quinta-feira, 10 de março de 2011

Quem era Júlio Verne?

Assim começa o programa espanhol "Cuarto Milénio", especializado em casos estranhos, misteriosos e obscuros (aparições, ovnis, etc), num especial dedicado a Júlio Verne.

O programa, de excelente produção (há até um ator fazendo de Verne, escrevendo e pesquisando em sua biblioteca) conta com um apresentador e três especialistas de diversas áreas: José Lesta, autor de um livro sobre as antecipações de Verne em "Da Terra à Lua"; o historiador Mariano Urresti e o estudioso da obra de Verne, Floreal Peleato.

O programa pergunta, principalmente, se Verne era "um visionário à altura de Nostradamus ou um ser de intelecto superior, bem informado, estudioso e trabalhador", devido a seus inúmeros acertos em "previsões" espalhadas por todos os seus livros - muitos deles enunciados ao longo do especial: além do já citado "Da Terra à Lua", "Os 500 Milhões da Begum", "O Castelo dos Cárpatos", "Diante da Bandeira", "Clóvis Dardentor", "Paris no século XX", "Vinte Mil Léguas Submarinas" e "Viagem ao Centro da Terra".

Vários aspectos interessantes e até pitorescos de seus livros foram levantados, como a escolha dos nomes dos personagens, que não seria aleatória ou as mensagens cifradas que aparecem em diversas obras principalmente em "Clóvis Dardentor", e sua possível correlação com o facto de Verne pertencer a sociedades secretas e de saber o segredo de Rennes-le-Château. (Michel Lamy editou recentemente um livro, The Secret Message of Jules Verne, onde defende que o escritor, suposto iniciado nas ordens maçónicas e nas sociedades Rosa-cruz, terá escondido uma mensagem secreta em código.)

Essas sociedades, como a Maçonaria ou a Ordem Rosa Cruz, compartilhariam com Verne suas "informações privilegiadas", advindas de décadas de conhecimento esotérico e secreto. Verne teria dado pistas da sua participação como membro dessas seitas através dos nomes de alguns personagens e pelo uso das tais mensagens cifradas. Estranhamente (ou significativamente), o estudioso da obra de Verne foi o que menos se rendeu a essas ilações, apesar de revelar algumas das coincidências e antevisões que tanto conhecemos.

Verne, o desconhecido

O autor do livro e o historiador que participaram do debate pareciam convencidos que Verne não poderia ter "acertado tantas vezes" com números, dados, locais etc (principalmente no caso de "Da Terra a Lua" - especialidade do escritor Lesta - e de "Paris do Século XX" - livro que mais impressionou o historiador Urresti, principalmente por sua visão da sociedade actual e suas mazelas) sem ter poderes paranormais, psíquicos ou adivinhatórios.

Sobre isso, vamos dar a palavra ao próprio Verne, que escreveu em "O Castelo dos Cárpatos", novela em que antecipa a televisão e a holografia :

"Somos de uma época em que tudo acontece. Se nosso relato não é verosímil hoje, certamente o será amanhã, graças às fontes científicas que são o legado para o futuro."

O programa também revelou dois dados muito interessantes: em 1928, pela passagem do centenário de nascimento de Verne, uma sobrinha escreveu a sua biografia, já revelando o que seriam facetas "diferentes" do autor. E em 1978, um neto também teria escrito uma outra Biografia.

Talvez, de posse dessas duas, mais a mais recente escrita por J .J. Benitez e, principalmente, lendo a sua fonte mais fiel, os seus próprios livros, talvez consigamos entender um pouco, um pouquinho só que seja daquele que, segundo suas próprias palavras era "o mais desconhecido dos Homens".

O programa, de modo geral, foi estimulante e muito bem realizado. Perde-se alguma coisa, naturalmente, pela falta de legendas, mas é sempre bom ver como o velho mestre ainda mexe com o imaginário de tantos estudiosos por todo o Mundo.

E aí, vamos abrir um debate por aqui?
Alguém assistiu e quer mencionar o que mais chamou sua atenção? Se não viu, veja em baixo e deixe a sua opinião.

Abraços a todos.
Carlos Patrício

Foto cedida gentilmente por Christian Larcher (2 Junho 06).





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