segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O génio verniano Karol Zeman

Karol Zeman (1910-1989) foi o fundador do cinema checo de animação. A sua refinada técnica de animação que combinou magistralmente actores reais com marionetes e gravações da época, dão aos filmes esse toque mágico que fez tão populares as suas produções, destacando-se entre elas a sua pequena colecção O fabuloso mundo de Jules Verne.


O primeiro filme verniano foi Cesta do pravěku (Journey to the Beginning of Time) em 1955, inspirado na obra de Verne, Viagem ao Centro da Terra, e com pintura de Zdeněk Burian.



A obra Em frente da bandeira motivou o mestre do cinema checo Karel Zeman a realizar em 1958, um filme intitulado Vynález zkázy (A Deadly Invention). Zeman transformou este filme num dos maiores êxitos da cinematografia checa.


Com legendas em português

Quase 10 anos depois, em 1967, Zeman filma Ukradená vzducholoď (The stolen Airship), inspirado em duas obras do escritor, Dois Anos de férias e A Ilha Misteriosa, no estilo Art Nouveau e na 1891 Prague Centennial Exhibition.


Com legendas em inglês

Na kometě (On the Comet) foi a quarta e última adaptação de J. Verne (Hector Servadac) dirigida por Karel Zeman, em 1970. Tal como nos outros três filmes/adaptações de Verne, Zeman combina soberbamente ação ao vivo com animação ao estilo de xilogravura. Uma obra prima!


Com legendas em inglês

Sem dúvida, um grande génio!

1 comentário:

Rui Resende disse...

A animação checa dos anos 60 é interessante. Havia talento, e uma vontade interessante de explorar, tentar coisas novas. Para além disso, os checos eram provavelmente o povo mais activamente descontente de todos os estados soviéticos satélite. Quando este filme saiu, a primavera de Praga estava quase a acontecer, o país fervia com tensão e vontade de mudança.

As mentes criativas normalmente fervem a temperaturas mais altas em contextos desses. Por isso, assumo que alguma metáfora de procura da liberdade pode ser entendida com esta história. Voar para longe, território de escapatória, a procura de lugares onde podemos experimentar aquilo que em casa é impensável. Os intelectuais que não colaboram com os regimes do outro lado da cortina estavam a ter maus momentos. Isto seria uma metáfora adequada, na linha daquilo que Svankmajer também estava a fazer.

Para além disso, escolher Júlio Verne, tão adorado por este realizador, é em si mesma um comentário ao tipo de efeito que ele estava a tentar alcançar. O motivo pelo qual adoramos Verne é a inventividade da ficção científica que ele propõe. Ele não escrevia f.c. como Philip Dick, em que o outro mundo científico é o enquadramento para uma exploração inteligentemente concebida das coisas próximas a nós, no nosso mundo “real”. Pelo contrário com Verne tem tudo a ver com o mundo que ele descreve, em termos físicos, a verosimilhança da proposta científica, viver nesse mundo, como definido pelo escritor. Ele dá-nos a sedução do hiper realismo, a sensação que aquilo que estamos a ler poderia ser possível (na verdade muito do que ele escrever acontece hoje em dia), envolvido na fascinação por um mundo paralelo fantástico. Sobre tudo isto, experimentar é basicamente o que conduz este tipo de criadores.

O problema do filme Ukradená vzducholoď (The stolen Airship) é que os códigos que usa estão ultrapassados. Não me relaciono com a apresentação visual do filme. Este mundo soa plano e nada fascinante hoje. Há sensibilidade visual aqui, na forma como a animação e a acção real são misturadas, a forma como a tonalidade amarela é aplicada para unir todos os pedaços. Houve muito esforço aplicado aqui, e pode ter funcionado nos seus dias. Mas agora não. É um grito de liberdade, e sentimos isso ainda hoje, e nesse aspecto, é bom. Como filme, penso que há outras aventuras que merecem mais ser vividas, outras viagens mais úteis para fazer.

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