sábado, 9 de junho de 2007

Maison 'Jules Verne'


À tarde foi a vez de visitar a casa da Torre no nº2 da rua Charles Dubois.


Não será preciso dizer que cumpri o horário de abertura. Estando algum tempo no jardim exterior deparei-me com a beleza da sua casa e da torre, como também da magnífica pintura na parede traseira do museu. Esta casa tinha sofrido obras no valor de 3 milhões de euros no ano do centenário (2005) e cá de fora podia dizer que tinha valido a pena. Estava como nova.
 


A recepção, onde se encontram revistas/livros de consulta e os “souvenirs”, foi no tempo de Verne a sua cozinha. Foi aí que me apresentei como sendo um português apaixonado por Verne (mostrando a minha t-shirt feita propositadamente para esta viagem), sendo esta a principal razão da minha vinda a esta cidade.
Foi-me explicado qual o trajecto a seguir dentro da casa, passando para as minhas mãos um caderno com uma breve explicação de cada divisão. Infelizmente, não foi permitido tirar fotografias nem filmar o seu interior (depois percebi que haveria um livro à venda com fotos interiores) mas poderão acompanhar esta minha descrição com as fotos disponibilizadas no site da “Maison de Jules Verne”.


Na 1ªfoto panorâmica têm uma vista da casa e da sua torre já no interior da propriedade. Podemos ver o portão da entrada do lado direito, a porta da recepção (antes cozinha) do lado esquerdo e em frente uma vista para o jardim interior.


Agora a partir da 2ª foto, podemos ver a espectacular pintura das máquinas maravilhosas de Verne desenhada pelo francês François Schuiten e ter uma maior noção da entrada da recepção.
Já dentro de casa, começamos a nossa visita pelo hall de entrada, vendo com mais pormenor o seu jardim interior.
 

De costas para o jardim exterior podemos ver um busto de Júlio Verne e à sua esquerda a entrada para sala de jantar. Infelizmente não nos é possível visitá-la virtualmente, porém poderão lá encontrar uma mesa de jantar como também um serviço de jantar com as iniciais JV lá gravadas. Passando para a divisão seguinte, entramos na sala da música. Lá encontramos, para além do piano de Júlio Verne, quadros pintados do casal Verne como também da sua irmã Marie. Era aqui que o casal Verne dava as suas festas.

Passamos agora para outra divisão não visitada pelas fotos panorâmicas. Trata-se uma pequena sala de fumo onde Verne e os seus amigos fumavam e conversavam depois de uma belo jantar. É possível ouvir-se através de uma gravação, barulhos de homens a conversar imitando um dia movimentado em sua casa. Podemos também reparar num quadro com a foto do escritor como também as suas certidões de nascimento e casamento.
 

Saindo desta divisão, entramos, na por mim chamada, divisão do “Great Eastern”. Este foi o nome do navio, o maior da altura, onde Verne atravessou o atlântico rumo a New York e às Niagara Falls. Esta viagem feita com o seu irmão Paul, serviu de inspiração à obra “A Cidade Flutuante”. Neste quarto é-nos possível ver uma miniatura deste navio, 1ªs edições do livro acima citado como também fotos da construção do navio, presenciada por Verne, em Inglaterra.

Subindo para o 1º andar, encontramos as divisões aonde em tempos se localizavam os quartos da família Verne. Estas divisões foram transformadas na biblioteca Hetzel (editor de Jules Verne),no seu escritório de Paris e na sua sala de estar. Nesta ultima foto, podemos encontrar o sofá de Hetzel onde se sentaram alguns dos mais conhecidos escritores de toda a França, George Sand, Jules Verne, Victor Hugo, Alexandre Dumas, entre outros, e apreciar os posters dos lançamentos das obras de Verne editadas por Hetzel.


No 2ª andar, podemos visitar o interior do seu navio “Saint Michel III ancorado em Le Crotoy", onde viveu entre 1865 e 1869, sempre acompanhado com o ruído de fundo do porto de mar. No seu último ano em Crotoy, Verne começou a escreveu a sua novela “20000 Léguas Submarinas”.

Neste piso, temos finalmente a oportunidade de visitar o seu local de estudo, isto é, a sua biblioteca. Nesta divisão podemos observar os grandes mapas-mundo na sua secretária que eram utilizados nas suas pesquisas. No outro lado da sala podemos pisar um grandioso mapa onde Verne traçou o trajecto de “Robur, o Conquistador”.


Por último, devido ao seu pequeno espaço apenas podemos ver da porta o seu local de escrita. Jules escrevia desde as 5 horas até às 11 da manhã e procedia depois a uma sesta na pequena cama de ferro junto à secretária. Nesta divisão podemos ver um dos globos pertencentes a Verne como também o seu material de escrita. Mais uma vez temas a oportunidade de ouvir um barulho de fundo, sendo caso o som da caneta a escrever no papel como também o tossir do "suposto" escritor.


Subindo agora para o quarto e último piso, temos a oportunidade de vermos o sótão de sua casa. Aqui estão colocados alguns presentes recebidos, posters de filmes e teatro, fotografias antigas, jogos, marionetas, quadros, recortes de jornais (aquando da sua morte), as suas bengalas, e pendurados no tecto, os modelos das suas máquinas maravilhosas como o “Epouvante” e o “Albatroz”.
 

Depois de visitarmos o sótão, temos agora a oportunidade de descermos os quatro pisos através da torre da casa e apreciarmos, a meio da descida, um modelo do “Columbiad” (Da Terra à Lua).
A nossa visita à cidade de Júlio Verne tinha acabado. Só me restava agora guardar estas belíssimas recordações.

No dia seguinte voltaria a Beauvais afim de apanhar o meu transporte para casa. Mas que fazer na manhã do meu último dia? Sim, voltaria novamente à sua casa. Logicamente, fui reconhecido pelos seus funcionários, talvez devido ao meu entusiasmo na visita, e foi-me oferecido, desta vez, a entrada na sua casa.
Obviamente, li e reparei em objectos (fotos, quadros, medalhas, diplomas, etc) que tinham passados despercebidos na minha primeira visita, mas que, agora sem a vontade de passar rapidamente para a próxima divisão, tive o prazer de os apreciar devidamente.

Gostaria, por último, de fazer um comentário pessoal acerca desta casa-museu como da cidade de Amiens.
Começando pela casa, gostaria de dizer que esteve para além das minhas expectativas. Quando o funcionário me explicou qual o caminho a seguir, pensei que me iria acompanhar afim de não tocar, pegar seja no que for. Mas não! Tive total liberdade (sempre acompanhado pelas câmaras de segurança) de tocar nos vários objectos de Verne como as suas poltronas, piano, móveis, etc...
Porém, a casa-museu chama-se “Maison de Jules Verne” e não “Maison de Jules Verne et Bureau de Pierre-Jules Hetzel”. Não estou a dizer que não gostei de ver o seu escritório, a sala de estar e a sua biblioteca mas talvez fosse mais interessante apreciar os quartos do casal Verne e do seu filho Michel.

Falando agora da cidade, surpreendeu-me o facto de grande percentagem das pessoas que tive contacto, mostrar desconhecimento pelo facto de Júlio Verne ter vivido lá durante 34 anos e estar sepultado no cemitério da cidade. Além disso, como já referi, é pouco o cuidado nos monumentos relacionados com o escritor. É pena.
Verne em 1893 disse: "O grande desgosto da minha vida foi jamais ter sido reconhecido na literatura francesa." 114 anos depois, digo que o meu desgosto é não ver Júlio Verne a ser reconhecido em Amiens.

As fotos interiores da casa retiradas do site Amiens.fr.

4 comentários:

Fred disse...

Uma fantástica que eu jamais esquecerei!

Se alguém quiser algo mais sobre a cidade, casa de Verne, hoteis, etc... não hesite em perguntar-me!

susana disse...

Tive o prazer de te ir ter contigo ao aeroporto e ver-te chegar de tão importante e especial viagem. Contaste-me ao "vivo" alguns factos que estão aqui descritos, fazendo-me rir quando contou o incidente do aeroporto, caricata essa situação.
Tive tambem oportunidade de ver as filmagens e fotos e ter um guia excepcional (o Fred) que durante a vista das mesmas me descrevia tudo, dando a noção de que tinha "decorado" tudo daquela viagem. Recordações essas que de certeza ainda permanecem na sua mente e permanecerão.
Em relação ao post em si está muito bem escrito e bastante descritivo e para mim neste (post) também consegues trasmitir as diferentes emoções e sentimentos que sentiste nos diversos momentos.
Fiquei muito feliz juro, por teres realizado esta viagem e concretizares mais um dos teus sonhos relacionados com este escritor.
Depois temos que ir (os dois) ao restaurante Jules Verne que se encontra em Paris na Torre Eiffel :)

Mister X disse...

Olá, amigo! Tens fotos em detalhes das mãos da estátua de mármore da sepultura de Verne? Frente, lados, palma... estou fazendo uma pesquisa e não encontro tais figuras em boa resolução e zoom adequado. Caso não tenhas, podes descrever se a palma da estátua tem uma linha horizontal (como as estátuas de Buda) ou duas? Muito grato!

Frederico J. disse...

Viva

Acho que tenho duas fotos que lhe poderã interessar. Em breve colocarei um post sobre Amiens onde poderá descarregar as fotos que desejar.

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