terça-feira, 31 de julho de 2012

Nemo nos palcos cariocas

A foto mostra o ator Mouhamed Harfouch caracterizado como Capitão Nemo. Ele ensaia a peça teatral ‘‘20.000 léguas submarinas — Algumas aventuras”, uma adaptação da obra de Jules Verne escrita por Fátima Valença.

A estreia será dia 11 de agosto no Teatro Oi Casagrande, no Leblon, Rio de Janeiro (Brasil). No elenco da peça ainda estão Erom Cordeiro, Augusto Madeira e Alexandre Dantas.

Fonte: Patrícia Kogut, jornal O Globo.


sexta-feira, 27 de julho de 2012

'20.000 Léguas Submarinas' pela Editora NEMO

A clássica obra literária 20.000 Léguas Submarinas, de Júlio Verne, será adaptada para os quadrinhos pelos autores João Marcos e Will. A história apresenta o misterioso Capitão Nemo e seu fantástico submarino Náutilus.

A previsão de lançamento é para agosto deste ano, pela brasileira Editora Nemo, que tem feito um trabalho primoroso na publicação de quadrinhos, e que pertence ao grupo Autêntica.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Dia do Escritor


Como eu escrevo?

"Não recomendaria aos outros que procedessem da mesma maneira. Creio que cada qual trabalha a seu modo, sabendo instintivamente qual seria o melhor método. Pois bem: de início estabeleço as grandes linhas do romance. Jamais começo um livro sem saber o começo, meio e fim. Até agora tive a sorte de ter sempre em mente não apenas um, mas uma meia dúzia de projectos bem determinados. Terminando o trabalho preliminar, estabeleço um plano de capítulos, começando então a verdadeira escrita da primeira versão a lápis, deixando uma margem de meia página para as correcções. Depois releio tudo e reescrevo a tinta. Acho que o meu trabalho verdadeiro começa com a primeira colecção de prova, quando não apenas corrijo cada frase, como também reescrevo capítulos inteiros. Parece-me que não domino o tema senão quando vejo o trabalho impresso. Felizmente o meu editor concede-me todo o espaço para as correcções e frequentemente chego a ler oito ou nove provas. Invejo, mas não quero imitar, aqueles que não vêem motivos para modificar ou acrescentar uma só palavra desde o capítulo primeiro até à palavra fim."

Extraído de: COMPERE, Daniel; MARGOT, Jean-Michel.
Entretiens avec Jules Verne, Paris: Editions Slatikine, 1999

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Ponto Nemo, o “meio do oceano” (literalmente)

Quantas vezes já disse "Só me apetece fugir, ficar longe de qualquer pessoa"? Pois bem, esse local existe.

Se algum dia quiser ficar o mais longe possível da civilização (mas sem sair do planeta), anote estas coordenadas: 48°52.6′ sul, 123°23.6′ oeste. Com elas encontrará o Ponto Nemo, o local mais distante de qualquer continente ou ilha.

O nome é uma referência ao Capitão Nemo, do clássico Vinte Mil Léguas Submarinas, que significa ninguém. Levando em conta a infinidade de ilhas que existem espalhadas pelo oceano e os contornos irregulares dos continentes, encontrar o Ponto Nemo foi uma verdadeira façanha, que só foi concretizada em 1992.

Naquele ano, o engenheiro e pesquisador Hrvoje Lukatela usou um programa de computador geospacial que ele mesmo havia criado, o Hipparchus, para localizar o ponto. Depois de muitos cálculos, descobriu que fica no sul do Oceano Pacífico, a 2.688 Km de um grupo de três ilhas (Duci, Motu Nui e Maher).
Por ser tão remoto, provavelmente nunca foi visitado por alguém. Alguém iria?

Fonte: Hypescience.com

domingo, 22 de julho de 2012

O Nautilus de Júlio Verne e as terras da lusofonia

Viagem do Nautilus
O submarino Nautilus das Vinte Mil Léguas Submarinas de Júlio Verne, percorre os oceanos e as costas dos continentes, numa longa viagem que muitos de nós já tivemos oportunidade de acompanhar, pela leitura do famoso livro.
Para mim, com doze anos, foi a descoberta daquilo a que se chama de ficção científica. O pensamento ficcional de antecipação de Júlio Verne, lançar-me-ia depois em viagens ainda mais fantásticas, com Heinlein, Asimov e companhia. Toda a minha vida tenho sido um apaixonado pela ficção científica, e por esse fato muito responsabilizo Júlio Verne.

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É pois com agrado, que revisito a sua leitura fácil e as aventuras dos seus personagens. No caso das Vinte Mil Léguas Submarinas, os personagens principais são quatro: O enigmático capitão Nemo, que comanda o formidável Nautilus; o professor Aronnax, francês e professor no Museu de História Natural de Paris; o jovem Conseil, criado do professor e Ned Land, canadiano e exímio arpoador de baleias.
Aronnax, Conseil e Ned Land encontravam-se no navio Abraham Lincoln, um veleiro a motor, incumbido de perseguir a terrível ameaça dos mares, que todos julgavam ser uma criatura gigante e feroz. Por infelicidade, num despique entre o Nautilus e o Abraham Lincoln, estes três passageiros caem ao mar, ficando perdidos no oceno Pacífico, próximo do Japão, sendo recolhidos a bordo do submarino.
No mapa acima, construído pelo próprio Verne, sublinhei o percurso do Nautilus e enumerei os pontos que queria salientar da viagem.

① CAÍDO AO MAR


A fragata aproximou-se sem ruído, parou a duzentas e quarenta braças do animal e pôs-se à capa. A bordo ninguém respirava. Silêncio profundo reinava no convés. Estávamos a menos de cem passos do foco ardente, cujo brilho ia crescendo e nos deslumbrava os olhos.
Nessa ocasião, encostado ao paiol do castelo da proa, via por baixo de mim Ned Land, agarrado com uma das mãos à gamarra e brandindo com a outra o seu terrível arpão. Vinte pés apenas o separavam do animal imóvel.
De repente, estendeu com força o braço e arremessou o arpão. Ouvi perfeitamente a pancada sonora do ferro que parecia ter batido em corpo duro. A luz elétrica apagou-se de súbito e duas enormes trombas de água caíram sobre a fragata, correndo como uma torrente da proa à ré, derrubando a gente e partindo as amarrações dos mastros.
Houve um abalo medonho e, atirado por cima da amurada, sem tempo para me segurar, caí ao mar.

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No Nautilus, o capitão Nemo obriga os passageiros por ele salvos a prometerem não fugir, mas dá-lhes total liberdade a bordo. Mercê de uma sala do submarino com ampla biblioteca e larga janela vidrada para o fundo do mar, o professor Aronnax fica deslumbrado pela possibilidade de muito aprender viajando dentro do submarino, observando a fauna e a flora marítima. A primeira passagem em terras de fala portuguesa, surge quando a norte da Oceânia, passam pela ilha de Timor.

② TIMOR


(...) o capitão Nemo, tendo chegado ao Mar de Timor, avistara a ilha deste nome aos 122° de longitude. Esta ilha, cuja superfície tem mil seiscentas e vinte e cinco léguas quadradas, é governada por alguns rajás, príncipes que se dizem filhos dos crocodilos, isto é, descendentes da origem mais elevada a que a criatura humana pode aspirar. É por isso que os tais antepassados escamosos enxameiam em todos os rios da ilha e são objeto de particular veneração. Protegem-nos, animam-nos, adulam-nos, sustentam-nos, oferecem--lhes raparigas para pasto, e ai do estrangeiro que ergue mão contra aqueles sacrossantos lagartos!
O Nautilus, porém, nada teve que ver com tão horríveis animais. Timor foi visível apenas um momento, ao meio-dia, enquanto o imediato fazia o ponto, e do mesmo modo vi de relance também essa pequena ilha de Rote, que faz parte do grupo, e cujas mulheres gozam de uma reputação de beleza muito apreciada nos mercados malaios.

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Como se pode ver pelo percurso marcado no mapa, o Nautilus contorna a Índia e dirige-se ao Golfo Pérsico. Os involutários passageiros Ned Land, professor Aronnax e Conseil, não sabiam para onde o Nautilus os levava. Durante a conversa mencionam Moçambique.

③ MOÇAMBIQUE


No dia seguinte, 30 de Janeiro, quando o Nautilus voltou à superfície do oceano, não se avistava terra. Navegava para nor-noroeste e dirigia-se para o mar de Oman, que corre entre a Arábia e a península indiana, onde desemboca o golfo Pérsico.
Evidentemente, não havia saída possível. Para onde nos levava, pois, o capitão Nemo? Não sabia, e o caso também não agradou muito ao canadiano, que naquele dia me perguntou para onde íamos.
— Vamos, mestre Ned, para onde nos levar a fantasia do capitão.


Submarino Nautilus [versão Disney]
— Não pode levar-nos para longe — replicou o canadiano. O golfo Pérsico não tem saída, e se lá entrarmos não tardaremos em retroceder.
— Nesse caso retrocederemos, e se, depois do golfo Pérsico, o Nautilus quiser visitar o mar Vermelho, lá está o estreito de Babel-Mândebe para passarmos.
— Não lhe dou novidade nenhuma, senhor — respondeu Ned Land, dizendo que o mar Vermelho é igualmente fechado como o golfo, visto que ainda não se rompeu o istmo de Suez, e ainda que essa obra estivesse concluída, um barco misterioso como o nosso não se arriscaria aos azares daqueles canais, onde abundam as represas. Por conseguinte, ainda não é pelo mar Vermelho que havemos de voltar à Europa.
— Eu não disse que voltaríamos à Europa.
— Que supõe então o senhor?
— Suponho que, depois de ter percorrido as curiosas paragens da Arábia e do Egito, o Nautilus percorrerá outra vez o oceano Indico, talvez pelo canal de Moçambique, ao largo das Mascarenhas, de modo que ganhemos o cabo da Boa Esperança.
— E uma vez no cabo da Boa Esperança? Perguntou o canadiano, com insistência muito pronunciada.
— Penetraremos nesse Atlântico que ainda não conhecemos. O amigo Ned parece aborrecer-se desta viagem submarina e ligar pouca ou nenhuma importância ao espetáculo incessantemente variado das maravilhas que por aqui se observam, quando eu sentiria muito que se terminasse esta viagem que bem poucos homens têm feito.

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As costas portuguesas são visitadas pelo Nautilus. Ned Land queria aproveitar para fugir.

④ PORTUGAL


Uma vez fora do estreito de Gibraltar, o Nautilus fizera-se ao largo. Voltou à superfície das ondas, e assim nos foram restituídos os passeios quotidianos na plataforma.
Subi imediatamente, acompanhado de Conseil. À distancia de doze milhas avistava-se vagamente o cabo de S. Vicente, que forma a parte sudoeste da península ibérica. Soprava sul forte. O mar estava grosso e de vagas, imprimindo balanços violentos ao Nautilus. Era quase impossível estar na plataforma, batida de contínuo por vagalhões enormes. Descemos, pois, aspirando antes algumas baforadas.
Dirigi-me ao meu quarto e Conseil recolheu-se ao seu camarim; mas o canadiano, muito preocupado, seguiu-me. A nossa rápida viagem pelo Mediterrâneo não lhe permitira pôr em execução o seu plano. e ele não era homem que dissimulasse o descontentamento.
Fechada a porta do meu quarto, sentou-se e olhou-me em silêncio.
— Amigo Ned — disse-lhe eu —, compreendo, mas o senhor não tem coisa alguma a propôr-me. Nas condições em que o Nautilus navegava, pensar em fugir seria loucura!
Ned Land não respondeu. Os lábios cerrados, as sobrancelhas encrespadas, indicavam nele a violenta obsessão de uma ideia fixa.
— Vamos — continuei eu — não há ainda motivo para desesperar. Seguimos pela costa de Portugal; não longe ficam a França, a Inglaterra, onde facilmente encontraríamos refúgio. Se o Nautilus ao sair do estreito de Gibraltar, fizesse caminho para o sul, se nos arrastasse para essas regiões onde não há países, também eu me inquietaria. Como, se vê porém, o capitão Nemo não evita os mares civilizados, e creio que dentro em poucos dias poderá o senhor proceder com alguma segurança.
Ned Land olhou-me ainda mais fixamente e, descerrando os lábios, disse:
— É para esta noite.
Ergui-me subitamente. Confesso que estava pouco preparado para aquela comunicação; queria responder, mas faltavam-me as palavras.
Neste momento um silvo bastante forte deu-me a conhecer que os reservatórios se enchiam, e o Nautilus mergulhou nas ondas do Atlântico.
Fiquei no meu quarto. Não me queria encontrar com o capitão para lhe ocultar a emoção que me dominava. Triste dia o que eu passei entre o desejo de recuperar o meu livre arbítrio e o pesar de abandonar aquele maravilhoso Nautilus deixando incompletos os meus estudos submarinos! Apartar-me assim daquele oceano, o «meu Atlântico», como eu lhe chamava, sem lhe ter observado as últimas camadas, sem ter perscrutado os segredos que os mares das Índias e o Pacífico me tinham revelado! Caía-me o romance das mãos desde o primeiro volume, interrompia-se-me o conto na parte mais interessante! Que tristes horas decorreram assim, ora vendo-me em segurança em terra com os meus companheiros, ora suspirando, a despeito da minha razão, por que qualquer circunstância imprevista obstasse à realização dos projetos de Ned Land.
Duas vezes cheguei até à sala. Queria consultar a agulha, queria ver se a direção do Nautilus nos aproximava efetivamente ou nos afastava da costa. Mas não, o Nautilus continuava nas águas portuguesas. Tinha a proa ao norte, seguindo ao longo das praias do oceano.
Tornava-se, pois, preciso tomar uma resolução e tratar de fugir. A minha bagagem não era pesada; consistia nos meus apontamentos e nada mais.

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Conjuntamente com as Canárias, Cabo Verde, Madeira e Açores são mencionados a propósito da Atlântida.

⑤ CABO VERDE, MADEIRA E AÇORES


O historiador que consignou nos seus escritos os altos feitos daqueles tempos heroicos foi o próprio Platão. O seu diálogo de Timeu e de Crítias foi, por assim dizer, traçado sob a inspiração de Sólon, poeta e legislador.
Um dia, Sólon conversava com alguns sábios velhos de Sais, cidade que já contava oitocentos anos, como o atestavam os anais gravados no muro sagrado dos templos. Um daqueles anciãos contou a história de uma outra cidade mil anos mais antiga. Esta primeira cidade ateniense, com mais de novecentos séculos, tinha sido invadida e em parte destruída pelos Atlantes. Estes povos, dizia ele, ocupavam um continente imenso, maior que a África e a Ásia juntas, que cobria uma superfície compreendida do duodécimo grau de latitude até ao quadragésimo grau norte. O seu domínio estendia-se até ao Egito. Quiseram impor-se à Grécia, mas tiveram de retirar-se ante a indomável resistência dos Helenos. Passaram-se séculos. Houve um cataclismo, inundações, terramotos. Uma noite e um dia bastaram para o aniquilamento daquela Atlântida, cujos vértices mais altos, a Madeira, os Açores, as Canárias e as ilhas de Cabo Verde, estão ainda a descoberto.

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A passagem pelo grande país que é o Brasil, não poderia deixar de ser referenciada no livro, bem como o gigante rio Amazonas.

⑥ BRASIL


Esta rapidez durou alguns dias, e a 9 de Abril, à noite, avistávamos a ponta mais oriental da América do Sul, que forma o cabo de S. Roque. O Nautilus afastou-se então de novo e foi procurar a maiores profundidades um vale submarino, que se abre entre este cabo e a Serra Leoa, na costa africana. O vale bifurca-se à altura das Antilhas e termina ao norte por uma enorme depressão de nove mil metros. Neste sítio o cone geológico do oceano figura até às Pequenas Antilhas uma penedia de seis quilómetros, talhada a pique, e nas alturas das ilhas de Cabo Verde uma outra muralha não menos considerável, que assim fecham todo o continente imerso da Atlântida. O fundo deste vale imenso é acidentado por algumas montanhas, que produzem panoramas muito pitorescos. Falo delas em virtude dos mapas manuscritos que havia na biblioteca do Nautilus, mapas devidos por certo ao punho do capitão Nemo e levantados à custa de observações pessoais.
Durante dois dias, aquelas águas desertas e profundas foram visitadas por meio dos planos inclinados. O Nautilus dava compridas guinadas diagonais, que o levavam a todas as alturas. Mas a 11 de Abril subiu subitamente e apareceu-nos terra à frente do rio Amazonas, vasto estuário, cuja corrente é tão considerável que tira o sal à água no espaço de algumas léguas.
Estava passado o equador. A vinte milhas a oeste ficavam as Guianas, terra francesa onde teríamos encontrado refúgio fácil; mas o vento soprava com bastante força e as ondas furiosas não consentiriam que uma simples canoa as afrontasse. Ned Land compreendeu-o sem dúvida, porque não me falou de coisa alguma. Pela minha parte, também não aludi aos seus projetos de fuga, por não querer levá-lo a qualquer tentativa que abortaria infalivelmente.
Assim se passaram dez dias. Só no 1º de Maio é que o Nautilus retomou com decisão a sua rota para norte, depois de ter avistado as Lucaias na confluência do canal de Bahama.
Seguíamos então a corrente do maior rio do mundo, que tem margens, temperatura e peixes especiais. Dei-lhe o nome de Gulf Stream.
É de facto um rio, que corre no meio do Atlântico, e cujas águas se não confundem com as águas oceânicas. É um rio salgado, mais salgado que o mar ambiente. A sua profundidade média é de três mil pés, e a largura média de sessenta milhas. Em certos sinos, a sua corrente caminha com uma velocidade de quatro quilómetros por hora. O volume invariável das suas águas é mais considerável que o de todos os rios do mundo.
A verdadeira origem da Gulf Stream, reconhecida pelo comandante Maury, o seu ponto de partida, se assim querem, fica no golfo da Gasconha. Ali se começam a formar as suas águas, ainda fracas em temperatura e em cor. Desce para o sul, costeia a África equatorial, aquece as ondas sob os raios da zona tórrida, atravessa o Atlântico; toca no cabo de S. Roque, na costa do Brasil, e bifurca--se em dois ramos, um dos quais vai saturar-se ainda com as cálidas moléculas do mar das Antilhas. Então, o Gulf Stream, encarregado de restabelecer o equilíbrio entre as temperaturas e de misturar as águas dos trópicos com as águas boreais, começa o seu papel de ponderador. Aquecido até ao branco no golfo do México, sobe para norte pelas costas americanas, avança até à Terra Nova, deriva sob o impulso da corrente fria do estreito de Davis, retoma o caminho do oceano, seguindo por uns dos círculos máximos do globo da linha loxodrómica [ver Pedro Nunes], divide-se em dois braços pelo quadragésimo terceiro grau, um dos quais, ajudado pela monção do nordeste, volta ao golfo da Gasconha e aos Açores, enquanto o outro, depois de ter tornado tépidas as praias da Irlanda e da Noruega, vai até além de Spitzberg, onde a sua temperatura desce a quatro graus, formando o mar livre do pólo.
Era neste rio do oceano que o Nautilus navegava então. A sua saída do canal de Bahama, sobre catorze léguas de largo e trezentos e cinquenta metros de profundidade, o Gulf Stream corre na razão de oito quilómetros por hora. Aquela rapidez decresce regularmente à medida que se adianta para o norte, e bom é que esta regularidade persista, porque, como se há notado, a velocidade e a direção vierem a modificar-se, os climas europeus ficarão sujeitos a perturbações cujas consequências não se poderiam calcular.
Pelo meio-dia, estava eu na plataforma com Conseil. Ensinava--lhe as particularidades relativas ao Gulf Stream; quando concluí a minha explicação, convidei-o a meter a mão na corrente.
Conseil obedeceu e ficou muito admirado de não experimentar sensação alguma, nem de calor nem de frio.
— Isto procede — disse-lhe eu — de que a temperatura das águas do Gulf Stream, ao saírem do golfo do México, pouco difere da do sangue. O Gulf Stream é um vasto calorífero, que permite às costas da Europa adornarem-se com verdura constante; e a acreditar em Maury, o calor desta corrente, totalmente utilizado, forneceria calor bastante para conservar em fusão um rio de ferro fundido tão grande como o Amazonas ou o Missuri.
Nesta ocasião a velocidade de Gulf Stream era de duzentos metros e vinte e cinco por segundo. A sua corrente é de tal maneira distinta do mar circunjacente, que as águas comprimidas irrompem sobre o oceano e opera-se um desnivelamento entre elas e as águas frias. Escuras, além disso, e muito abundantes em matérias salinas, sobressaem, pelo seu índigo puro, das águas verdes que as rodeiam. Tal é a nitidez da sua demarcação, que o Nautilus na altura das Carolinas, rasgava com o esporão as ondas do Gulf Stream, enquanto a hélice batia ainda as do oceano.
Esta corrente arrastava consigo um mundo inteiro de seres vivos. Os argonautas, tão comuns no Mediterrâneo, viajavam em cardumes numerosos. Entre os cartilaginosos, os mais notáveis eram as raias, cuja cauda muito delicada formava cerca de um terço do corpo, e que figuram vastos losangos de vinte e cinco pés de comprimento.

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É dramática a saída dos passageiros do Nautilus, apanhados por um grande redemoinho, o Maelstrom. Felizmente, um pouco depois, no fim do livro, tudo acaba bem. Verne apreciava, como todos nós, finais felizes.

⑦ MAELSTROM


— Maelstrom! Maelstrom! Gritavam.
O Maelstrom! Na nossa situação podia soar-nos aos ouvidos palavra mais terrível? Achávamo-nos nessas paragens perigosas da costa norueguesa?
Era o Nautilus arrastado para aquele sorvedouro na ocasião em que a lancha se desprendia? Sabe-se que ao tempo do fluxo, as águas apertadas entre as ilhas Feroe e Loffoden são precipitadas com violência irresistível, Formam um redemoinho de que nunca pôde sair navio algum. De todos os pontos do horizonte acorrem vagalhões monstruosos. Produzem esse sorvedouro chamado com razão o Umbigo do oceano, cujo poder de atração se estende até a uma distância de quinze quilómetros. Ali são aspirados não só os navios, como também as baleias e os ursos-brancos das regiões boreais.
O Nautilus tinha sido para ali levado pelo seu capitão, involuntária ou voluntariamente talvez. Descrevia uma espiral, cujo raio ia diminuindo pouco a pouco. Como ele, a lancha, ainda presa, era arrastada com uma velocidade vertiginosa. Sentia-o. Experimentava esse estonteamento nada cómodo que sucede a um movimento giratório muito prolongado. Estávamos no espanto, no horror levado ao seu auge, com a circulação suspensa, a influência nervosa aniquilada, repassados de suores frios como os da agonia. E que estrondo em torno da nossa frágil canoa. Que rugidos que o eco repetia a distância de algumas milhas! Que ruído aquele das águas despedaçadas nas rochas agudas do fundo, onde os corpos mais duros se laceram, onde os troncos das árvores se gastam!
Que situação! Éramos sacudidos horrivelmente. O Nautilus defendia-se como um ser humano; estalavam-lhe os membros de aço; algumas vezes endireitava-se repentinamente, e nós com ele.
— É preciso cuidado — disse Ned Land, e tornar a aparafusar as porcas. Continuando presos ao Nautilus, ainda poderemos salvar-nos.
Não tinha acabado de falar quando se ouviu um estalido violento.
As porcas quebravam e a lancha, arrancada do seu alvéolo, era atirada, como a pedra de uma funda, ao meio do turbilhão.
Bati com a cabeça num ferro e com o choque perdi os sentidos.

Artigo escrito e cedido gentilmente por Ricardo Esteves do blogue Crónicas Portuguesas (www.cronicas-portuguesas.blogspot.pt).

quinta-feira, 19 de julho de 2012

'Cinco Semanas em Balão' na coleção 11x17

Depois do sucesso dos anteriores romances, a editora portuguesa  11x17 acaba de anunciar o lançamento de mais uma obra de J. Verne na sua coleção de livros de bolso. Desta vez, chega-nos o primeiro romance de J. Verne, Cinco Semanas em Balão.

Sinopse: Na época dourada das grandes explorações ao continente africano, o Dr. Samuel Fergusson dispõe-se a fazer a viagem mais arrojada de todas: atravessar a África, de leste a oeste, num balão. Acompanhado pelo jovem Joe Wilson, o seu fiel criado, e pelo seu amigo de longa data Dick Kennedy, um intrépido e bravo caçador escocês, partem da ilha de Zanzibar a bordo do Victoria, um aeróstato especialmente concebido por Fergusson para a ocasião.
Aventurando-se por territórios desconhecidos, a coragem dos três amigos é constantemente posta à prova perante os inúmeros perigos com que se vão deparando. Desde nativos aguerridos a animais ferozes nunca antes vistos por olhos europeus, passando por paisagens desoladoras e por outras fabulosas, somos levados numa aventura fantástica como só a prodigiosa mente de Júlio Verne poderia criar.

Trata-se do 6º livro do autor editado na colecção depois de A Volta ao Mundo em 80 diasViagem ao Centro da TerraVinte Mil Léguas Submarinas, Da Terra à Lua e À Volta da Lua.

'20.000 Léguas Submarinas' em versão gay

De acordo com a fonte Ultimosegundo.ig.com.br, o sucesso da trilogia erótica "Cinquenta Tons de Cinza" ("Fifty Shades of Grey"), da escritora inglesa E.L. James, inspirou a editora britânica Total-E-Bound Publishing a reimaginar clássicos da literatura por um viés sexual. A ideia é mostrar o sexo implícito em livros como "Orgulho e Preconceito", "Jane Eyre" e até "Um Estudo de Vermelho", de Conan Doyle, no qual o detetive Sherlock Holmes e seu fiel amigo, John Watson, irão manter uma relação homossexual.

"Você não acha mesmo que aqueles personagens adoráveis só seguravam as mãos e davam beliscões na bochecha, não é?", diz o material de divulgação. "Venha conosco enquanto embarcamos numa experiência de tirar o fôlego, por trás das portas dos quartos de nossos personagens favoritos. (...) Mostraremos as cenas que você sempre quis ver, mas nunca pôde."

"A Abadia de Northanger", de Jane Austen, e "20,000 Léguas Submarinas", de Júlio Verne, também serão relançados – o último, aliás, também será voltado para o público gay. A editora promete não economizar nos detalhes e cenas picantes.

"Estamos mantendo a prosa original e a voz do autor... Mas queremos aprimorar os romances adicionando as cenas 'que faltavam' para os leitores", disse ao jornal The Independent Claire Siemaszkiewicz, responsável pelo selo Clandestine Classics. "As pessoas vão ou amar ou odiar. Mas estamos 100% convencidos de que há um mercado para isso."

Prevista para chegar ao Brasil em agosto, a trilogia "Cinquenta Tons de Cinza" ocupa atualmente as três primeiras posições da lista de mais vendidos do The New York Times. Apelidado de "pornô para mamães", o livro já vendeu mais de 10 milhões de exemplares ao revelar as intimidades de um casal que vive um romance tórrido, recheado de cenas de sexo e sadomasoquismo.

O livro será lançado em inglês a 30 de Julho no formato e-book com um custo de $2.94.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Book.it com edições para os mais jovens

Depois da BookIt.pt ter lançado, em 2008, a coleção "Clássicos da Literatura Júnior" com uma tradução "mais acessível" para os jovens leitores, onde encontramos as obras "A Volta ao Mundo em 80 dias" e "Viagem ao Centro da Terra",...


 ...chega-nos agora, através da editora Zero a Oito, a coleção "Os meus Clássicos"com algumas das obras mais marcantes da literatura internacional, adequada para os mais novos, onde se encontra, de forma bastante resumida (36 págs), a obra "A Volta ao Mundo em 80 dias".


Ilustrados por 3 das melhores ilustradoras portugueses, é uma coleção obrigatória e imperdível, e a melhor forma de apresentar a literatura mundial aos leitores mais jovens e curiosos.

Cada livro tem um preço de €4.99.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

'Around the World... ' - Itália (Veneza, Pisa, Florença e Roma) e Vaticano

Desde 2008, aquando da sua volta ao Mundo em pouco mais de 80 dias, que o nosso livro tem visitado outros países e locais que não entraram no trajeto dessa sua viagem.

Desta vez, chegou a oportunidade do livro visitar Itália, onde visitou belas cidades como Veneza, Pisa, Florença, San Gimignamo, Siena, Assis e Roma, como também o menor estado do Mundo, a Cidade do Vaticano.

Veneza, classificada como Património da Humanidade pela UNESCO, é a cidade das gôndulas, dos canais e do amor, com um passado e um espólio riquíssimos. Dos muitos monumentos e locais turísticos existentes nesta pérola do Adriático, destacam-se a imponente Basílica de São Marcos, na adjacente Praça de São Marcos, e a famosa Ponte de Rialto sobre o Grande Canal, construída em 1588, de onde foi tirada a seguinte foto:


A Praça de São Marcos é a única praça de Veneza, e o seu principal destino turístico, com permanente abundância de fotógrafos, turistas e pombos. O espaço aberto está dominada pelo Basílica de São Marcos, o Palácio Ducal de Veneza e o Campanário da Basílica que se ergue a um lado da praça.

A Basílica de São Marcos é a mais famosa das igrejas da cidade e combina os estilos arquiteturais e decorativos do Ocidente e Oriente, sendo um dos mais belos edifícios da Europa.


Ao lado, está o Campanário de São Marcos com 98,6 m de altura. Este, de cuja construção inicial do século IX nada resta hoje, tem a forma atual desde 1514. A torre que se observa hoje é uma reconstrução terminada em 1912 depois do colapso ocorrido em 1902 devido a um sismo.


O Palácio Ducal, também conhecido como Palácio dos Doges, é um símbolo da cidade e uma obra-prima do gótico veneziano. O palácio atual foi construído entre 1309 e 1424 e foi a antiga sede do Doge de Veneza (dirigente máximo da República de Veneza) como também o Palácio da Justiça. Numa das suas celas esteve prisioneiro Casanova, escritor e aventureiro italiano, que fugiu em 1755 através de um buraco no telhado.


Do lado esquerdo na Praça de São Marcos, mesmo ao lado da Basílica, situa-se a famosa Torre do Relógio. O relógio é um belo e fantástico monumento localizado por cima da porta de entrada. O aparelho mecânico indica as estações do ano, as horas e as fases da Lua, sendo que predominam as cores azul e dourado. No topo da torre encontra-se o símbolo da cidade, o leão alado. As horas são dadas por duas grandes estátuas de bronze, que indicam as horas batendo no sino entre eles.


Saindo de Veneza e chegando a Pisa, na célebre Piazza dei Miracoli ou Campo dos Milagres, declarada Património da Humanidade, encontram-se os monumentos mais importantes da cidade como a Catedral, o Baptistério e a célebre Torre Sineira (Campanile) que, iniciada em 1173 num subsolo arenoso, começou a inclinar antes do terceiro piso estar terminado:


A Catedral de Pisa é dedicada à Virgem Maria e foi finalizada em 1118. Em 1595 a catedral incendiou, sendo em seguida restaurada e reformada, recebendo portas de bronze, criadas pela oficina de Giambologna.

Entre as obras medievais que sobreviveram ao incêndio estão: o grande mosaico no interior da cúpula da abside, figurando o Cristo Pantocrator entre a Virgem e São João Evangelista, e um notável púlpito gótico de Giovanni Pisano:



O Batistério, dedicado a São João Batista, é coberto por uma cúpula, com 54,86 m de altura e uma circunferência de 107,24m, sendo a maior construção em seu gênero em toda a Itália.


O seu interior é quase desprovido de ornamentos, salvo uma fonte octogonal, que possui uma estátua de São João Batista. A acústica do local é especialmente curiosa, gerando ecos que se prolongam por vários segundos.


O nosso livro ainda passou por Florença, considerada o berço do Renascimento italiano e uma das cidades mais belas do mundo.

Escritores como Dante, Petrarca e Maquiavel contribuíram para a sua herança literária e as pinturas e esculturas de artistas como Botticelli, Miguel Ângelo e Donatello elevam a cidade a uma das maiores capitais artísticas do Mundo.

A Piazza della Signoria é o coração da vida social da cidade com a sede do poder civil no Palácio Vecchio.


Na praça encontram-se a Fonte de Neptuno cuja figura, feita em mármore, era uma alusão ao domínio marítimo de Florença; a mais reverenciada escultura de Cellini em bronze de Perseu segurando a cabeça da Medusa que, na mitologia grega, era um monstro que quem olhasse diretamente para ela era transformado em pedra; as Estátuas de Donatello, cujas cópias substituíram as originais devido ao seu alto valor, e que inspirava os governantes das cidades que chegavam até ao Palácio Vecchio.




Encontra-se ao sul da praça, a Catedral Santa Maria del Fiore. Notabilizada pela sua monumental cúpula e pelo Campanário, de Giotto, é uma das obras da arte gótica e da primeira renascença italiana, registo da riqueza e do poder da capital da Toscana nos séculos XIII e XIV. O seu nome (cuja tradução é Santa Maria da Flor) parece referir-se ao lilium, símbolo de Florença, mas um documento do Século XV, por outro lado, informa que “flor” refere-se a Cristo.



A poucas dezenas de metros, a Ponte Vecchio, uma ponte em arco medieval sobre o Rio Arno, muito famosa por ter tido uma quantidade de lojas (principalmente ourivesarias e joalharias) ao longo de todo o tabuleiro, sempre com a autorização da autoridade municipal de então. Diz-se que a palavra bancarrota teve ali origem. Quando um mercador não conseguia pagar as dívidas, a mesa (banco) era quebrada (rotto) pelos soldados. Essa prática era chamada bancorotto.


Durante a Segunda Guerra Mundial, a ponte não foi danificada pelos alemães. Acredita-se que tenha sido uma ordem direta de Hitler.

O nosso livro ainda passou por San Gimignamo, muita famosa principalmente pela sua arquitetura medieval especialmente as suas torres que indicavam quais as famílias mais endinheiradas da cidade. O centro histórico é Património da Humanidade pela UNESCO.

Em baixo, uma foto com vista especial para a torre mais alta da cidade:


A sua penúltima paragem antes do seu destino final fez-se em Siena, uma cidade toscana medieval universalmente conhecida pelo seu património artístico e pela notável unidade estilística do seu centro histórico, também classificado pela UNESCO como Património da Humanidade.

Aqui, uma vista da Basílica de San Domenico, onde se encontra a cabeça da padroeira da cidade, Santa Catarina.


A praça principal, em forma de meia-lua, é a Piazza del Campo, e é onde se encontra o Palácio Pubblico (câmara municipal ou prefeitura, século XIV), com a famosa Torre del Mangia.


A Catedral de Siena, construída entre 1215 e 1263, é uma das mais espetaculares de Itália juntamente com a sua torre de sinos.


O exterior e o interior são feitos de mármore preto e branco, as cores simbólicas de Siena, derivadas dos lendários cavalos dos fundadores da cidade, Senius e Aschius.



Dentro, encontra-se também a Biblioteca Piccolomini que contém preciosas iluminuras e afrescos, provavelmente baseados em projetos de Rafael. O efeito visual dos afrescos, que contam a história do Cardeal Enea Silvio Piccolomini, que se tornou o Papa Pio II, é impressionante. No meio está uma famosa estátua chamada A Três Graças, provavelmente uma cópia romana da estátua grega original.


O livro ainda passou por Assis, outra cidade medieval. É famosa por ter sido o local de nascimento de São Francisco de Assis, que lá fundou a Ordem dos Franciscanos em 1208, e de Santa Clara de Assis, fundadora da Ordem das Clarissas.


A Basílica de São Francisco de Assis, onde o santo se encontra sepultado, é um edifício classificado pela UNESCO como Património Mundial.


Conhecida internacionalmente como A Cidade Eterna pela sua história milenar, Roma, a capital de Itália, espalha-se pelas margens do rio Tibre, compreendendo o seu centro histórico com as suas sete colinas. Segundo o mito romano, a cidade foi fundada por volta do ano 753 a.C. por Rómulo e Remo, dois irmãos criados por uma loba, que são atualmente símbolos da cidade.

A Basílica de São João de Latrão, localizada na praça de mesmo nome em Roma, é a Catedral do Bispo de Roma: o Papa. É considerada a "mãe" de todas as igrejas do mundo.

Como catedral da Diocese de Roma, contém o trono papal, o que a coloca acima de todas as igrejas do mundo, inclusive da Basílica de São Pedro.


Facilmente visível da maior parte de Roma, devido à sua grandeza e cor chamando muito à atenção no meio dos edifícios marrons que o rodeiam, é o Monumento Nazionale a Vittorio Emanuele II em honra a Vítor Emanuel II da Itália, primeiro rei da Itália unificada e considerado o pai da pátria italiana.



O monumento é controverso desde sua construção pois significou destruir uma grande área do Monte Capitolino, a qual guardava vestígios medievais no local. A construção em si é frequentemente considerada pomposa e demasiado grande. Devido a esses factos, os estrangeiros por vezes referem-se a este monumento como "bolo de casamento", e os romanos apelidaram-no de "máquina de escrever".

Como curiosidade, o monumento apareceu no filme The Core (Pt: Detonação, Br: O Núcleo), de 2003, desabando devido a raios de luz.

No Monumento a Victor Manuel II encontra-se também a tumba ao soldado desconhecido construída após Segunda Guerra Mundial.


A mais famosa praça da Roma barroca encontra-se no local do antigo Estádio de Domiciano. No entanto, a verdadeira atração turística da praça são as suas fontes, entre elas, a Fonte do Mouro que aqui podemos ver.


A cena representa um muçulmano, ou africano, em pé sobre uma concha, lutando com um golfinho e cercado por quatro tritões. É colocado num banho de mármore rosa.
Também como curiosidade, a praça aparece na obra Anjos e Demónios de Dan Brown como também no filme de Ron Howard.

Se não é a mais bela, é certamente a mais célebre fonte de Roma. A sua magnífica concepção, a disposição cenográfica do conjunto, a sóbria e grandiosa beleza dos mármores esculpidos, transformam a Fonte de Trevi numa verdadeira obra-prima tanto escultórica como arquitectónica.


O Vaticano ou Cidade do Vaticano, é a sede da Igreja Católica e uma cidade-estado soberana cujo território consiste de um enclave murado dentro da cidade de Roma. É o menor Estado do mundo, tanto por população quanto por área.

Quase todos os visitantes que chegam ao Estado do Vaticano visitam primeiro a Praça de São Pedro, uma das melhores criações de Bernini, que o romancista francês Stendhal chamou "a arte da perfeição".

Aqui, o Papa celebra Missa Pontifícia nas maiores festas da Igreja. 140 estátuas - santos e mártires, papas e fundadores de ordens religiosas - saúdam os peregrinos da balaustrada das colunas.


Em plena praça há dois marcos no chão denominados Centro del Colonnato (o centro da colunata), um na ala direita e outro na esquerda.


O que é isto significa? Se estivermos noutro qualquer outro ponto da praça, e olhamos em direção à colunata, vemos várias colunas, formando a colunata, umas na frente, outras atrás. No entanto, se nos colocamos exatamente sobre o Centro del Colonnato e olhamos para a ala da colunata correspondente, a visão se transfigura e temos somente vemos uma fileira de colunas fazendo com que a perspectiva e a geometria sejam os responsáveis por este “milagre”, fazendo desaparecer as demais colunas diante dos nossos olhos!


A Basílica de São Pedro é a maior igreja do cristianismo e um dos locais cristãos mais visitados do Mundo.

Na primeira capela da alameda do lado direito, encontra-se a Pieta (em português Piedade) de Michelangelo, uma das mais famosas esculturas feitas pelo artista. Representa Jesus morto nos braços da Virgem Maria.


Debaixo do altar conservam-se, desde 2 de maio de 2011, e com a inscrição «BEATVS IOANNES PAVLVS PP. II» sob uma mesa de mármore, os restos do Santo Papa João Paulo II.


Na nave principal da Basílica encontra-se o Baldaquino com quase 30 metros. Trata-se de um altar papal sobre o túmulo do Apóstolo São Pedro, recordando as palavras de Jesus Cristo: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja".


Rumo ao exterior, o livro ainda passou pelos riquíssimos corredores da Basílica e outros locais que também merecem destaque:




Depois de Cristo Redentor, o nosso livro visita mais uma Maravilha do Mundo Moderno, o Coliseu de Roma.

Para quem não conhece, o Coliseu é um anfiteatro de 48 metros construído no período da Roma Antiga que originalmente era capaz de abrigar perto de 50 000 pessoas.


O Coliseu era usado para variados espetáculos como combates de gladiadores, lutas de animais, execuções, batalhas navais, caçadas e outros divertimentos numa escala sem precedentes.


E assim termina mais uma viagem do nosso livro!
Até breve!

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