Espectacular aventura composta por duas partes: uma passada no mar e outra passada em terra. História de um jovem de 15 anos, que após variados incidentes se encontra na posição de ter nas suas mãos o destino de quem com ele fazia uma viagem que à partida nada fazia prever que se tornasse numa luta pela sobrevivência. Cheia de fidelidades e de traições, testemunha também, de uma forma nua e crua, um período não muito longínquo e negro da história da humanidade: a escravidão e consequente massacre e brutalidade a que o povo africano foi sujeito. Inteligentíssima também a forma como verne torna a aventura ainda mais real ao enquadrar a acção entre factos reais levados a cabo por Dr. David Livingstone que muito contribuiu para a exploração da África austral e oriental. Sem dúvida, uma das grandes obras de Julio Verne que merecia ser transformada numa não menos grande obra da 7ª arte.
O livro da minha vida foi o primeiro: “Um Herói de 15 anos” de Júlio Verne. Pela influência que teve em mim. Na altura e depois. Li-o, aos 4 anos, depois do meu avô materno me ter ensinado a ler, em regímen intensivo, pela cartilha de João de Deus. Era uma edição antiga, onde se escrevia ainda: epocha, atmosphera, physica, methodo, etc. Devorei avidamente as aventuras do pequeno capitão Dick Sand, a viagem fatal a bordo do baleeiro Pilgrim, e a ajuda decisiva do gigante negro Hércules e do cão Dingo na luta contra os mercadores de escravos, liderados pelo temível Negoro, no interior de Angola. Identifiquei-me de imediato com o Dick Sand. Porque este personagem era jovem, tinha aprendido a ler também aos 4 anos e passara a infância sem a presença dos pais. Claro que o jovem herói, procurando sempre ajudar os outros, era um exemplo a seguir. Lembro-me, ainda, que as lágrimas me bailaram no olhar quando, quase no final, o fiel Dingo morre junto ao dono. Desejei, desde logo, também vir a ter a companhia de um cão. No entanto impressionou-me ainda a personagem do primo Benedict, cientista coleccionador de coleópteros, verdadeiro “coca-bichinhos” à descoberta da natureza, com o aspecto de um gigantesco insecto, permitindo ao escritor alargar as suas descrições científicas minuciosas, apoiadas em inúmeros nomes, em latim, das espécies animais ou vegetais. Ou seja, depois dos desejos de ajudar os outros e de ter a companhia de um cão, vinha agora o de descobrir. Entusiasmado li a seguir a restante colecção do mesmo autor e um dicionário Lello ilustrado. Em consequência fiquei completamente fascinado pelas descrições de paisagens luxuriantes e longínquas, e por descobrir que existia, à superfície da Terra, uma fauna e uma flora extremamente diversificadas, e de uma grande beleza. De tal modo que, não só desejava no futuro vir a ser biólogo para explorar lugares exóticos e descobrir animais fantásticos e plantas ainda desconhecidas, mas também iniciei pouco depois uma enorme colecção de insectos – mormente de borboletas – que caçava apetrechado de rede apropriada, nos arredores de Magoito (Sintra) onde passava férias com os meus avós. Quando aos 6 anos ingressei na escola primária e a professora perguntava por nomes de insectos, eu respondia quase recitando o dicionário que tinha lido: “Lepisma ou peixinho-de-prata, género de “orthóptero”, que se vê nos lugares húmidos e que se alimenta dos tecidos de lã.” Claro que com o tempo fui-me adaptando ao mundo “real” e adequando as atitudes, mas o espírito de investigar e tentar descobrir respostas racionais para explicar o até então inexplicado – ficou. Tal como nas histórias de Júlio Verne, em que no fim se explicavam, com maior ou menor rigor científico, as situações ou “phenomenos” que inicialmente pareciam mistérios insondáveis. A Ciência e a Arte da Medicina impuseram-se, naturalmente, no meu caminho, resolvendo um impulso irresistível. O desejo de descobrir e, ao mesmo tempo, ajudar os outros. E… finalmente, também, vivo acompanhado por um cão.
4 vernianos comentaram:
Espectacular aventura composta por duas partes: uma passada no mar e outra passada em terra.
História de um jovem de 15 anos, que após variados incidentes se encontra na posição de ter nas suas mãos o destino de quem com ele fazia uma viagem que à partida nada fazia prever que se tornasse numa luta pela sobrevivência.
Cheia de fidelidades e de traições, testemunha também, de uma forma nua e crua, um período não muito longínquo e negro da história da humanidade: a escravidão e consequente massacre e brutalidade a que o povo africano foi sujeito.
Inteligentíssima também a forma como verne torna a aventura ainda mais real ao enquadrar a acção entre factos reais levados a cabo por Dr. David Livingstone que muito contribuiu para a exploração da África austral e oriental.
Sem dúvida, uma das grandes obras de Julio Verne que merecia ser transformada numa não menos grande obra da 7ª arte.
O livro da minha vida foi o primeiro: “Um Herói de 15 anos” de Júlio Verne.
Pela influência que teve em mim. Na altura e depois.
Li-o, aos 4 anos, depois do meu avô materno me ter ensinado a ler, em regímen intensivo, pela cartilha de João de Deus.
Era uma edição antiga, onde se escrevia ainda: epocha, atmosphera, physica, methodo, etc.
Devorei avidamente as aventuras do pequeno capitão Dick Sand, a viagem fatal a bordo do baleeiro Pilgrim, e a ajuda decisiva do gigante negro Hércules e do cão Dingo na luta contra os mercadores de escravos, liderados pelo temível Negoro, no interior de Angola.
Identifiquei-me de imediato com o Dick Sand. Porque este personagem era jovem, tinha aprendido a ler também aos 4 anos e passara a infância sem a presença dos pais.
Claro que o jovem herói, procurando sempre ajudar os outros, era um exemplo a seguir.
Lembro-me, ainda, que as lágrimas me bailaram no olhar quando, quase no final, o fiel Dingo morre junto ao dono. Desejei, desde logo, também vir a ter a companhia de um cão.
No entanto impressionou-me ainda a personagem do primo Benedict, cientista coleccionador de coleópteros, verdadeiro “coca-bichinhos” à descoberta da natureza, com o aspecto de um gigantesco insecto, permitindo ao escritor alargar as suas descrições científicas minuciosas, apoiadas em inúmeros nomes, em latim, das espécies animais ou vegetais.
Ou seja, depois dos desejos de ajudar os outros e de ter a companhia de um cão, vinha agora o de descobrir.
Entusiasmado li a seguir a restante colecção do mesmo autor e um dicionário Lello ilustrado.
Em consequência fiquei completamente fascinado pelas descrições de paisagens luxuriantes e longínquas, e por descobrir que existia, à superfície da Terra, uma fauna e uma flora extremamente diversificadas, e de uma grande beleza.
De tal modo que, não só desejava no futuro vir a ser biólogo para explorar lugares exóticos e descobrir animais fantásticos e plantas ainda desconhecidas, mas também iniciei pouco depois uma enorme colecção de insectos – mormente de borboletas – que caçava apetrechado de rede apropriada, nos arredores de Magoito (Sintra) onde passava férias com os meus avós.
Quando aos 6 anos ingressei na escola primária e a professora perguntava por nomes de insectos, eu respondia quase recitando o dicionário que tinha lido: “Lepisma ou peixinho-de-prata, género de “orthóptero”, que se vê nos lugares húmidos e que se alimenta dos tecidos de lã.”
Claro que com o tempo fui-me adaptando ao mundo “real” e adequando as atitudes, mas o espírito de investigar e tentar descobrir respostas racionais para explicar o até então inexplicado – ficou. Tal como nas histórias de Júlio Verne, em que no fim se explicavam, com maior ou menor rigor científico, as situações ou “phenomenos” que inicialmente pareciam mistérios insondáveis.
A Ciência e a Arte da Medicina impuseram-se, naturalmente, no meu caminho, resolvendo um impulso irresistível.
O desejo de descobrir e, ao mesmo tempo, ajudar os outros.
E… finalmente, também, vivo acompanhado por um cão.
Vasco Trancoso
Gostaria de saber se o livro Um capitão de 15 anos tem continuação...volume 2...
Obrigao...
Manuelle, a referida obra é dividida em 3 volumes.
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