terça-feira, 29 de março de 2011

Mostra de obras vernianas em Matosinhos

Está patente na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, Matosinhos (Portugal), uma mostra de obras de Júlio Verne, da colecção "Viagens Maravilhosas" editadas por David Corazzi e Companhia Nacional Editora, 1886-1889.
Encontra-se no segundo piso da biblioteca. Entrada livre.


Fonte: Facebook Biblioteca Florbela Espanca

domingo, 27 de março de 2011

12º episódio de '50 por 1' - A volta ao Mundo em 80 dias

No sábado, Álvaro Garnero e o jornalista José Ramalho irão embarcar em mais uma aventura inusitada no programa 50 por 1. Desta vez, a dupla, já no Japão, conhecerá as tradições das artes marciais, da cultura local e do vestuário dos famosos samurais.

Após deixarem Tóquio, Álvaro e Ramalho viajam até Nagano – região central do país. Por lá, eles conhecem os macacos da neve, famosos por se banharem em águas termais. Ainda no Japão, a dupla passa por Kobe e provam a carne mais exclusiva do mundo, o Kobe Beef, e também fizeram uma aula de sumo. "Só mesmo fazendo para se entender a reverência dos japoneses a essa arte", afirma Álvaro Garnero após uma cansativa aula.



Não se esqueça de visitar o blog do nosso viajante à volta do Mundo, Álvaro Garnero, e do seu companheiro de viagem, José Ramalho.

Texto e vídeo: R7

sábado, 26 de março de 2011

Uma Viagem Extraordinária... com Rick Wakeman

Começo com saudações cordiais aos estimados leitores deste blogue. Hoje vou divulgar uma peça musical que descobri na semana passada e tem vindo a adquirir uma importância fundamental na minha vida neste últimos dias. Emocionalmente tem muito poder e conjuga a essência resplandecente de uma das maiores obras vernianas com uma extraordinária qualidade de construção musical.

Como o título indica, trata-se da peça Journey to the Centre of the Earth, interpretada pelo magnânimo teclista inglês Rick Wakeman. O álbum, Journey to the Centre of the Earth, do qual faz parte a música a que me refiro, trata-se de um dos mais prestigiados sucessos da sua carreira a solo e data do ano de 1974.


Rick Wakeman

Richard Wakeman nasceu em Londres, no dia 18 de Maio. A sua excelente formação musical, de feição clássica, conferiu-lhe uma espectacular técnica de teclado. Wakeman revelou-se desde cedo um autêntico virtuoso do piano, ao órgão, ao clavicórdio, diferentes modelos de sintetizadores e a todo o tipo de instrumentos musicais que envolvam teclas.

Este vulto do mundo das teclas foi um dos fundadores do Rock Progressivo e do Rock Sinfónico. Pioneiro no uso de teclados electrónicos, Wakeman revolucionou a música rock para teclado e coloriu a música das últimas décadas do século XX com as suas inovações fantásticas.

Corria o ano de 1970 quando Rick Wakeman se tornou mundialmente célebre, como teclista da banda The Strawbs. Nos anos seguintes, integrou a banda Yes, mas devido às suas relações tempestuosas com os restantes membros do grupo, a sua presença na banda foi muito intermitente. Wakeman desenvolveu uma extensa carreira a solo, associando-se frequentemente a outras figuras da música rock. Elton John, Alice Cooper e Lou Reed são apenas alguns dos nomes do rock e da música alternativa com as quais Rick Wakeman trabalhou.

Considerado por muitos o teclista mais dotado do rock, Wakeman apresenta uma extensa discografia, com uma infinidade de títulos nos quais aborda os mais variados temas, com especial incidência nos mitos e lendas britânicas, episódios da História de Inglaterra e assuntos ligados à temática da astronomia, a magia do cosmos.

 Rick Wakeman em plena actividade musical: a transcendência da alma

Actualmente, aos 60 anos, a energia serena e penetrante que imprime nas suas músicas continua a iluminar as almas humanas, com as suas participações em concertos um pouco por todo o mundo. Num passado recente, Rick Wakeman actuou no Brasil, na Virada Cultural, que se realizou em São Paulo, nos dias 15 e 16 de Maio de 2010. Foi precisamente nesse evento social e artístico que Wakeman fez as delícias do público com a interpretação de Journey to the Centre of the Earth, deleitando milhares de pessoas que se deixaram comover pela força suave e poderosa da sua música fenomenal.

O alcance emocional da sua arte é tremendo, tal é a inspiração sentimental de Wakeman quando os seus dedos sagrados percutem o teclado, tornando as teclas do piano mais resplandecentes do que nunca, também elas trespassadas pela magia da sua música.


Viagem ao Centro da Terra

A música Journey to the Centre of the Earth foi criada com base na obra imortal com o mesmo título do maior escritor francês de todos os tempos, o colossal e eterno Júlio Verne. Nesta fabulosa história de ficção científica, publicada em 1864, Verne narra ao leitor a fascinante viagem do professor de geologia alemão Otto Lidenbrock e do seu querido sobrinho Axel com destino ao centro da Terra.

Numa das suas pesquisas de biblioteca, Lidenbrock descobre um manuscrito de um alquimista islandês do século XVI com uma mensagem encriptada. Axel acaba por descodificar o conteúdo da mensagem, que afinal contém surpreendentes instruções no sentido de levar a cabo uma arriscada e muito aliciante viagem ao centro do planeta azul. Contrariando os receios do sobrinho, que estava noivo, Lidenbrock não hesita e faz-se ao caminho, utilizando todos os meios de transporte necessários para chegar à Islândia, a maravilhosa ilha vulcânica onde se erguia o Monte Sneffels, que deveria permitir a descida até às entranhas da Terra.

Uma vez na Islândia, Axel e o tio procuram alguém de confiança para os auxiliar na sua difícil empresa, acabando por encontrar Hans, um jovem vigoroso, leal e dedicado que lhes servirá de guia. E assim começa a viagem mais extraordinária e imaginativa da literatura de todos os tempos!

Não vos vou contar pormenorizadamente o que acontece no interior do vulcão, nas camadas mais profundas do planeta. No entanto, posso dizer que após as galerias tortuosas da chaminé vulcânica e da câmara magmática do Sneffels, os intrépidos viajantes descobrem algo que não esperavam certamente. Convenhamos que florestas de cogumelos gigantes, oceanos subterrâneos, monstros marinhos e dinossauros colossais não estavam nem podiam estar nas expectativas dos três aventureiros.

E assim, durante várias semanas, dois destemidos alemães e um bravo islandês socorrem-se de todos os meios que se encontram à sua disposição e sacrificam tudo aquilo que a sua natureza humana lhes providencia para tentarem aquilo que hoje sabemos ser impossível. Terão conseguido? Terão perecido nas entranhas da tão esfera terrestre? A resposta está num emocionante e viciante livro que todos os seres humanos deviam ler.

Júlio Verne e a sua maravilhosa obra: Viagem ao Centro da Terra

Uma reflexão sobre as capacidades do ser humano na luta pelos fins em que acredita. Um desafio às concepções dogmáticas da ciência da época. Uma soberba história de acção e aventura em que não falta absolutamente nada, nem mesmo um belo romance a coroar uma obra sublime a todos os níveis.

Pessoalmente, já li o livro há longos 5 anos, mas tenciono voltar a pegar nele num futuro mais ou menos próximo.


Journey to the Centre of the Earth

Nesta música, Rick Wakeman retrata a pavorosa viagem das personagens vernianas (e do próprio escritor, em boa verdade) ao centro da Terra de uma forma simplesmente esplêndida, conseguindo reproduzir na perfeição a magia profunda e inspiradora que só encontramos na grandiosa obra de Júlio Verne. Enquanto ouvimos as suaves e penetrantes melodias expressivamente libertadas por Rick Wakeman nos teclados dos vários sintetizadores, somos invadidos por uma estranha sensação de vivacidade, num misticismo surpreendente. Levados pela fantasia do som, somos transportados para a gloriosa epopeia representada pela Viagem ao Centro da Terra.

Começamos por escutar a bela e sonante letra da canção, simples, engraçada e profunda, exemplarmente interpretada pelo vocalista, que retrata a parte inicial da aventura dos corajosos viajantes. Depois, a música prossegue com um longo segmento sem voz, iluminado pela arrebatadora técnica de Wakeman, que se prolonga praticamente até ao fim da música, no momento em que se ouve um sonante Journey to the Centre of the Earth, soltado pelo vocalista.

Com motivos musicais espectaculares, uma melodia de base extremamente forte e apropriada ao assunto em questão e uma energia e vivacidade fora do vulgar fazem da prestação de Rick Wakeman nesta gravação musical ao vivo um autêntico marco da sua carreira e um ícone da expressividade musical. Apreciem a fantasia musical brilhantemente presente neste momento tão profundo com toda a ópera-rock Viagem ao Centro da Terra do tecladista inglês Rick Wakeman (os vídeos incluem os textos recitados que acompanham as músicas, além de trechos do famoso filme de 1959, com James Mason, Arlene Dahl e Pat Boone):

Artigo escrito pelo verniano André Coroado do blog Andrey7Amabov.wordpress.com e cedido gentilmente para o Blog JVerne.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Blog JVerne bate recorde de visitas

Ontem, dia em que se comemoraram os 106 anos da morte de J. Verne, o Blog JVerne bateu o recorde de visitas diárias ao receber mais de 4600 vernianos nas nossas páginas.

O crescendo sucesso do nosso espaço é devido essencialmente a vocês, caros amigos, que nos enviam cada vez mais interessantes artigos e notícias relacionadas com o escritor francês que enriquecem em muito a qualidade do nosso espaço.

Um abraço de obrigado a vocês e a todos aqueles que nos visitam e partilham as nossas páginas.
Bem-hajam!

A equipa de colaboradores

terça-feira, 22 de março de 2011

O tsunami que inspirou 'O Eterno Adão'

Relembro que em 2005, e a propósito do tsunami que devastou as costas da Indonésia, eu escrevia, com um pseudónimo verniano, num fórum de aficionados da leitura, sobre a profética e última novela de J. Verne publicada em vida: A invasão do mar (1905).

Hoje, e perante as noticias, algumas exageradas, que nos falam de que o Japão pode sofrer um atraso de cem anos perante o terrível terramoto e a ameaça nuclear da central de Fukushima, não podia deixar de pensar numa outra obra do escritor gaulês publicada postumamente: O eterno Adão.

Neste estranho e enigmático relato a humanidade mostra-se impotente perante uma catástrofe natural, um cataclismo que submerge o mundo com as aguas do mar. É uma história sobre o eterno regresso e sobre os mesmos erros que comete a humanidade, o eterno Adão. Sem dúvida, este é o mais amargo texto que Verne nos podia deixar.


Quiçá, e digo quiçá porque não é um dado que tenha sido confirmado pelos biógrafos nem estudiosos vernianos, o tsunami ocorrido em 1883 tenha inspirado Verne para escrever o relato original que deu forma ao O eterno Adão. Agora vos explico o termo “relato original” porque há polémica sobre a autoria desta obra que, em parte, podemos considerar apócrifa.

Em 1883, uma onda de 40 metros arrasou a pequena ilha vulcânica de Krakatoa. Primeiro, aconteceu uma erupção vulcânica, depois um movimento sísmico que produziu a invasão do mar que atingiu a ilha. Diz-se que o estrondo que produziu a última erupção do vulcão Krakatoa é o som mais ruidoso registado em toda a história. Marinheiros, a 40 km da ilha, ficaram surdos e contaram-se milhares de vítimas em todas as ilhas próximas.


O eterno Adão foi publicado postumamente em 1910 num livro de recompilação de relatos intitulado Ontem e Amanhã. Júlio Verne escreveu um conto com o título original de Edom onde estava toda a base da história, porém, o seu filho Michel parece que adicionou certas coisas e esticou a história acabando por mudar o título do conto. De momento é impossível saber até que ponto Michel reescreveu a obra, já que o manuscrito original de Edom ainda está no poder dos herdeiros do escritor. Para complicar ainda mais a situação, diz-se que há três manuscritos, um deles com anotações manuscritas de Michel. Uma versão foi publicada em 1991 no Bulletin de la Société Jules Verne nº 100, Págs. 21-48.

Na narração localizamo-nos no vigésimo terceiro milénio da humanidade, a poucas horas do mundo ser coberto pelo mar. Conhecemos a história através de um dos sobreviventes num grupo de afortunados onde há alguns cientistas. Embarcados no vapor “Virginia”, chegam quase a morrer de fome a um novo continente surgido perto do que foi Cabo Verde. Os sobreviventes, o que resta da humanidade, têm que começar do zero e voltar à pré-história. Claro que tudo isto se sabe graças à descoberta arqueológico do diário.

Outra curiosidade da obra é que, a civilização que faz a descoberta, utiliza um idioma inventado. Há um verniano japonês (uma saudação daqui esperando que esteja bem junto à sua família) que afirma que os estranhos nomes próprios têm origem chinesa, outros que os nomes são jogos de palavras, em vários idiomas, que têm um carácter sexual (?). Alguns dos nomes são: Hars-Iten-Schu, Andarti-Ha-Sammgor, Mahart-Item-Schu…

O conto verniano, seja do pai ou do filho, não é a única obra literária em que ocorre um argumento semelhante. Por exemplo estas:


POST SCRIPTUM

O meu amigo Octavi Piulats começava assim um artigo, escrito há muito tempo na revista Integral, sobre a era post-Chernobyl:

Na Bíblia, no capítulo VIII do Apocalipse de São João Juan, lê-se:

10. E o terceiro tocou a trombeta; e caiu do céu uma grande estrela, a arder como um facho, e caiu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas;
11. E o nome da estrela é Absinto; e a terça parte das águas converteu-se em absinto; e muitos homens morreram por causa daquelas águas, porque se tornaram amargosas.

No dicionário Danae de Russo-castelhano, o mais acreditado da bibliografia espanhola, há a seguinte tradução para o termo “Chernobil”: Absinto (Absinthium lat.)”.

Terá o nome de Fukushima alguma coincidência tão curiosa como esta?

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Artigo escrito por Javier Coria (www.javiercoria.blogspot.com) e enviado gentilmente para o Blog JVernePt.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O Nautilus irá para o espaço

A NASA concebeu um projeto que pode resolver todos os dilemas a um só tempo: a produção da primeira espaçonave tripulada voltada para exploração de longa duração.

A nave, chamada Nautilus-X, é projetada para ficar permanentemente no espaço, ou seja, ela deverá ser construída no espaço e não terá estrutura própria para pousar em planetas, luas e asteroides.

Imagem: NASA

Contudo, a nave é modular, e pode ser construída em diversas configurações, dependendo da missão.

Como os módulos são interconectados de maneira semelhante aos módulos da Estação Espacial Internacional, os veículos de pouso podem ir acoplados ao corpo principal da nave, separando-se quando a Nautilus entrar em órbita do alvo a ser explorado.

Inspirado no nome do fictício submarino do capitão Nemo (do clássico "Vinte Mil Léguas Submarinas", de J. Verne), Nautilus-X é também sigla para Transporte Universal Não Atmosférico Dirigido a Exploração de Longa Duração dos Estados Unidos, em inglês.

Mais informações em Folha.com.

domingo, 20 de março de 2011

11º episódio de '50 por 1' - A volta ao Mundo em 80 dias

No 50 por 1 desta semana, o apresentador Álvaro Garnero e o jornalista José Ramalho apresentam algumas curiosidades de Tóquio antes da recente tragédia natural que assolou o país.

As gravações na região aconteceram no ano passado, durante a volta ao mundo em 80 dias. A dupla de aventureiros esteve no lendário hotel Mandarim, localizado numa torre de 38 andares com vista para o Palácio Imperial.

Em seguida, os dois partem para o centro histórico da cidade, Asakusa, onde provam os sabores de um mercado de rua e andam de riquixá, tradicional veículo de tração humana. E aproveitam ainda para jantar em um restaurante recomendado por um respeitado guia mundial.

No dia seguinte, Álvaro e Ramalho se preparam para uma aventura gastronômica: experimentar o fugu, um peixe venenoso que pouquíssimos chefs têm autorização para colocar em seu menu.

Para se ter uma ideia do tamanho da responsabilidade, um sushiman precisa de três anos extras de especialização para trabalhar com o peixe.



Não se esqueça de visitar o blog do nosso viajante à volta do Mundo, Álvaro Garnero, e do seu companheiro de viagem, José Ramalho.

Texto: R7

quinta-feira, 17 de março de 2011

Radionovela científica com J. Verne

A Rádio UFSCar, emissora vinculada à Universidade Federal de São Carlos (Brasil), começou a apresentar a radionovela “Verdades Inventadas”, a partir desta quarta-feira


A novela narra as aventuras e descobertas da adolescente Laura. Por meio de suas experiências imaginárias, sempre resultantes da reflexão sobre seu cotidiano, a garota viaja pelas ciências e pela história de seus grandes personagens, muitas vezes acompanhada pelo seu inseparável amigo Marquinho, pelo seu avô aventureiro ou por sua tia cientista. Nessa aventura pelo mundo imaginário, Laura, dentre outras descobertas, entende os experimentos de Isaac Newton, viaja no tempo com Albert Einstein, discute a evolução das espécies com Charles Darwin e faz uma viagem misteriosa pela ficção científica de Júlio Verne.

A novela será dividida em 37 episódios, a produção irá ao ar de segunda a sexta, às 8h e às 12h30. Cada capítulo tem cerca de 10 minutos de duração. Poderá ser ouvida em 95,3 FM em São Carlos e região e também pela Internet, em www.radio.ufscar.br ou no blog pessoal da personagem Laura, em www.viagensdalaura.wordpress.com.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Rótulos...

Como cidadão europeu do século XIX , era racista e eurocêntrico convicto. E anti-semita. E reacionário. E a favor da guerra. E misógino. Era mau pai. Mau marido. Teve uma amante enquanto casado. Tinha tendências homossexuais. Adepto da Magia. Um bruxo.

Ao longo dos anos, Verne vem sendo alvo de dezenas de rotulagens, algumas contraditórias, algumas medianamente coerentes, outras tantas francamente equivocadas, quase todas apressadas e na maior parte das vezes, injustas. Ninguém pode confirmar ou desmentir muitos desses "rótulos", por total e absoluta falta de documentação histórica. Outros têm necessariamente que ser analisados no contexto da época em que o escritor viveu e trabalhou. Por exemplo, como a sociedade se via naquele tempo? Como ela reagia? Quem eram para ela os "selvagens" e como eram percebidos? Por que? Como eram as crianças da época? Como se divertiam? Qual a relação da Europa com os outros povos do planeta?


Eurocentrismo, racismo e o século XIX

Vamos ler o que nos diz Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, o maior especialista em Verne no Brasil: "Na realidade, Jules Verne ao defender a expansão colonizadora que levaria a ciência e tecnologia ao mundo, adotou uma posição moderadamente racista embora fosse um antiescravagista sistemático em toda sua obra. Talvez na sua crença nas promessas trazidas pelo conhecimento científico fizesse acreditar na importância do expansionismo ocidental como uma continuidade do processo surgido no período das luzes, durante o qual se acumularam enormes informações biográficas, botânicas, geológicas e culturais."

"(O pensamento da época era que) caberia ao europeu levar e difundir a sua civilização pelo planeta, ainda em sua maior parte habitado por selvagens. Nesta época, os índios e os negros eram apresentados em geral como seres subservientes que aceitavam docilmente o domínio dos brancos."
"A própria obra de Verne, em virtude da sua preocupação com a geografia - não se deve esquecer que Verne foi membro da Société de Géographie de Paris -, sempre defendeu uma integração, ou melhor, uma globalização cultural e racial (certamente, se vivesse hoje, seria contra a globalização econômica)."

Mesmo sabendo que a ideologia da superioridade do homem branco era um fruto da época a que só muito poucos eram capazes de escapar, reconhece-se o profundo ardor antiescravagista de Verne em dezenas de obras, como "Norte Contra Sul", "A Jangada", "A Estrela do Sul", "A Ilha Misteriosa" e tantas outras. Quanto ao eurocentrismo, como explicar, então, seu personagem mais famoso, aquele que ele legou para a História da Literatura mundial? Nemo era um príncipe hindu em luta constante contra o colonialismo britânico. Robur seguía a mesma linha contestadora. Quantas aventuras passadas nos mais diversos países do planeta, com heróis brasileiros, argentinos, chineses, russos ...


Livros "infantis"

Embora alguns livros tenham sido escritos com personagens de pouca idade, e por isso mesmo, sejam identificados com os mais jovens ("Um Capitão de Quinze Anos", "Petit Bonhomme (ou O Homenzinho)", "Dois Anos de Férias") é de um simplismo inaceitável o "estigma" (Verne riria disso, porque adorava escrever para crianças, também) de "escritor infantil".

Talvez o engano esteja em se ler adaptações - que são muito comuns hoje em dia e de um modo geral, são bastante condensadas e simplificadas - achando-se que se está lendo Júlio Verne.
Suas primeiras obras como "Hatteras" (onde há mortes terríveis em grande quantidade), "Viagem ao Centro da Terra", "Cinco Semanas" etc - não tem absolutamente nada de infanto-juvenis. Quem leu "O Castelo dos Cárpatos", "A Esfinge dos Gelos", "Diante da Bandeira", "As Índias Negras", "O Raio Verde" e tantos, tantos outros, conhece um Verne ora grave, ora pessimista, ora lúgubre, ora humorista, ora romântico, que passeou seu talento e imaginação, com maestria, por todos os outros gêneros.


"Escritor fora de todas as normas"

Assim o analisa o crítico literário e universitário Pierre Picot numa edição da revista Europe-Revue totalmente dedicada a Verne, e continua: "Cada um teima apaixonadamente em ler nele o que, no fundo, mais não é do que o reflexo das próprias expectativas : escritor para adolescentes, bardo do progresso técnico e capitalista, libertário mascarado, admirador de heróis das libertações políticas e coloniais, reacionário racista e anti-semita, eterno adolescente dedicado ao culto de rostos femininos juvenis. Eis, pois, em poucas linhas, matéria que chega para um século de batalhas acadêmicas sobre Júlio Verne."

Sem ambiguidades, Pierre Picot assume claramente uma admiração profunda: "Nisto tudo, fica esquecido o escritor laborioso que publicava dois volumes por ano, o fantasista espetacular (...) autêntico inovador no imaginário da modernidade. A sua obra é imensa e reserva muitas surpresas. Júlio Verne é um autor para quem a narrativa de exploração é um pretexto para uma meditação muito poética sobre o desconhecimento de uma realidade que as palavras não conseguem domar."

Talvez o melhor disso tudo seja a constatação de como o homem Jules Gabriel Verne e sua obra suscitam até hoje, cento e oitenta anos depois de seu nascimento, discussões, polêmicas, acusações e defesas igualmente apaixonadas. E como seus livros são lidos e debatidos até hoje, e como sua influência se faz notar todos os dias.

Nada mal para um escritor infantil ...

domingo, 13 de março de 2011

10º episódio de '50 por 1' - A volta ao Mundo em 80 dias

No décimo episódio do programa 50 por 1, Álvaro Garnero e José Ramalho continuam com a volta ao mundo em 80 dias no continente asiático.

Ainda no Alaska a dupla chega em Kodiak, uma antiga mina de ouro. Por lá, os aventureiros conhecem a cultura esquimó em uma tribo. Mais à frente, em Dutch Harbor, eles passeiam por resquícios da invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial.

O navio passa ainda pela linha internacional do tempo e aporta na Rússia. Na cidade de Petropavlovsk, Álvaro e Ramalho visitam o vulcão Koryaksky, que ainda está ativo.
Em 29 de dezembro de 2008, o vulcão teve sua última erupção, eclodindo apenas cinzas. O que deveria ser somente uma parada de algumas horas na cidade acaba sendo um pernoite, já que o navio recebe um aviso de tufão.

O imprevisto coloca em risco o plano de volta ao mundo em 80 dias. A viagem, que tinha tudo para ser tranquila, toma outro rumo. E, devido ao atraso, as duas paradas no Japão são canceladas e o destino final é a capital Tóquio. O continente asiático ainda será muito explorado pela dupla.



Não se esqueça de visitar o blog do nosso viajante à volta do Mundo.

Texto: R7

sexta-feira, 11 de março de 2011

"Gil Braltar" na Biblioteca JV

O portal Biblioteca Júlio Verne continua a disponibilizar obras de J. Verne, com tradução própria, para leitura online.

Depois de Viagem ao centro da Terra, O dia de um jornalista americano no ano de 2889, Da Terra à Lua e Ao Redor da Lua, chega a vez de "Gil Braltar" (1887) cujo primeiro capítulo estará disponível para leitura a partir do dia 14 do corrente mês. Os capítulos serão disponibilizados diariamente às 13h00, hora local (Brasília-Brasil).


Sinopse: Gil Braltar é um conto de humor de Júlio Verne parodiando o colonialismo britânico. Foi publicado pela primeira vez em 1887.

A história passa-se na fortaleza da colónia britânica, Gibraltar. Um homem, um espanhol chamado Gil Braltar, veste-se como um macaco e se torna líder de um grupo de macacos que vive lá. Ele incita ao ataque contra a fortaleza. O ataque, inicialmente bem sucedido, é frustrado por um General britânico. O General é tão feio que os macacos acreditam que ele é um deles e obedecem-no quando ele os manda embora. A conclusão de Verne é que no futuro somente os mais feios generais serão enviados para Gibraltar para manter a colónia em mãos britânicas.

A tradução está a cargo de Eduardo Weiland, um dos responsáveis do Biblioteca Júlio Verne. Todas as obras de Júlio Verne estão em domínio público.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Quem era Júlio Verne?

Assim começa o programa espanhol "Cuarto Milénio", especializado em casos estranhos, misteriosos e obscuros (aparições, ovnis, etc), num especial dedicado a Júlio Verne.

O programa, de excelente produção (há até um ator fazendo de Verne, escrevendo e pesquisando em sua biblioteca) conta com um apresentador e três especialistas de diversas áreas: José Lesta, autor de um livro sobre as antecipações de Verne em "Da Terra à Lua"; o historiador Mariano Urresti e o estudioso da obra de Verne, Floreal Peleato.

O programa pergunta, principalmente, se Verne era "um visionário à altura de Nostradamus ou um ser de intelecto superior, bem informado, estudioso e trabalhador", devido a seus inúmeros acertos em "previsões" espalhadas por todos os seus livros - muitos deles enunciados ao longo do especial: além do já citado "Da Terra à Lua", "Os 500 Milhões da Begum", "O Castelo dos Cárpatos", "Diante da Bandeira", "Clóvis Dardentor", "Paris no século XX", "Vinte Mil Léguas Submarinas" e "Viagem ao Centro da Terra".

Vários aspectos interessantes e até pitorescos de seus livros foram levantados, como a escolha dos nomes dos personagens, que não seria aleatória ou as mensagens cifradas que aparecem em diversas obras principalmente em "Clóvis Dardentor", e sua possível correlação com o facto de Verne pertencer a sociedades secretas e de saber o segredo de Rennes-le-Château. (Michel Lamy editou recentemente um livro, The Secret Message of Jules Verne, onde defende que o escritor, suposto iniciado nas ordens maçónicas e nas sociedades Rosa-cruz, terá escondido uma mensagem secreta em código.)

Essas sociedades, como a Maçonaria ou a Ordem Rosa Cruz, compartilhariam com Verne suas "informações privilegiadas", advindas de décadas de conhecimento esotérico e secreto. Verne teria dado pistas da sua participação como membro dessas seitas através dos nomes de alguns personagens e pelo uso das tais mensagens cifradas. Estranhamente (ou significativamente), o estudioso da obra de Verne foi o que menos se rendeu a essas ilações, apesar de revelar algumas das coincidências e antevisões que tanto conhecemos.

Verne, o desconhecido

O autor do livro e o historiador que participaram do debate pareciam convencidos que Verne não poderia ter "acertado tantas vezes" com números, dados, locais etc (principalmente no caso de "Da Terra a Lua" - especialidade do escritor Lesta - e de "Paris do Século XX" - livro que mais impressionou o historiador Urresti, principalmente por sua visão da sociedade actual e suas mazelas) sem ter poderes paranormais, psíquicos ou adivinhatórios.

Sobre isso, vamos dar a palavra ao próprio Verne, que escreveu em "O Castelo dos Cárpatos", novela em que antecipa a televisão e a holografia :

"Somos de uma época em que tudo acontece. Se nosso relato não é verosímil hoje, certamente o será amanhã, graças às fontes científicas que são o legado para o futuro."

O programa também revelou dois dados muito interessantes: em 1928, pela passagem do centenário de nascimento de Verne, uma sobrinha escreveu a sua biografia, já revelando o que seriam facetas "diferentes" do autor. E em 1978, um neto também teria escrito uma outra Biografia.

Talvez, de posse dessas duas, mais a mais recente escrita por J .J. Benitez e, principalmente, lendo a sua fonte mais fiel, os seus próprios livros, talvez consigamos entender um pouco, um pouquinho só que seja daquele que, segundo suas próprias palavras era "o mais desconhecido dos Homens".

O programa, de modo geral, foi estimulante e muito bem realizado. Perde-se alguma coisa, naturalmente, pela falta de legendas, mas é sempre bom ver como o velho mestre ainda mexe com o imaginário de tantos estudiosos por todo o Mundo.

E aí, vamos abrir um debate por aqui?
Alguém assistiu e quer mencionar o que mais chamou sua atenção? Se não viu, veja em baixo e deixe a sua opinião.

Abraços a todos.
Carlos Patrício

Foto cedida gentilmente por Christian Larcher (2 Junho 06).





quarta-feira, 9 de março de 2011

Atento à vida de Júlio Verne (125 anos)

Eram 17h, Verne voltada tranquilamente para casa quando, surpreendido, ouve dois disparos contra si. Felizmente, só um o atinge, no seu pé esquerdo, não tirando a sua vida mas deixando-o manco para o resto desta.
Verne desarma o atirador e descobre que é o seu sobrinho de 26 anos, Gaston. Este não oferece resistência e Verne leva-o para casa onde foi examinado pela polícia. É internado e dado como louco, sem muitas explicações.


Retrato de Paul e Gaston Verne

Há 125 anos, esta semana foi sem dúvida a pior semana de Verne. Depois de ter vendido o seu Saint Michel, cuja manutenção era muito dispendiosa, foi alvejado no pé esquerdo sendo impossível a extração da bala. Fica coxo para o resto da sua vida sendo ajudado por uma bengala. Oito dias depois morre o seu editor, cúmplice e amigo, que o ajudava a retocar a sua obra, a aperfeiçoar o tom deveras particular que Júlio Verne soube criar, entre documentação e ficção.

Estes três acontecimentos, em pouquíssimo tempo, perturbam-lhe a vida. Deixou de fazer a sua regular viagem entre Amiens e Paris, onde se encontrava com amigos e outras celebridades da época, e de percorrer o mar no seu iate.

Mas depois destes anos, ainda se questiona o porquê de tal atitude do seu sobrinho, filho do seu grande amigo, companheiro e irmão Paul Verne.
Muito se especula sobre as razões que fez com que o sobrinho disparasse contra Verne no final de tarde do dia 9 de Março de 1886, em frente da porta-cocheira da sua casa na Rua Charles Dubois. Seria apenas desequilibro mental ligado ao ciume e inveja ou mais do que isso?

Eu, Frederico, no local em que Gaston disparou contra o seu tio

Há quem diga que Verne possuía outra mulher e filhos numa segunda vida; há quem diga que Verne e Gaston participavam de uma sociedade secreta (Rosa-Cruz) e, por Verne revelar uma mensagem secreta em algumas das suas obras, Gaston irritara-se com o seu tio; há quem diga que apenas tentou atrair a atenção para seu tio para que ele entrasse na Academia Francesa de Letras; há quem diga que o seu sobrinho tivesse ido a Amiens com a intenção de pedir ao tio uma quantia em dinheiro...
Mas são tudo especulações. A única coisa que sabemos ser verdade é que Gaston foi internado num hospital psiquiátrico e declarado louco.

Como puderam ler, há imensas versões e não sabemos a verdadeira.
Não sabemos o porquê daquele disparo, e duvido que algum dia se saiba.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Nautilus desfila no Carnaval de São Paulo 2011

Como já havia sido anunciado pelo Blog JVerne no passado dia 14, a escola Mancha Verde, após se firmar no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo (Brasil) e conquistar uma surpreendente quarta colocação na edição de 2010, contou com a força dos gênios da humanidade para lutar pelo título inédito no carnaval de SP.

O cinema, as artes e a literatura também estiveram presentes no enredo da escola "Uma ideia de gênio" tendo sido homenageado J. Verne e a sua máquina mais maravilhosa, o Nautilus, da obra “20000 Léguas Submarinas”, publicada em 1870.

Aqui vemos Panicat Juju Salimeni, Rainha das águas de 20000 Léguas Submarinas, desfilando com o Nautilus em fundo:

Ver mais fotos aqui. Foto: Fernando Donasci/UOL

Se não teve a oportunidade de ver o desfile da Mancha Verde ao vivo nem pela TV veja em baixo um dos vídeos do magnífico desfile onde poderá ver o Nautilus e ouvir as citações ao seu criador pelos comentadores a partir do minuto 3:18 até 6:10:


O Blog JVerne envia um agradecimento à Mancha Verde pela referência ao autor e deseja que conquiste o tão esperado e desejado primeiro lugar.

domingo, 6 de março de 2011

9º episódio de '50 por 1' - A volta ao Mundo em 80 dias

No nono episódio do programa 50 por 1, Álvaro Garnero e José Ramalho continuam com a volta ao mundo em 80 dias no Alaska.

Álvaro Garnero e Ramalho continuam numa boa, conhecendo todos os costumes e pessoas que vivem naquele pedaço gelado de terra, como o Tom Hall, figuraça de Skagway. O cara parece saído de um cartoon, diz o viajante da volta ao mundo.



Não se esqueça de visitar o blog do nosso viajante à volta do Mundo.

Texto: R7

quinta-feira, 3 de março de 2011

'Livros das nossas vidas: Júlio Verne' no CMD

Dia 10 do corrente mês, às 18h, a 9.ª sessão de uma série com periodicidade mensal, a partir de livros referidos num depoimento de Mário Dionísio sobre «Os livros da minha vida».

Filomena Marona Beja fala de Júlio Verne e Simenon, que foram para Mário Dionísio, escritor e pintor português do século XX, descobertas tardias.

Entrada livre.

Local:
Casa da Achada - Centro Mário Dionísio
Rua da Achada, 11 - Lisboa (Portugal)
http://www.centromariodionisio.org/

quarta-feira, 2 de março de 2011

Bougainville (-, 1879)

J. Verne, um grande apreciador de geografia e dos descobrimentos, escreveu, a pedido do editor, uma obra de cunho histórico denominada Descoberta da Terra: História das Grandes Viagens e dos Grandes Viajantes.

Lá, o autor descreve e retrata os principais viajantes que se distinguiram pelas suas expedições, aborda os principais navegadores europeus que foram desbravando os oceanos, assinala aqueles que, acima de tudo,
desbravaram territórios já descobertos mas ainda não colonizados, colaborando para a sua mais exacta demarcação.

Esta obra foi publicada em 4 volumes, tendo tido nos três primeiros a colaboração de Gabriel Marcel, um dos geógrafos mais competentes do nosso tempo que me ajudou com o seu conhecimento de algumas línguas estrangeiras desconhecidas por mim (por J. V.).

O 1º volume foi publicado em 1870; o 2º volume em 1878, ambos denominados por Descoberta da Terra; o 3º volume, Os Navegadores do séc. XVIII, em 1879 e o 4º volume, Os Exploradores do séc. XIX, em 1880.

Em Os Navegadores do séc. XVIII, o autor refere as aventuras daquele que foi o primeiro francês a circum-navegar a Terra, algo que revigorou o prestígio da França após as suas humilhantes derrotas durante a Guerra dos sete anos.

Esta homenagem e referência a Louis-Antoine de Bougainville (1729-1811), que ocupou um inteiro capítulo neste volume, foi traduzida e editada pela Editora Licorne (Portugal) a que juntou ilustrações de Margarida Vala Silva.

A obra é vendida, para já, apenas via online com um custo de 8€.

Para adquiri-la é favor visitar o espaço da editora, EditoraLicorne.blogspot.com e/ou contactar a editora através do seu email.

O nosso obrigado ao amigo Passepartout pelo envio das informações acerca da obra.

Deixe a sua opinião acerca desta obra.

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