sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

Um Capitão de 15 Anos (1877-78, 1878)


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6 comentários:

Luis disse...

Espectacular aventura composta por duas partes: uma passada no mar e outra passada em terra.
História de um jovem de 15 anos, que após variados incidentes se encontra na posição de ter nas suas mãos o destino de quem com ele fazia uma viagem que à partida nada fazia prever que se tornasse numa luta pela sobrevivência.
Cheia de fidelidades e de traições, testemunha também, de uma forma nua e crua, um período não muito longínquo e negro da história da humanidade: a escravidão e consequente massacre e brutalidade a que o povo africano foi sujeito.
Inteligentíssima também a forma como verne torna a aventura ainda mais real ao enquadrar a acção entre factos reais levados a cabo por Dr. David Livingstone que muito contribuiu para a exploração da África austral e oriental.
Sem dúvida, uma das grandes obras de Julio Verne que merecia ser transformada numa não menos grande obra da 7ª arte.

Vasco Trancoso disse...

O livro da minha vida foi o primeiro: “Um Herói de 15 anos” de Júlio Verne.
Pela influência que teve em mim. Na altura e depois.
Li-o, aos 4 anos, depois do meu avô materno me ter ensinado a ler, em regímen intensivo, pela cartilha de João de Deus.
Era uma edição antiga, onde se escrevia ainda: epocha, atmosphera, physica, methodo, etc.
Devorei avidamente as aventuras do pequeno capitão Dick Sand, a viagem fatal a bordo do baleeiro Pilgrim, e a ajuda decisiva do gigante negro Hércules e do cão Dingo na luta contra os mercadores de escravos, liderados pelo temível Negoro, no interior de Angola.
Identifiquei-me de imediato com o Dick Sand. Porque este personagem era jovem, tinha aprendido a ler também aos 4 anos e passara a infância sem a presença dos pais.
Claro que o jovem herói, procurando sempre ajudar os outros, era um exemplo a seguir.
Lembro-me, ainda, que as lágrimas me bailaram no olhar quando, quase no final, o fiel Dingo morre junto ao dono. Desejei, desde logo, também vir a ter a companhia de um cão.
No entanto impressionou-me ainda a personagem do primo Benedict, cientista coleccionador de coleópteros, verdadeiro “coca-bichinhos” à descoberta da natureza, com o aspecto de um gigantesco insecto, permitindo ao escritor alargar as suas descrições científicas minuciosas, apoiadas em inúmeros nomes, em latim, das espécies animais ou vegetais.
Ou seja, depois dos desejos de ajudar os outros e de ter a companhia de um cão, vinha agora o de descobrir.
Entusiasmado li a seguir a restante colecção do mesmo autor e um dicionário Lello ilustrado.
Em consequência fiquei completamente fascinado pelas descrições de paisagens luxuriantes e longínquas, e por descobrir que existia, à superfície da Terra, uma fauna e uma flora extremamente diversificadas, e de uma grande beleza.
De tal modo que, não só desejava no futuro vir a ser biólogo para explorar lugares exóticos e descobrir animais fantásticos e plantas ainda desconhecidas, mas também iniciei pouco depois uma enorme colecção de insectos – mormente de borboletas – que caçava apetrechado de rede apropriada, nos arredores de Magoito (Sintra) onde passava férias com os meus avós.
Quando aos 6 anos ingressei na escola primária e a professora perguntava por nomes de insectos, eu respondia quase recitando o dicionário que tinha lido: “Lepisma ou peixinho-de-prata, género de “orthóptero”, que se vê nos lugares húmidos e que se alimenta dos tecidos de lã.”
Claro que com o tempo fui-me adaptando ao mundo “real” e adequando as atitudes, mas o espírito de investigar e tentar descobrir respostas racionais para explicar o até então inexplicado – ficou. Tal como nas histórias de Júlio Verne, em que no fim se explicavam, com maior ou menor rigor científico, as situações ou “phenomenos” que inicialmente pareciam mistérios insondáveis.
A Ciência e a Arte da Medicina impuseram-se, naturalmente, no meu caminho, resolvendo um impulso irresistível.
O desejo de descobrir e, ao mesmo tempo, ajudar os outros.
E… finalmente, também, vivo acompanhado por um cão.

Vasco Trancoso

Manuelle disse...

Gostaria de saber se o livro Um capitão de 15 anos tem continuação...volume 2...
Obrigao...

Frederico disse...

Manuelle, a referida obra é dividida em 3 volumes.

Antônio Rodrigues de Lemos Augusto disse...

Dez anos antes da escravidão ser abolida no Brasil, Verne lançou uma obra que era um soco no estômago de escravagistas mundo afora, uma verdadeira denúncia da forma criminosa em que a escravidão atuava na África, fundamentalmente a África de colonização portuguesa. O livro “Um capitão de 15 anos” é um dos menos conhecidos de Verne, de 1878, mas é talvez o de maior peso político e social para a época. Foi escrito quando Verne já era famoso.

A obra mistura realidade com os personagens de ficção. A realidade é a denúncia do tráfico negreiro. Há um capítulo inteiro historiando o tráfico no mundo. O capítulo: “A escravatura” está no meio do livro e, o que vem a seguir, é um relato sobre as formas de se traficar na África. Sob os olhos de um personagem de 15 anos, fictício, Verne descreve cenas reais de uma caravana de escravos pela África, seguindo para os portos onde iriam ser despachados para a América.

Escreveu: “Dificilmente se fará ideia das crueldades que aqueles entes humanos praticam contra as criaturas cativas. Dão-lhe bordoadas sem cessar e os que caem exaustos, não podendo ser mais vendidos, são mortos a tiros ou facadas. Os infelizes são movidos pelo terror e o resultado desse sistema é que a caravana chega ao destino com apenas cinquenta por cento dos escravos”.

Sobre os europeus que comandavam a escravidão: “Sabe-se perfeitamente que os agentes de origem europeia não são mais do que patifes, expulsos de seus países, condenados, evadidos de prisões, antigos negreiros, enfim a escória da humanidade”.

O escritor denuncia que europeus bancavam as guerras entre reis negros, fornecendo armas e mantimentos. Em troca, o rei vencedor entregava os vencidos para os escravagistas. Isso após a “razia”, que Verne explica o que era, citando uma caravana com 500 escravos: “Entre os 500 escravos da caravana, viam-se poucos homens feitos. Isso se explica pelo fato de, depois de terminada a razia, todos os indígenas de mais de 40 anos serem mortos ou enforcados, depois de ter sido incendiada a aldeia. Somente os moços dos dois sexos e as crianças são destinadas aos mercados, e somente sobrevive, depois dessas caçadas, a décima parte dos vencidos. Assim se explica a horrível despovoação que transforma em vastos desertos territórios da África Equinocial”.

Explicita: “Os aspectos desses seres humanos, mulheres cobertas de feridas provocadas pelas chicotadas, crianças macilentas e magras, com os pés ensanguentados, que as mães costumam carregar como apêndices de seus fardos, rapazes rigidamente presos a forcados, mais torturantes que a corrente, é o que se pode imaginar de mais lamentável”.

A história relata pessoas sendo assassinadas por tentarem escapar da caravana, outros morrendo de fome, outros morrendo atacados por feras durante a travessia. Em determinado momento, a caravana chega a uma localidade na África, onde se concentram compradores de diversos lugares do mundo. Antes do sórdido leilão, os escravos são colocados em um lugar fechado, imundo e apertado por alguns dias. A intenção é verificar quais são realmente resistentes e, dessa forma, valorizar o preço. Muitos morrem. Verne também relata como o leilão se dá.

Em 1878, quando o livro foi lançado, o Brasil já não permitia o tráfico negreiro, proibido em 1850, pela Lei Euzébio de Queiroz. Mas a escravidão ainda era realidade no país, com seres humanos sendo tratados como propriedades. E, como me socorre o Wikipedia, “a lei (Euzébio de Queiroz) não gerou efeitos imediatos na estrutura do sistema econômico brasileiro. O tráfico ilegal desenvolveu-se intensamente no período posterior à lei e, na verdade, houve um incremento nos índices de entrada de africanos no Brasil”.

O livro mostra como o tema da escravidão negreira mobilizava o mundo na época, alvo de fortes críticas na Europa, tema de guerra nos EUA e, enfim, já em 1888, motivo de uma lei definitiva brasileira, a Lei Áurea, que fez aniversário neste 13 de maio. É importante que esta história seja sempre contada. Efetivamente, o significado da palavra “holocausto” não surgiu na 2ª Guerra Mundial.

O Melhor Para Você disse...

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