segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Visita ao Farol... de Leça

Com Júlio Verne já visitei locais e fiz algumas Viagens Extraordinárias que, se não fosse o escritor francês, jamais as teria concretizado.
Não estou a falar das suas belas viagens nos seus livros mas sim de viagens que, de certa forma, repetem essas mesmas que deram origem às suas 64 obras.



Graças a ele, já concretizei o sonho de: viajar de balão como um verdadeiro Prof. Fergusson na descoberta da nascente do rio Nilo, visitar a baía de Vigo como o Capitão Nemo e recuperar o tesouro dos Galeões afundados afim de ajudar os povos do planeta na sua luta pela liberdade, e até, para mim a melhor viagem, visitar o museu e o próprio autor na sua ultima casa no Cimetiere de la Madeleine.

Agora, e apesar de já estar marcada uma viagem ao centro da Terra (e não estou a falar do filme que estreia dia 28), foi a vez de ser o guardião Vasquez e visitar o Farol do Fim do Mundo.
É claro que não se trata do farol da Terra do Fogo na Isla de los Estados mas sim do Farol de Leça da Palmeira, ou Farol da Boa-Nova, o 2º maior farol de Portugal!



Depois de ter lido a obra de 1905, uma das ultimas escritas pelo escritor francês, senti uma enorme vontade de visitar um farol algo que até então não tinha qualquer interesse.
É isso que adoro em Verne, pois ele é capaz de nos abrir os olhos para a beleza que estes locais e viagens nos proporcionam e que dantes nos passavam completamente despercebidos.

Marquei a minha visita pelo sítio da Ciência Viva (e obrigado a eles por me terem dado essa oportunidade) e pelas 18h do dia ontem lá estava para o início de mais uma Viagem Extraordinária.

Começamos esta magnífica visita por uma breve explicação do que consiste um farol e qual a sua utilidade. Muito resumidamente, e utilizando as palavras do senhor faroleiro (perdoem-me mas desconheço o seu nome e patente) um farol assinala a nossa posição. "Por exemplo, numa viagem do norte para o sul do país precisamos de placas na estrada para sabermos se passamos determinadas localidades afim de sabermos se o nosso destino está longe ou perto. O farol tem essa mesma função. Um barco que percorra paralelamente a costa portuguesa tem de saber onde se encontra. Essa localização pode adquirida apenas por olhar para o farol durante o dia e consultar o livro dos faróis para saber qual se trata, ou à noite, vendo o seu sinal luminoso que (e esta não sabia) o distingue de todos os outros por produzir três lampejos luminosos de 14 em 14 segundos (esta ultima informação dita mais tarde no próprio farol)."

Aqui fica a sua breve história:
«Em 1866 foi reconhecido da necessidade de um farol em Leça dada as dificuldades de naufrágio ocorridos na então denominada "costa negra". Em 1925 procedeu-se à encomenda de um grande aparelho de rotação onde a fonte luminosa era de incandescência pelo vapor do petróleo. O Farol de Leça entrou em funcionamento em 15 de Dezembro de 1926 e 24 anos mais tarde, em 1950, seria dotado de um ascensor para acesso à lanterna. Tem uma altura de 46 metros e a sua luz, foto voltaica, de cor branca, alcança aproximadamente 28 milhas náuticas (52 quilómetros)

Chegou a altura de, pela primeira vez, subir os tais 46 metros. Felizmente que havia o ascensor...
Mas não seria para mim mas sim para o senhor faroleiro que o encontraria lá em cima depois de subir os cansativos 213 degraus!



Aí foi-nos explicado as características da lâmpada e do sinal luminoso que o distingue dos outros faróis, algo já dito anteriormente e após algumas perguntas, o sr. Faroleiro teve a ideia de ligar
a lampada e de nos esturricar.
Pensei eu que seria isso que nos ia acontecer visto o alcance de 52 quilómetros desta. Mas não, pois os espelhos do aparelho de rotação de 3º ordem que origina os tais 3 lampejos luminosos, refracta os raios de luz vindo da lâmpada numa única direcção mas apenas após 10 metros e aí sim, se tivéssemos a essa distância ficaríamos no mínimo cegos.



A visita estava a terminar mas ainda tivemos a oportunidade de sair para uma varanda e contemplar a vista não só da cidade como do belo mar. Pela primeira vez presenciei um vento que quase me proibia de andar. Foi incrível!





E recomendo que façam esta visita! Não percam esta oportunidade agora no Verão!

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