam grande desespero.” (pág. 133).

Ainda, Verne procede do mesmo modo ao descrever todo o cerimonial que rodeia o enterramento de Kara-Té Té, chefe tribal. Descrição extremamente vívida, sem tabus, mas ao mesmo tempo parcial, vista claramente pelos olhos de um ocidental. Aliás, será claramente desrespeitado e profanado o local do túmulo do chefe, apesar de por óbvia e absoluta necessidade. Esta visão ocidentalizante está constantemente expressa, até nas considerações acerca do criminoso Ayrton – antigo cabo de marinheiros do capitão Grant. As personagens criados por Verne estão impregnados de puritanismo, religiosidade ocidental exacerbada e cristianismo bíblico – é quase repugnante a forma como falam de Ayrton: como é que um homem com tantas capacidades usa a sua inteligência para o mal?

As novidades – algumas – de que falei não ofuscaram totalmente o renascimento do ideal Romântico, pelo que é possível que em alguns leitores possa surgir a náusea face aos sentimentos de John Mangles por Mary Grant, disposto a morrer por ela.

Não vos vou contar o final, para quem algum dia vá ler esta trilogia, mas deixo uma pequena nota de interesse sobre Paganel. Será muito curioso descobrir porque afinal, a partir de certa altura, o geógrafo andará tão silencioso e coberto de roupa até ao pescoço: “Paganel, ele que, em caso de necessidade teria inventado a esperança, Paganel conservava-se triste e silencioso.” (pág. 212).

Chegada ao fim do terceiro volume, só posso mesmo recomendar estas obras a quem se interesse muito em ler grande parte da produção escrita deste autor. Eu, sinceramente, apesar do desaire do segundo volume, aprendi muita coisa com Verne, aprecio a sua capacidade inventiva e imaginação viva, mesmo quando não estão ao seu mais alto nível. É o caso destes 3 volumes, irregulares e, em certa medida, repetitivos nas suas fórmulas. Ler-se-ão apenas por alguma teimosia. Verne tem obras muito superiores e de um só volume que valem muito mais por estes 3. Assim, dou 4 estrelas a este último por ser bem melhor que os dois anteriores mas, no cômputo geral da trilogia, daria 3 estrelas.

Crítica escrita novamente por Cátia Santos, autora do blog Há Fogo na Lua, e cedida gentilmente para o blog JVernePt. Poderão ler outra crítica da Cátia aqui.

Se pretender comentar esta crítica faça-o aqui. Caso pretenda apenas comentar a obra use a secção correspondente. Qualquer pessoa pode escrever uma crítica para qualquer obra. Para isso leia o tópico 'Críticas das obras'.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Desenhos 'Mundos de Júlio Verne'

Depois ter visto os desenhos em baixo de uma portuguesa no blog internacional JV de Passepartout, entrei em contacto com a autora, que me autorizou a colocação dos mesmos neste blog afim de todos os que nos visitam os possam ver.
[00_nino_net.jpg] [nina_dino_net.jpg]
[evolução_Verne.jpg]
Estes desenhos são denominados "Os mundos Júlio Verne" e foram desenhados por Ana Afonso, autora do blog anafonso-ilustra.blogspot.com, blog que recomendo a sua visita.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Restaurante Jules Verne inaugurado

O restaurante Jules Verne no 2º piso da Torre Eiffel em Paris, foi inaugurado depois de 4 meses de obras:



Pena o preço, mas um restaurante de nome Jules Verne só podia ser "fantástico"!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Crítica '20000 Léguas Submarinas (1870)'

Ganhei há bem pouco tempo o gosto de ler Júlio Verne. Tenho aproveitado as colecções que foram lançadas muito recentemente, uma pela RBA Editores e outra no Correio da Manhâ. Estou a completar a primeira. Mas já tinha adquirido as Vinte Mil Léguas Submarinas antes. E finalmente encontrei um género literário que me satisfaz completamente.

Em relação a este título em particular, posso dizer que me fez sonhar como sempre desejei. Conta-nos a história de um professor francês, o seu companheiro (Conseil) e Ned Land, um marinheiro canadiano e de como todos acabam "prisioneiros" do Nautilus e do capitão Nemo, após terem seguido a bordo de um navio cuja missão era capturar um terrível monstro que assolava os mares e afundava navios - o Nautilus.

É surpreendente a vivacidade com que o autor nos faz a descrição das aventuras e desventuras daqueles 3 personagens e a relação algo tempestuosa com o capitão, um homem duro, decidido a isolar-se irremediavelmente do mundo civilizado para viver a bordo do submarino por ele desenhado. Este é uma verdaderia fortaleza contra todos os perigos. Toda a tripulação se alimenta dos recursos fornecidos pelo mar, tudo o que encontramos na terra tem o seu homólogo na água. O que é uma visão fascinante embora um pouco utópica de como utilizar recursos que são praticamente inesgotáveis e não poluentes. Aliás, Júlio Verne aponta-nos aqui uma faceta sua que me parece muito recorrente: a de naturalista e em muitos aspectos de ecologista.

O que me aborreceu mais foi, de facto, a imensa descrição de peixes, moluscos, enfim, todos os animais marinhos classificados por ordens, subordens, classes... acho um pouco desnecessário e, para quem não tenha em mente todos aqueles animais, é demasiado exaustivo. Contudo, somos compensados com as maravilhosas viagens ao fundo do mar, os fatos de mergulhador bastante arcaicos, mas uma descrição bem realista da sensação de estar no fundo do mar. Percorrem-se todos os oceanos a bordo do Nautilus e só no Árctico é que correrá verdadeiro perigo, como que antecipando o final, que não vou revelar.

Às tantas, a meio do livro, depois de tanto ler sobre a inesgotável electricidade que alimentava o Nautilus, do material inquebrável que o compunha, das velocidades que aquele subamarino atingia, é que parei para pensar um pouco e dar-me conta de que este homem, Júlio Verne, era de facto um visionário. Escrevendo em meados do século XIX, mais propriamente 1873, quase que nem damos por isso, embora se possa rever precisamente naquele espírito analítico e necesariamente classificador um reflexo da maneira como a ciência era encarada na época.

Os personagens são caracterizados perfeitamente. Temos o subserviente Conseil, que segue o seu mestre para todo lado e só opina o que o mestre opina, vive porque ele vive, respira para ele, sem autonomia mas muito fiel. Temos Ned Land, o impetuoso pescador, cujo único pensamento desde o início é escapar - incapaz de estar preso durante tanto tempo. Temos ainda o Professor, de que não me recordo o nome, espírito perfeitamente sereno e observador, esperando pelo momento certo, escolhendo bem as palavras, aproveitando a prisão involuntária para aumentar os seus conhecimentos e estudos. E temos também a figura incontornável do capitão Nemo, homem de personalidade vincada, obstinado e decidido, um estudioso excêntrico, como a maior parte dos personagens de Verne.

Enfim, é um livro muito aconselhável a quem se queira iniciar na ficção científica de excelente qualidade, é um clássico de incontornável gosto, imprescindível, mas que pode maçar um pouco nas suas divagações acerca dos habitantes marinhos. De resto, até acabamos por aprender algo com isso, sem querermos. Portanto, só tem vantagens. Leiam.

Crítica escrita por Cátia Santos, autora do blog Há Fogo na Lua, e cedida gentilmente para o blog JVernePt.

Se pretender comentar esta crítica faça-o aqui. Caso pretenda apenas comentar a obra use a secção correspondente. Qualquer pessoa pode escrever uma crítica para qualquer obra. Para isso leia o tópico 'Críticas das obras'.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Obrigado a todos...

Já saíram os resultados para melhor blog nas categorias Arte & Cultura e Literatura, e o nosso blog ficou no 7º e 6º lugar, respectivamente.

Foi muito bom ter sido nomeado nestas categorias e ainda mais ter ficado nestas posições.





Mais uma vez, e em meu nome e do Carlos, agradecemos a todos os amantes da literatura e de Júlio Verne que votaram e contribuíram para o sucesso deste blog.

É muito agradável ver como um blog de um autor do séc. XIX, mas que andou muito à frente do seu tempo, e semi-esquecido em Portugal actualmente, é reconhecido e admirado.

Continuem a visitar e a participar no blog dedicado ao grande mestre da literatura mundial!

Obrigado!

FONTE: Melhor Blog Português - Vencedores Literatura, Arte e Cultura

António Lobo Antunes cita Júlio Verne

António Lobo Antunes, magnífico escritor português que tem sido cogitado para o Nobel de Literatura, cita de forma favorável Júlio Verne entre outras obras/autores, em entrevista no programa "Espaço Aberto Literatura", do canal Globo News do Brasil, em Dezembro/2007.



Para além de mencionar que Verne "era um grande escritor" diz que este "guardava os manuscritos debaixo da bunda". Será verdade? Nunca ouvi nada a este respeito.

"É preciso tomar lições de abismo". JV - Viagem ao Centro da Terra

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Nomeado em duas categorias

O nosso blog dedicado a Júlio Verne foi nomeado em duas categorias, Arte & Cultura e Literatura, no site Melhor Blog Português. Em cada categoria foram nomeados 9 e 11 blogs, respectivamente.





Em meu nome e do Carlos gostaria de agradecer a todos os amantes da literatura e de Júlio Verne que votaram neste blog.
Este reconhecimento dá imensa força para continuar.

Continuem a visitar e a participar no blog dedicado ao grande mestre da literatura mundial!

Obrigado!

FONTE: Melhor Blog Português - Literatura, Arte e Cultura

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Novo Site para 'Journey 3-D'

O primeiro filme de acção em 3 dimensões "Journey 3-D", baseado na obra de Júlio Verne "Viagem ao Centro da Terra", já tem site e novo logo.



Podemos reparar que o título do filme sofreu uma mudança para "Journey to the Center of the Earth 3-D".

Ficaremos à espera do trailer.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Revista 'Mundo Verne' #2

Mais uma vez, o bravo Ariel Pérez lançou na Internet a revista Mundo Verne, em seu segundo número, e nos proporcionou a chance de traduzi-la para nossa língua, possibilitando o acesso a milhares de portugueses, brasileiros e todos aqueles que falam o português em todo o mundo.



Destaca-se a primeira parte de um interessante artigo de William Butcher sobre as partes desconhecidas de um manuscrito de "Viagens e aventuras do capitão Hatteras", onde Verne planeava dar um final completamente distinto à obra.

Também se pode encontrar uma entrevista a Jean-Michel Margot, um dos vernianos mais activos e importantes do mundo, um texto por Frederico Jácome que mostra a relação do autor com Portugal, e as secções já habituais onde entre elas está a análise da novela "O Farol do fim do mundo" por Christian Tello, o capítulo 2 de Pierre-Jean e uma nova carta inédita de Verne.
Mundo Verne 2

domingo, 9 de dezembro de 2007

Uma sugestão de prenda de Natal...

Nada melhor que oferecer neste Natal aos seus amigos, familiares, conhecidos, etc... uma obra de Júlio Verne adaptada ao grande ecrã.

Foi isso que pensou a FNAC e colocou o filme "20,000 Léguas Submarinas", para mim a melhor adaptação feita até hoje, a um preço de promoção de 9,95€



Sinopse: "Suba a bordo do Nautilus... para um estranho mundo submarino de fascinantes aventuras! Kirk Douglas, Paul Lukas e Peter Lorre protagonizam os sobreviventes de um naufrágio, capturados pelos misteriosos Capitão Nemo, um génio louco com um diabólico plano para a destruição do Mundo. Galardoada com um brilhante Oscar de Academia (Efeitos Especiais), esta adaptação pela Disney do romance de Júlio Verne, '20.000 Léguas Submarinas', é uma verdadeira obra-prima!"

Não percam a oportunidade de o adquirir!
Recomendo!

sábado, 8 de dezembro de 2007

A primeira foto de 'Journey 3-D'

Aí está a primeira foto do novo filme "Journey 3-D" baseado na obra de Júlio Verne, "Viagem ao Centro da Terra".



É de relembrar que este será o primeiro filme de acção no formato 3-D e tem a participação de Brendan Fraser, Josh Hutcherson e Anita Briem!
A sua data de estreia será no dia 8 de Agosto de 2008.
Vamos esperar por mais novidades!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Sam Raimi volta a falar de 20000 Léguas

Sam Raimi aquando de uma entrevista sobre o seu novo filme "30 Days of Night", confirmou-nos que passa pelo seu futuro produzir nova versão de "20000 Léguas Submarinas".



"Vou produzir o remake de 20 Mil Léguas Submarinas, já temos um bom roteiro baseado na obra de Júlio Verne e estamos à procura de um realizador".

Raimi disse também que nesta produção irá ser fiel à obra.

"Pretendo manter o espírito original das obras. Os fãs querem que o realizador e os produtores sejam fiéis ao material original, pelo qual são apaixonados. É esse tipo de pressão que sinto por parte dos fãs."

Depois de algumas obras adaptadas para o grande ecrã com pouco do original, cá estaremos para ver se desta vez iremos ter um filme fiel à obra de 1870! Esperemos que sim...

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Novo autor - Carlos Patrício

O blog "JVerne em português" está a crescer... O crescente número de visitas dá força e coragem para continuar e torná-lo cada vez melhor!

E por isso perguntei ao meu querido amigo brasileiro e especialista em Verne, Carlos Patrício, se estaria interessado em contribuir com a sua sabedoria para o blog. Para agrado de nós todos, a sua resposta foi positiva e a partir de hoje podemos contar com um novo autor.
É sem dúvida uma belíssima participação e iremos com certeza aprender muito com ele.

Já agora aproveito para dizer que o Carlos já colocou um novo post.

Dou-lhe as boas-vindas e desejo-lhe o maior sucesso no blog!

Obrigado amigo!

Rua Júlio Verne, Rio de Janeiro, Brasil

Em resposta ao tópico sobre as Ruas Júlio Verne, aqui na cidade do Rio de Janeiro temos uma Rua Júlio Verne, no bairro de Campo Grande, Zona Oeste da cidade. É uma pequenina e aprazível ruazinha, com apenas quatro blocos (quarteirões) e sem saída em um dos lados, o que a torna um logradouro tranqüilo, silencioso e muito calmo. Durante minha visita, ouvi passarinhos e senti uma gostosa brisa no local, apesar do dia quente que fazia na cidade.















Fica num loteamento cujas ruas têm nomes como Kepler, Euler, Laplace, Lavoisier, Torricelli, Lagrange, Gutemberg e Ampére. Ou seja, todos gênios e todos reunidos num único espaço. As fotos mostram a placa denominadora numa bonita casa amarela (que por sinal, estava à venda - fiquei pensando ... e ainda estou inclinado a fazer uma oferta ao dono hehehehehe) e uma vista de um dos lados da rua.















Como disse uma vez o Fred, referindo-se à "Boulevard Jules Verne" em Amiens, esta também parece ter aquele "toque" do mestre, aquela sensação de sossego, calma, de bem-estar... mesmo estando no coração de uma cidade grande e movimentada, cheia de carros e pessoas passando de um lado para o outro, a linda ruazinha dava a impressão de estar isolada do resto do mundo. Veja as fotos.

Podemos concluir, então, que as ruas com o nome do escritor têm aquilo que ele fazia questão de ter, o sossego, a paz?
Certamente, são ruas que trazem sua marca ...

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

'Júlio Verne, A Ciência e o Homem Contemporâneo'

Acabou de ser lançado em português, e pela editora brasileira Bertrand, um novo livro sobre Verne escrito por Michel Serres.

Chama-se "Júlio Verne - A Ciência e o Homem Contemporâneo"!



Sinopse:
"Júlio Verne - A Ciência e o Homem Contemporâneo", é um diálogo entre Michel Serres e Jean-Paul Dekiss que conduz o leitor num passeio pela obra do autor de Vinte Mil Léguas Submarinas. Os romances de aventuras destinados à juventude, pela mão de Serres, vão-se tornando verdadeiras obras de crítica da cultura. A análise da obra de Verne dá a oportunidade de pensar sobre o mundo contemporâneo, sobre o antagonismo que há muito opõe a ciência e a literatura e sobre o cidadão que queremos formar. Serres é autor também de Hominescências, Os Cinco Sentidos, Notícias do Mundo, Variações Sobre o Corpo e O Incandescente. "Com muito talento, Júlio Verne tentou um golpe admirável, uma viagem extraordinária: tornar a ciência cultural", escreve Serres. "Ele conta que as ciências fazem parte da formação cultural como as rochas colaboram, em parte, para a formação da crosta terrestre. A escotilha de Nemo mostra, como uma tela, que a oceanografia permite ver melhor a beleza do mar. Quanto a nós, filósofos, políticos, administradores etc., não conseguimos tornar cultural a ciência contemporânea. Daí um afastamento, uma dilaceração dramática. Um rumor social crescente a recusa. Entre nossos saberes, nossos meios e a cultura, a tensão aumenta. A cultura se afasta da pesquisa. Isso é preocupante. Perdemos uma via na qual Júlio Verne mostrou que poderíamos ter nos embrenhado? Nós não a seguimos, e a universidade formou, como eu disse, literatos cultos mas ignorantes, ..."

Não terá data nem se sabe se será lançado em Portugal.
Podem fazer a vossa compra no site Siciliano.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Quem mora na Rua Júlio Verne?

Em Portugal como em França, várias são as ruas Júlio Verne. Em todo o país temos 3 ruas, estando elas na sua totalidade na zona de Lisboa. Para além das ruas, o nome do escritor foi dado a uma praceta e a um passeio, ambos mais uma vez localizados nos arredores da capital.

Aqui ficam as suas localidades exactas:

Praceta Júlio Verne
Aroeira
2820-026 CHARNECA DA CAPARICA

Rua Júlio Verne
Famões

1685-804 FAMÕES

Passeio Júlio Verne
Lisboa
1990-009 LISBOA

Rua Júlio Verne
Santa Iria de Azóia
2690-505 SANTA IRIA DE AZÓIA

Rua Júlio Verne
Conceição da Abóboda
2785-299 SÃO DOMINGOS DE RANA

No entanto, gostaria de confirmar tais localizações e por isso pedia a quem vivesse nestes locais ou perto, que tirasse uma foto da placa identificadora e me enviasse afim de colocar aqui no blog as fotos. Seria interessante, pois, para além de confirmar tais referências, teríamos a oportunidade de ver uma placa em Portugal com o nome do escritor.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Mais um sonho concretizado...

Num post anterior referi que não iria desistir de tentar concretizar um sonho meu, viajar de balão.

Apesar da minha pouca esperança, fui no passado domingo, novamente ao Palácio de Cristal afim de realizar a tal viagem. Ao contrário do que estava à espera, fui surpreendido com o balão, ainda que vazio, estendido no chão. Fiquei naturalmente feliz de o ver pois haveria a hipótese de nesse dia realizar a viagem. No entanto, notei vento o que, para quem desconhece, torna estas viagens impossíveis de se fazer. Comuniquei a minha vontade ao responsável o qual, além de me ter confirmado a viagem, me disse que seria o primeiro a levantar voo. Depois de ter visitado este local várias vezes durante a semana, bem que merecia ser a “cobaia”.


Após esperar que o vento diminuísse, chegava o momento de encher o aeróstato. Com a ajuda de uma ventoinha (com certeza haverá algum nome técnico mas desconheço), começou-se a encher o balão com 3.000 m³ de ar. Aos poucos começamos a ver a sua forma, mas seria necessário aquecer o ar (ar quente é mais leve que o ar frio) com uma chama controlada. Assim se fez e o balão ascendeu ligeiramente levando consigo o respectivo cesto colocando-o na vertical. Este enchimento, nunca presenciado por mim, foi também assistido por um vasto público atento e silencioso.

Agora pronto para a viagem, procedeu-se à chamada do viajante nº1, eu próprio! Já dentro do cesto do aeróstato, tive uma melhor visão da imensa assistência que se fazia sentir no local agora a observarem-me. Logicamente não demonstrei o receio e o nervosismo que sentia naquele instante.

Estava pronto para levantar voo e olhando mais uma vez para a plateia, sorri. Esta situação fez-me pensar quão de semelhante terá sido a partida do Prof. Fergusson, em Cinco Semanas em balão, para o centro de África apesar de eu jamais sair daquela latitude/longitude.

Após se ter “dado” um pouco de chama senti-me subir. Estava a voar! O sonho estava-se a concretizar! Fui subindo e, olhando para baixo, via o “meu público” cada vez de menor tamanho. Olhei em frente... Que vista! Vi o rio que reflectia os raios de sol, vi a ponte de Arrábida, vi a torre dos Clérigos,... que maravilha! Estava a concretizar um sonho e ainda por cima na minha cidade! Não podia pedir mais! Estava feliz!

Como me sentia bem lá em cima, que paz, que silêncio! Porém, estes momentos eram interrompidos pela chama controlada que, para além de nos manter naquela altitude (ou subir consoante os casos), nos contemplava com um imenso calor sendo quase impossível olhar naquele momento para o interior do balão. Estive a contemplar a cidade mais de 15 minutos tendo sido, por duas situações, obrigado a diminuir a altitude devido ao aumento da velocidade das correntes de vento que por vezes se fazia sentir. Mas estava a ser uma experiência fantástica que muito dificilmente iria repetir, muito menos na minha cidade!


Demos início à descida. A minha viagem estava a terminar, porém, ainda pude dar um ultimo olhar lá do alto à minha cidade onde nasci. Quase a atingir o solo, o vento fez-nos uma partida o que nos levou a fazer uma aterragem um pouco brusca levando à inclinação do cesto. Felizmente a consequência foi nula pois estava agarrado a um dos braços do balão. Algo me tinha dito (talvez o meu nervosismo agora patente) que seria o melhor a fazer antes de pousar.

Rapidamente o cesto adquiriu a sua posição normal e foi-me possível sair em segurança. Não sei se é do conhecimento geral mas os cestos dos balões pequenos (os dos maiores não sei) não têm qualquer porta sendo o seu acesso relativamente difícil para quem tem pouca agilidade. Poderão ver na foto a minha dificuldade.

Já no exterior, contemplei outra vez o meu último meio de transporte e pensei em algo curioso. Verne apesar de ter incluído este meio de transporte em várias obras (A Ilha Misteriosa, Cinco semanas em balão, etc... mas não em A Volta ao Mundo em 80 dias como muita gente pensa devido aos filmes que o incluem) só posteriormente teve a oportunidade, também na sua cidade, de experimentar tal meio de transporte.

Há bastante tempo que pensava em ter esta experiência porém estas viagens só ocorrem em planícies e sem vento sendo o local mais apropriado a zona do Alentejo. E por isso era bastante improvável que algo acontecesse no norte do País, muito menos numa cidade. Mas, inexplicavelmente aconteceu, e pude ser por breves momentos uma personagem de Verne na sua obra Cinco semanas em balão. Teria Verne em conjunto com o meu avô sabido deste meu desejo e me ajudado a concretizar mais um sonho meu e ainda mais neste local? Não sei, talvez!

Bem haja a todos que leram este post!

Fica para breve uma viagem num submarino, que dizem? Ehehehe!

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Verne e Da Vinci

“Verne foi um homem com um poder imaginativo muito avançado para a época em que vivia, uma mente voltada para o futuro em meio a tantas limitações científicas, ele sabia como ninguém dar forma ao imaginário, tal como Da Vinci, mal comparando, o fez em outros campos...”

Foi com este propósito que visitei a exposição "Leonardo Da Vinci - O Génio" patente no Palácio de Cristal na cidade do Porto.

A exposição acolhe dezenas de modelos (concebidos em solo italiano por artesãos e especialistas europeus), em tamanho real, construídos a partir dos desenhos de Leonardo da Vinci (1452-1519), bem como peças inspiradas na obra e vida do pintor, escultor, cientista, arquitecto, engenheiro, médico e inventor italiano, um dos maiores génios da humanidade.

Antes de entrar perguntei-me como poderia caber uma exposição tão grandiosa num espaço como o do recinto do pavilhão. Resposta: em dois pisos e aproveitando o espaço superior para a suspensão das máquinas voadoras.

Para começar digo que a exposição está muito bem conseguida. Em 2600 metros quadrados, esta divide-se em dois pisos com vários sectores, incluindo 67 máquinas maravilhosas (37 à escala real e 23 interactivas), estudos anatómicos e arte. Os espíritos mais desejosos de saber ficarão satisfeitos com a contemplação de algumas invenções ‘davincianas’, como o ‘Homem de Vitruvio’, o planador, o pára-quedas, um submarino (muito curiosa a sua descrição e ainda mais pois Verne pegou nesta ideia 400 anos depois), um tanque de guerra, um fato de mergulho (muito parecido com o escafandro e mais uma vez aproveitada por Verne) e uma bicicleta projectada a partir de um desenho de Leonardo, só encontrado em 1966, mas traçado no papel há mais de 300 anos. A Humanidade viria a descobrir a bicicleta só no século XIX.

O evento conta ainda com reproduções das dez mais famosas pinturas do mestre, desenhos e anotações, que permitem admirar o surgimento da perspectiva e dos planos de fundo de obras tão conhecidas como ‘Mona Lisa’, ‘A Virgem dos Rochedos’ e ‘A Última Ceia’.

Recomendo a sua visita. No entanto é de lamentar a ausência de um preço para estudantes. Fala-se tanto da cultura para os jovens mas ‘o caminho’ não nos é facilitado.

Mas as referências a Verne ainda não tinham acabado. No exterior deparei-me com um cartaz onde dizia “Viagem a balão – 10€”.

Há imenso tempo que sonhava com esta viagem, entrar num balão e levantar voo como fez o nosso ‘Dr. Fergusson’ (5 Semanas em Balão). Olhei em redor e lá estava o cesto do balão mas sem nada copulado. Ah, como eu gostava de subir de balão em plena cidade do Porto, como eu gostava de ter a sensação do nosso querido Fergusson.
Tentei tudo para realizar esta viagem mas foi-me dito que não seria possível devido ao vento. Que pena, teria que ficar para outra oportunidade.
Escusado será dizer que tenho lá ido regularmente desde então, mas não tenho tido qualquer sorte. Apesar do cartaz se manter não me parece haver interesse dos organizadores pois não tenho encontrado ninguém para qualquer explicação. E não acredito que continue a ser do vento pois os dias têm sido bastante bons para esta época do ano.

No entanto, não irei desistir e voltarei a visitá-los pois, como se diz, nunca deveremos desistir dos nossos sonhos!

Esperem pelas notícias dos próximos capítulos! Deixem-me sonhar...

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Sam Raimi produzirá nova versão '20000 Léguas Submarinas'

Por ocasião do lançamento do seu novo, "30 days of night", o realizador e produtor Sam Raimi (realizador dos três "Spider-Man"), revelou que irá produzir uma nova versão cinematográfica do romance de Jules Verne "20.000 Léguas Submarinas".




“O livro está a implorar por uma reinterpretação, porque por melhor que o filme tivesse sido, ele já tem 50 anos de idade. A obra tem personagens muito ricas, que podem ser realizadas de um jeito bem diferente.”

O estúdio New Line Cinema comprou o roteiro de Craig Titley, do clássico de Júlio Verve. Está prevista a sua estreia em 2010.
C
onfiou a produção do projecto à Buckaroo, detida por Sam Raimi e Josh Donen, faltando agora encontrar um realizador para a nova versão de "20.000 Léguas Submarinas".

O realizador terá assim em mãos uma história que foi adaptada ao cinema, em 1954, pela Disney, e protagonizada por James Mason, Kirk Douglas e Peter Lorre.

A ficha do filme já se encontra no imdb.com:
http://www.imdb.com/title/tt1127169/

Que seja um filme fiel à obra original e não como aconteceu com "A Volta ao Mundo em 80 dias" com Jackie Chan que pouco teve da obra de Jules Verne.

sábado, 13 de outubro de 2007

'Jules Verne' em Hora de Ponta 3

Foi com bastante agrado que vi mais um filme com referência a Verne.
Ocorreu no filme "Rush Hour 3"(Hora de Ponta 3) com Chris Tucker e o nosso já conhecido Jackie Chan que participou na última má adaptação de uma obra de Verne, "A Volta ao Mundo em 80 dias".



A referência consiste no seguinte. Já perto do final do filme, os "maus da fita" combinam encontrar-se com os dois polícias no restaurante...Jules Verne!
Para quem não conhece, este restaurante fica em Paris mais precisamente na torre Eiffel.

É possível ver-se a entrada no restaurante como seu o nome gravado no toldo:



O últimos 15min do filme passam-se no interior deste!

Não percam!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

'A Volta ao Mundo em...80 minutos' em Lisboa

A VOLTA AO MUNDO EM 80 MINUTOS é um espectáculo baseado no best-seller de Júlio Verne, 'A Volta ao Mundo em 80 Dias', que a companhia Holiday on Ice adaptou esta obra com um toque dos Looney Tunes. Este é um espectáculo onde Phileas Fogg e Passapartout e mais 40 patinadores profissionais visitam diferentes países em 80 minutos, numa contínua corrida à volta do mundo.


Neste percurso cheio de aventuras, estas duas personagens acabam por encontrar e conhecer Bugs Bunny e todas as personagens favoritas dos Looney Tunes – Daffy Duck, Tweety, Sylvester, Speedy Gonzales, Granny, and the Tasmanian Devil – que também competem entre si nesta grande viagem pelo mundo. Dos Estados Unidos ao México, do Brasil à Austrália, da China à Índia, passando por África, Rússia e França, os nossos amigos vão dando a conhecer diferentes culturas e deslumbrantes ambientes recriados por coloridos cenários e guarda-roupa.


Com direcção artística a cargo de Marc Forno, Bugs Bunny On Ice reúne mais de 40 dos melhores patinadores no gelo do mundo num espectáculo de elevada qualidade produzido pela Holiday On Ice, empresa especializada em espectáculos sobre o gelo há mais de 65 anos.


Local: Campo Pequeno de 1 a 11 de Novembro (Lisboa)
Início do Espectáculo: 1 Novembro às 15h e 19h
4ª a 6ªf às 20h/ Sábados & Domingos às 11h, 15h e 19h
Bilhetes à venda no Campo Pequeno, Fnac, Worten, Abreu, Bulhosa e Bliss.
Informações & reservas 707 234 234
Preço de 12€ a 40€


Para ver o video clique aqui.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Jules Verne ATV - 'Da Terra à Lua' no espaço

Como já foi falado aqui no blog, brevemente irá ser lançado para o espaço o cargueiro “Jules Verne”, nome dado como homenagem ao escritor francês. Irá ser o primeiro de vários veículos do género que a Agência Espacial Europeia (ESA) quer operar para manter a Estação Espacial Internacional abastecida de homens e materiais até ao fim da sua vida operacional.

A sua carga já está a ser preparada e para além de comida leva vários items, alguns deles relacionados com o autor de forma a homenagear mais uma vez o escritor. São eles um fantástico e luxuoso livro do séc. XIX 'De la Terre à la Lune' (Da Terra à Lua) e dois manuscritos originais do autor sobre o espaço e a astronomia. Os manuscritos foram especialmente emprestados pela biblioteca de Amiens, cidade onde Verne viveu e morreu em 1905.

Em baixo poderão ver as fotos tanto do livro como dos manuscritos. Cliquem nelas para aumentar:

Mais informações em ESA.

sábado, 29 de setembro de 2007

Salvador Dali sem Verne

À volta de uma semana, visitei a exposição "Salvador Dali" patente na cidade do Porto, mais propriamente no Palácio do Freixo.


Logicamente se estarão a perguntar qual a relação de este pintor com o escritor Júlio Verne. Pois bem, eu visitei esta exposição por dois motivos. O primeiro foi obviamente devido à qualidade das suas obras. O segundo...bem, já aí vou.

Descobri por mero acaso na internet que o excêntrico Salvador Dali, que pela sua originalidade não está muito longe de certos heróis nernianos, desenhou em 1966 um retrato do escritor Júlio Verne. É de água-forte (os estudiosos de arte saberão com certeza o que pretendo dizer) e tem o título de "Retrato de Júlio Verne - O Intelecto Explosivo".
E foi este o segundo motivo pelo qual visitei a exposição. Ver esta obra de arte ao vivo.

Mas infelizmente esta obra como outras não viajaram para o nosso país. Terão com certeza ficado no seu museu em Figueres (Espanha).

Porém, irei disponibilizar aqui no blog a sua foto para que este quadro não passe despercebido a ninguém que visite o seu museu nos arredores de Barcelona.

Aí fica o quadro:

terça-feira, 25 de setembro de 2007

'A Ilha de Hélice' de Verne realidade?


Com certeza já ouviu falar da obra de Verne "A Ilha de Hélice". Nesta obra, Verne mostra-se (mais uma vez) visionário.

"Standard Island" é uma espécie de navio, porém não um navio comum, nem mesmo algo que se assemelhe a uma embarcação. Trata-se de uma imensa ilha flutuante de forma oval, movida por motores a hélice e alimentada pela eletricidade. Transporta uma cidade de dez mil habitantes, desenvolvendo uma velocidade de oito a dez nós. Cidade e ilha foram construídas por bilionários norte-americanos e que resolvem dispor de um espaço próprio para o seu belo prazer.

Resta-nos então, apenas imaginar como seria tal transporte. Porém, isso pode mudar.

De acordo com uma informação difundida numa rádio francesa, a construção de algo muito semelhante à ilha Standard poderá começar brevemente num estaleiro em Saint-Nazaire (porto francês no Oceano Atlântico). Já está planeada há bastante tempo, porém, problemas financeiros - à volta de 2,5 biliões de euros - têm atrasado o projecto. Pensa-se que este fantástico meio de transporte poderá estar pronto no final de 2013.

Mesmo que não seja tão grande como a de Júlio Verne, esta "ilha flutuante" continua a ser muito impressionante: 400 metros de comprimento, 70 de altura, 29 andares, 5000 aposentos, 10000 passageiros, com uma forte construção para que faça frente a ondas de 30 metros, furacões, tsunamis,...

Iremos seguir a construção da "ilha" por isso caso haja mais informações, postaremos aqui.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Revista 'Mundo Verne' #1 (versão em português)

A magnífica revista “Mundo Verne”, já falada aqui no blog no dia 4 de Setembro, tem agora uma versão em língua portuguesa!

Como sabem, o português é a quinta língua mais falada no mundo, aproximadamente 230 milhões falantes, e por este e outros motivos, eu, Frederico Jácome (Portugal) e Carlos Patrício (Brasil), achamos que seria uma boa ideia traduzi-la para português.
 Entramos em contacto com o fundador da revista, Ariel Perez, o qual nos agradeceu por esta fantástica ideia. Aliás, já tinha pensado em propor tal ideia pois tinha incluído os mapas do Brasil e Portugal na capa da sua primeira edição.

Esta revista electrónica, agora em português, será a revista de referência sobre a vida e obra de Jules Verne para todos os lusófonos do mundo.
Neste primeiro número destaca-se um artigo onde se analisa se Verne pode ser, ou não, considerado o pai da ficção-científica, uma análise do primeiro filme baseado numa obra de Verne, um estudo sobre a obra “A Galera Chancellor” e o primeiro capítulo do texto inédito Pierre-Jean.
Mundo Verne 1



Esta versão em português era o mínimo que nós podíamos fazer a alguém que nos fez dar a volta ao mundo, percorrer 20.000 léguas pelo mar, ir ao centro da terra e até viajar até à lua sem sairmos de nossa casa, não acham?
Vamos então divulgar esta fantástica revista!
Abraço a todos os fãs vernianos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Crítica 'As Atribulações de um Chinês na China (1879)'

Kin-Fo é um homem jovem, saudável, extremamente rico e profundamente entediado. Nem o casamento próximo com a bela Le-U o anima, o que leva seu amigo inseparável, o filósofo Wang, a acusá-lo de não ter passado por provações na vida, nem ter sentido a infelicidade, o desconforto ou a desgraça, e por isso não dar valor à real Felicidade.

Porém, uma notícia inesperada dá conta de que sua fortuna foi perdida com a falência do banco americano onde estava depositada.
Kin-Fo assina então um contrato numa Companhia de Seguros, cuja apólice beneficiaria Le-U e Wang no caso de sua morte (a qual ele planeja, com intuito de dar um último alento - e uma pequena fortuna - aos dois).

Em nome de sua infinita amizade, força Wang a se comprometer com ele em cumprir a missão de matá-lo, até o dia final do contrato de seguro de vida. Para isso, assina uma carta onde exime o portador de toda a culpa, assumindo sozinho a responsabilidade por seu ato.

Quando Wang desaparece, começa o "desconforto" de Kin-Fo, que aumenta quando ele recebe a notícia de que sua fortuna estava salva, e não perdida. Ele resolve atravessar a China tentando evitar de ser morto por seu até então melhor amigo (mas agora com muito dinheiro para ganhar com sua morte) antes que o contrato expire.

O "desconforto" de Kin-Fo cresce de forma insuportável quando ele recebe uma nota de Wang dizendo não ter reunido coragem para cumprir a promessa feita ao amigo - e passado a carta, e o montante a ser pago quando de sua morte, a um renomado e frio assassino, Lao-Shen.

Este romance, cheio de humor e aventuras, percorre o território chinês no final do século XIX, revelando aspectos culturais, religiosos e geográficos do país mais populoso do planeta.
Verne explora, com a maestria costumeira, os aspectos mais pitorescos e surpreendentes dessa civilização, à época e ainda hoje, bastante desconhecida.

No plano moral, o livro encerra uma lição de amor à Vida : o dinheiro tem um preço certo, mas os valores espirituais do homem - o livre arbítrio, a paz interior, a justiça, o Amor - são imensuráveis.

Crítica escrita por Carlos Patrício, um dos nossos conhecidos colaboradores aqui no blog JVernePt, a quem eu agradeço mais uma vez.

Se pretender comentar esta crítica faça-o aqui. Caso pretenda comentar a obra use a secção correspondente. Qualquer pessoa pode escrever uma crítica para qualquer obra. Para isso leia o tópico 'Críticas das obras'.

domingo, 16 de setembro de 2007

Secção 'Críticas das obras vernianas'

É com agrado que inauguro mais uma secção no nosso blog.

Nesta secção denominada "Críticas das obras" estarão regularmente presente críticas, sejam elas positivas ou negativas, sobre as diversas obras do autor. Estas críticas serão mais que um mero comentário (secção já aberta no blog). Serão opiniões mais desenvolvidas, ou seja, apresentarão descrição de aspectos objectivos que dêem sustentação à opinião do crítico. É de relembrar que uma crítica terá uma perspectiva descritiva (observar o que há de bom e/ou de mau numa obra), como também de avaliação.

Pretende-se com isto que haja no blog uma maior interacção entre os que nos visitam como também incentivar à escrita/leitura. Os nossos visitantes poderão comentar as críticas das obras que já leram e comentar se estão de acordo, ou não, com a opinião do crítico. Caso se apresente uma crítica de uma obra não lida, quem sabe se esta não abrirá o "apetite" para a sua leitura?

Temos neste momento algumas colaborações de críticos, que em breve disponibilizemos, mas também pretendemos que os nossos visitantes colaborem. Para isso enviem as vossas críticas para o email (indiquem a obra a analisar e o vosso nome), que iremos analisá-las e proceder, se assim determinarmos, à sua colocação no blog com o vosso respectivo nome. Com certeza irão ser uma mais valia para todos nós. Além disso, terão a oportunidade de ver o vosso trabalho divulgado na internet.

Espera-se que, com esta nova iniciativa, se fale, se discuta, se analise mais a obra de Verne que tão rica é.

Que seja um sucesso...

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

'The Secret Message of Jules Verne'

A tradução em inglês do livro Jules Verne, initié et initateur de Michel Lamy foi publicada nos Estados Unidos com o título The secret message of Jules Verne.

O livro original que apareceu em França em 2005 pela editora Payot foi agora publicado com uma capa chamativa e um título comercial.

O autor do livro pretende revelar nas suas páginas que Jules Verne, suposto iniciado nas ordens maçónicas e nas sociedades Rosa-cruz, terá uma mensagem secreta em código em algumas das suas obras, em particular na obra Clóvis Dardentor.

Essa mensagem, de acordo com Lamy, apenas descodificada pelos neófitos, revela a chave do mistério que envolve o fabuloso tesouro de Rennes-le-Château.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Programa 'Legendas da Ciência'

Este documentário pertence a um programa chamado "Legendas da Ciência", e a sua proposta é ajudar na compreensão da ciência, assim como as legendas de mapa cartográfico ajudam na compreensão do mesmo. Ajudar a entender a ciência no sentido histórico, cultural e principalmente filosófico.

O documentário foi escrito e narrado pelo filósofo Michel Serres (estudioso de Verne) e produzido por Robert Pansard-Besson.
Neste episódio chamado "Emergir", propõem-se a responder a seguinte pergunta :

"-Quanto e onde surgiu a Ciência?"

Para responder a esta pergunta o autor faz varias comparações. E entre estas, esta uma óptima análise comparativa entre a historia "Da Terra à Lua" de Júlio Verne com a conquista espacial e a explosão do vaivém espacial Challenger.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Revista 'Mundo Verne'

Aí está uma nova e-revista de 16 páginas inteiramente consagrada a Jules Verne.

O seu #1, o primeiro de uma longa série indubitavelmente, acaba de aparecer hoje mesmo. Intitulada "Mundo Verne", e vindo directamente da América Latina, esta quer ser a revista de referência sobre Jules Verne para todos os hispanófonos do mundo... que, digo eu, não deverá ter qualquer dificuldade em tornar-se, tendo em conta a qualidade da sua paginação e o seu conteúdo. Nesta revista e seguintes, haverá reflexões, opiniões, estudos, textos inéditos sobre a obra e vida do escritor.

Felitações ao seu inventor, Ariel Pérez, que reside em Cuba (dono do sítio já consagrado http://jgverne.cmact.com/), bem como os seus outros editores, Cristian Tello e Alvaro Mejia, ambos fãs vernianos.

Champanhe para este primeiro número, e uma longa vida à Mundo Verne!

Endereço da secção do site dedicada à revista:

http://jgverne.cmact.com/Misc/MVActual.htm

Download do número 1:

http://jgverne.cmact.com/Descargas/MV1.pdf

terça-feira, 21 de agosto de 2007

'A Volta ao Mundo de Willy Fog' em DVD

Baseada nas famosas obras de J. Verne, a série televisiva "A Volta ao Mundo de Willy Fog" é uma versão "felpuda", em que os protagonistas são animais, das histórias clássicas do célebre autor de ficção científica sobre a volta ao mundo em 80 dias, as viagens de balão e as jornadas ao centro da Terra.

Esta série, que foi transmitida na RTP e que se tornou um clássico da animação televisiva dos anos 80, chegou recentemente ao mercado de DVD, num disco que contém cinco episódios, nomeadamente "A aposta", "A partida", "Uma viagem acidentada", "À procura de Willy Fog" e "Willy Fog e o fantasma".

Serão 80 dias suficientes para dar a volta ao mundo?
Serão verdadeiras as crónicas de um espeleólogo islandês que diz ter viajado até ao centro da Terra?
Só há uma forma de responder a estas perguntas, isto é, acompanhando o cavalheiresco Willy Fog e os inseparáveis amigos Rogodón, Tico e a sua amada Romy nestas extraordinárias aventuras.

O nosso herói percorrerá os cinco continentes vivendo apaixonadamente aventuras e enfretando todo o tipo de obstáculos. Grutas sinistras, dinossauros selvagens, polvos gigantescos... Não há perigo que Willy Fog não possa superar! Não há mistério que não possa resolver!
Atreve-te a chegar o mais longe nesta aventura, baseada nas famosas obras de Júlio Verne.

Aqui fica a introdução:
alt : http://www.youtube.com/v/wqjXunIkmG4

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Homenagem a Verne em Vigo

Foi esculpida em Vigo (Espanha) no ano de 2005, aquando do centenário da morte do autor, uma estátua de Júlio Verne em bronze.
Infelizmente, apenas há duas semanas tive conhecimento da sua existência e por isso só agora a pude visitar.
Trata-se duma homenagem que a cidade de Vigo realizou a Júlio Verne (no centenário da sua morte), pela referência da baía de Vigo no capítulo VII do seu livro “20.000 léguas submarinas”, como também pela sua passagem na cidade em 1878 e 1884 aquando da viagem de Verne à nossa capital.




Se pretende reproduzir a foto no seu blog/site, por favor cite a fonte.

A estátua, esculpida por José Molares (1961-...), tem 4 metros de largura, 2 de fundo e 1, 75 de altura e representa o escritor francês sentado sobre os tentáculos de uma lula gigante.

Segundo explica o autor, para levar adiante o projecto inspirou-se nas lembranças que tinha de pequeno, "lembrei-me do capitão Nemo e da lula gigante. Por isso decidi sentar o escritor sobre uns tentáculos, dando um maior protagonismo à peça."

Está localizada nos jardins de Montero Ríos, entre o edifício administrativo e o Clube Náutico e foi doada à cidade pela Associação de Mulheres Empresárias de Pontevedra.

Porque não uma homenagem em Lisboa?

Júlio Verne, como disse atrás, visitou o nosso país em 1878 e 1884, tendo feito escala em Vigo nas duas vezes apesar de na segunda vez ter sido exclusivamente devido a uma avaria no seu iate. Estas paragens e a referência da baía de Vigo em “20000 Léguas Submarinas”, valeu-lhe um magnífica homenagem em Vigo mas, e em Lisboa?

Dessas duas visitas à nossa capital, permaneceu em cada uma delas três dias tendo visitado a cidade e jantado com altas celebridades da época.

Além disso são várias as referências a Portugal e aos descobridores portugueses em algumas das suas obras e por isso me pergunto o porquê de ainda não se ter feito nenhuma homenagem ao autor na cidade de Lisboa, cidade que Verne "mostrou a mais perfeita boa vontade"!

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