sábado, 24 de maio de 2008

Conversa com António Lobo Antunes

Muitos se devem ainda lembrar de, no passado mês de Dezembro, ter colocado aqui no blog um excerto de uma entrevista ao magnífico escritor português cogitado para o Nobel de Literatura, António Lobo Antunes, no canal Globo (Brasil), onde este cita favoravelmente o escritor francês Júlio Verne. Se não o viram, ou se o querem relembrar vejam aqui o vídeo.

Sabendo que Lobo Antunes se deslocava no dia de hoje à 78ª Feira do Livro da minha cidade, Porto, concluí que seria uma excelente oportunidade, não só para me autografar um livro, como também para tentar conversar um pouco com ele a respeito de um dos grandes escritores de sempre que ele admirava, J. Verne.

Lá, esperei ansiosamente pelo momento e, 15 minutos antes da hora marcada, chegava o escritor, ficando rapidamente rodeado pelos órgãos de comunicação televisivos.
À hora, e com o seu característico cigarro na mão esquerda, iniciou uma pequena palestra de duração a rondar os 5-7min onde disse, com a sua frontalidade, que:

"Sou escritor e quem quiser o ser para ser famoso ou ganhar dinheiro é melhor ir para cantor. Felizmente que se lê cada vez mais em Portugal, e isso é bom, pois só as mentes que não lêem são controladas pelos outros. Mas não se ganha muito dinheiro a escrever e só somos famosos se, no meu caso, fizerem o favor de nos dar prémios. Nunca gostei de os receber, pois não gosto de aparecer, e só os faço por vocês que me ajudaram. É a minha forma de agradecimento a todos aqueles que gostam de mim, que lêem os meus livros.
Por isso, irei estar aqui até ao último livro para autografar. Tragam os livros que quiserem, quantos quiserem e façam todo o tipo de perguntas que eu responderei como quiser!
Muito obrigado a vocês por tudo."




Foi altura de escolher um livro mas qual seria? Tinha o Manual dos Inquisidores em casa e por isso esse estava fora. Restavam outros livros muitos deles desconhecidos para mim inclusive o último O meu nome é Legião. Inclinei-me para ele mas questionava-me ao mesmo tempo, e se o escritor me pergunta "O que te fez optar por este livro?", eu não queria responder o que a maioria faria nessas circunstâncias dizendo "Porque é o último!" ou "Porque já vai na **ª edição". Não, queria um que me dissesse algo e após algum tempo, encontrei-o.
Não poderia ter encontro livro melhor para mim. Eu, um amante do meu país, dos portugueses e da sua cultura, segurava o livro O Esplendor de Portugal. Não só o título me tinha "chamado" como também a sua belíssima capa onde estava uma belíssimo foto de amor e de saudade... Tinha já com certeza algo para responder caso o escritor me questionasse.
Sem saber, a minha sorte começara aqui...


Com o livro na mão, dirigi-me para a longa fila que já se fazia sentir junto do escritor.
O meu corpo tremia por dentro com medo de não saber o que dizer, de me atrapalhar todo ou de nem conseguir dizer qualquer palavra. À medida que me aproximava de tal ilustre pessoa, ficava pior, em pânico, com a certeza absoluta que ia "fazer asneira".
O leitor à minha frente saiu e ali estava eu frente-a-frente com o grande escritor português. Além disso, admirava-o muito pois ele não tinha medo de dizer quais as suas influências literárias, de quem gostava e admirava.




Cumprimentei-o, e sem mais nada dizer, estiquei-lhe o livro. Após ter olhado para ele durante breves momentos (pelo olhar pensativo na direcção da obra penso que terei sido o primeiro a apresentar-lhe tal livro até àquele momento) perguntou-me, "diz lá se não escolheste este livro graças a esta belíssima foto?" "Sem dúvida," respondi-lhe eu, "é uma belíssima imagem!".
Tinha conseguido! Sem saber, tinha-me posto "à vontade" e tínhamos iniciado "conversa", algo que me teria sido bastante complicado fazer. Aproveitando, nova pausa, avancei "Sabe, tenho um site sobre Júlio Verne e recentemente vi um vídeo de uma entrevista que fez no Brasil da qual gostei muito. Diz-lá que Júlio Verne é uma grande escritor e realmente tem razão. Ele, como o António, também o é." Lobo Antunes, encostando-se na cadeira diz-me: "Sem dúvida, Júlio Verne é um grande escritor....Só de pensar que há tanta merda por aí à venda como acontece aqui na feira..." Continuou "Sabe, ele tem um rótulo de autor infantil/juvenil e é muito mais do que isso...ele é um grande escritor!" "Sem dúvida, e isso entristece-me muito." afirmei.



Após ter dito o meu nome, idade e o que estudava, este sorriu e autografou o livro. Enquanto o fazia, continuei "Disse uma frase curiosa na entrevista: É preciso tomar lições de abismo!". "É verdade", disse-me "Está na Viagem ao centro da terra...Júlio Verne tem frases fantásticas nas suas obras!" afirmou o escritor com um sorriso.
Despediu-se com um aperto de mão e com palavras de boa sorte em tudo. Respondi-lhe com "Foi um prazer conhecê-lo!".
E sem dúvida que o foi...


2 comentários:

José Alexandre Ramos disse...

Gostei muito. Foi criado um link para cá do site não oficial sobre António Lobo Antunes.

PAR disse...

É bom saber que um escritor como Júlio Verne, que deu tao grande contributo à literatura, não está esquecido.
Uma digna homenagem a um grande escritor... Parabéns e continua!

p.s. se quiseres passar também pelo meu blog: www.blogemquestao.blogspot.com

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