sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Uma casa para J. Verne

Cento e seis anos depois da morte do escritor de “Viagem ao Centro da Terra”, “Volta ao Mundo em 80 Dias” e “Da Terra à Lua”, surgiu um empreendimento digno de toda aquela criatividade. Certamente o francês J. Verne teria gostado da edificação apresentada pelos russos Alexander Remizov (Arquitetônico) e Lev Britvin (Soluções Energéticas) da empresa Remistudio para o Programa “Arquitetura de Auxílio contra Desastres” da IUA – International Union of Architects (UIA – União Internacional de Arquitetos): o Projeto Arca.

Imagem @Felix Radar

Segundo o Arquiteto, a Arca é um prédio com concepção bioclimática que pode resistir a maremotos, terremotos, furacões e outros desastres naturais. Ainda por cima, durante um desses momentos extremos, o prédio pode se manter de forma autônoma, pois apresenta sistemas independentes de suporte a vida com ciclo fechado. Sua construção teria um ciclo de construção muito rápido devido ao sistema estrutural proposto (com os seus anéis de madeira compactados) e seria erguido tanto na terra como na água.

A construção tem um formato de concha com a combinação de arcos e cabos, o que permitiria uma resistência a terremotos devido a uma melhor distribuição de cargas. O prédio utiliza a coleta de águas pluviais e painéis solares para produção de energia (favorecido pelo formato angular de sua cobertura). A robustez estrutural é garantida pelo comportamento de compressão dos arcos de madeira e do tensionamento dos cabos de aço. Com uma estrutura quase transparente, a incidência solar é filtrada para os ambientes internos por meio da aplicação de uma película de ETFE (etil-tetrafluoretileno) com capacidade de autolimpeza, reciclabilidade, e que apresenta maior economia, leveza e durabilidade que o vidro. A versatilidade de sua construção em qualquer ambiente natural é dada pela sua estrutura de subsolo, ainda em formato de concha, sem bordas ou ângulos vivos.
O prédio tem um sistema único de energia. Seu formato de cúpula cria uma atmosfera superficial “turbolenta”, auxiliando o funcionamento do gerador eólico no cume. O mesmo formato permite que, internamente, o calor concentre-se na parte superior, sendo coletado em acumuladores elétricos e de hidrogênio, fornecendo energia de forma ininterrupta independente das condições externas. Além disso, o calor do local onde ele estiver – água ou solo – também é agregada ao sistema.

Segundo Alexander Remizov, toda a vegetação empregada é selecionada de acordo com os princípios de iluminação, compatibilidade e eficiência na produção de oxigênio, além do favorecimento na criação de ambientes atraentes e confortáveis. Vejam as outras imagens:


Imagens @Remistudio

Impossível não vincular este projeto ao Nautilus criado por Júlio Verne no seu clássico “20.000 Léguas Submarinas”, onde o famoso Capitão Nemo guiava seu submarino pelos recôndidos do mundo. Independente dos palpites e opiniões sobre as mais diversas teses do aquecimento global, é muito interessante que existam alternativas ao modelo atual de habitação, mesmo que venham de excertos da fantasia autoral, da ficção científica ou da arquitetura fantástica em um admirável outro mundo…

Artigo escrito e cedido gentilmente por Arq. Carlos Krebs do blog Sustentabilidade em Construção (krebsarquitetura.com.br).

1 comentário:

Anónimo disse...

muito legal mesmo , so muito fa dos livros do julio verne
1º verniano a comentar o/

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