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sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Jules Verne - História da Edição Portuguesa (1873-2021) 10 - Os Tradutores entre 1873 e 1938 por Ordem Cronológica

1873 - Gaspar Borges d'Avellar Gaspar Borges de Avellar (20000 Léguas Submarinas – 1ª parte)

1874 – Francisco Gomes Moniz (20000 Léguas Submarinas – 2ª parte), Henrique de Macedo (Da Terra à Lua, À Roda da Lua e Aventuras do Capitão Hatteras), A.M. da Cunha e Sá (A Volta ao Mundo em 80 Dias)

1875 – Francisco Augusto Correia Barata (Cinco Semanas em Balão), Mariano Cirilo de Carvalho (Aventuras de Três Russos e Três Ingleses, Viagem ao Centro da Terra, A Gallera Chancelor), A.M. da Cunha e Sá (Os Filhos do Capitão Grant)

1876 – Gaspar Borges de Avelar (20000 Léguas Submarinas – 1ª parte), Francisco Gomes Moniz (20000 Léguas Submarinas – 2ª parte), Henrique de Macedo (A Ilha Misteriosa)

1877 – Pedro Vidoeira (Miguel Strogoff e As Índias Negras), Mariano Cirilo de Carvalho (O País das Peles), Pedro Guilherme dos Santos Diniz (Uma Cidade Flutuante)

1878 – Xavier da Cunha (Heitor Servadac), A.M da Cunha e Sá (O Doutor Ox), Pedro Guilherme dos Santos Diniz (Um Herói de Quinze Anos), Mariano Cirilo de Carvalho (A Galera Chancellor)

1879 – A.M. da Cunha e Sá (Os 500 Milhões da Begum), Manuel Pinheiro Chagas (A Descoberta da Terra e Os Navegadores do Século XVIII)

1880 – Manuel Maria de Mendonça Balsemão (Atribulações de um Chinês na China), A.M. da Cunha e Sá (A Casa a Vapor)

1881 – Pompeu Garrido (A Jangada)

1882 – Manuel Pinheiro Chagas (Os Exploradores do Século XIX)

1883 – Assis de Carvalho (A Escola dos Robinsons), Mendonça Balsemão (O Raio Verde), Urbano de Castro (Keraban, o Cabeçudo)

1884 – Almeida d’Eça (A Estrela do Sul)

1885 – João Maria Jalles (Os Piratas do Arquipélago), J. Fernandes Costa (Mathias Sandorf)

1886 – Agostinho Sottomayor (O Náufrago do Cynthia), Cristóvão Aires (O Bilhete da Lotaria nº 9762)

1887 – Cristóvão Aires (Robur, o Conquistador e O Caminho da França), Almeida d’Eça (Norte contra Sul)

1890 - J. Fernandes da Costa (Dois Anos de Férias), Lino de Assunção (Família sem Nome), Augusto Fuschini (Fora dos Eixos), Salomão Saragga (César Cascabel)

1891 – Silva Pinto (A Mulher do Capitão Branican)

1894 – Pinheiro Chagas (O Castelo dos Cárpatos)

1898 – Manuel de Macedo (Em Frente da Bandeira), Henrique Lopes de Mendonça (A Ilha de Hélice)

1899 – Higino Mendonça (Clovis Dardentor), Napoleão Toscano (A Esfinge dos Gelos)

1903 – Pedro Vidoeira (A Carteira do Repórter), Aníbal de Azevedo (O Soberbo Orenoco)

1911 – Fernando Correia (Um Drama na Livónia), Henrique Lopes de Mendonça (Os Náufragos do Jonathan)

1912 – Joaquim dos Anjos (A Invasão do Mar e O Farol do Cabo do Mundo)

1937 – José Coelho de Jesus Pacheco (A Aldeia Aérea)

1938 – J.B. Pinto da Silva e Diogo do Carmo Reis (A Agência Thompson e Ca.)

Jules Verne - História da Edição Portuguesa (1873-2021) 9 - Os Tradutores entre 1873 e 1938

Cristóvão de Magalhães Sepúlveda Aires (1853-1930) – Tenente Coronel de Cavalaria, Professor Catedrático da Escola do Exército e deputado. Autor, entre outros, de História Orgânica e Política do Exército Português (1904) e Fernão Mendes Pinto e o Japão (1906)

Joaquim dos Anjos (1856-1918) – Jornalista; autor do Manual do Typógrapho (1886), director da revista O Grande Elias: Semanário Ilustrado, Literário e Teatral (1903-1905)


Tomás Lino de Assunção (1844-1902) – Engenheiro civil, funcionário do Ministério das Obras Públicas e dramaturgo; autor de Os Lázaros (1899) e Eva (1899); escreveu para as revistas Brasil-Portugal: Revista Quinzenal Ilustrada, Serões: revista semanal ilustrada e o jornal O Dia


Gaspar Borges de Avellar (1844-1889) – Escritor e jornalista; escreveu para o jornal portuense, Diário da Tarde


Aníbal Lúcio de Azevedo (1876-1952) – Engenheiro de minas, director da Casa da Moeda e deputado


Manuel Maria de Mendonça Pinto Balsemão (1836-1907) - Tradutor


Francisco Augusto Correia Barata (1847-1950) – Professor Catedrático de Filosofia na Universidade de Coimbra; autor, entre outros, de As Raças Históricas da Península Ibérica (1873) e Origens Antropológicas da Europa (S/D)


Mariano Cirilo de Carvalho (1836-1905) – Político e jornalista; escreveu para o jornal Gazeta de Portugal (1864-1867) e fundou os jornais Notícias, Novidades (1885), Correio Português e Diário Popular


Artur Urbano Monteiro de Castro (1850-1902) – Escritor e jornalista; director dos jornais Correio da Manhã, Diário da Manhã e A Tarde; autor, entre outros, de Rimas Simples (1895) e de Na Aldeia: Comédia em Um Acto (1896)


Manuel Pinheiro Chagas (1842-1895) – jornalista, escritor e político; autor, entre outros, de Poema da Mocidade (1864) e de uma História de Portugal em oito volumes (1869-1874)


José Fernandes Costa (1848-1920) – General de Artilharia e poeta; fundador e redactor único do Almanach Bertrand (1900-1920); autor de O Eterno Feminino: Realismos e Evocações (1910)


Fernando da Silva Correia (1893-1966) – Médico higienista, professor e escritor; autor, entre outros, de Leonor de Lencastre: Tragédia de uma Grande Alma (1932) e Vida Errada: O Romance de Coimbra


Henrique de Macedo Pereira Coutinho (1843-1910) – Professor Catedrático de Matemática na Escola Politécnica de Lisboa; Ministro da Marinha e Ultramar, sócio fundador da Sociedade de Geografia


Xavier da Cunha (1840-1920) – Médico, escritor e poeta; director da Biblioteca Nacional de Portugal (1902-1911); colaborou no jornal Gazeta de Portugal, autor, entre outros, de A Bíblia dos Bibliófilos (1911)


Pedro Guilherme dos Santos Diniz (1829?-1896) – Poeta e escritor; autor do poema Vozes dos Animais e, sob o pseudónimo de Amaro Mendes Gaveta, de As Folhas Caídas Apanhadas a Dente e Publicadas em Nome da Moralidade (1854), uma sátira à obra de Almeida Garrett, Folhas Caídas


Vicente Almeida d'Eça (1852-1929) – Militar, historiador e oceanógrafo; autor, entre outros, de Luís de Camões Marinheiro (1880) O Infante D. Henrique e a Arte de Navegar dos Portugueses (1894)


Augusto Maria Fuschini (1843-1911) – Engenheiro civil, pintor e aquarelista; Autor, entre outros, de O Presente e o Futuro de Portugal (1899) e A Arquitectura Religiosa na Idade Média (1904)


João Maria Jalles (?-?) – Militar, Professor Catedrático de Artilharia e escritor; autor dos volumes Geologia, Mineraologia, Gravidade, Trigonometria e Mecânica da colecção Biblioteca do Povo e das Escolas da Editora David Corazzi


Manuel Maria de Macedo (1839-1915) – Pintor, cenógrafo e ilustrador; co-fundador e director artístico da revista Occidente (1878) e autor de Restauração de Quadros e Gravuras (1885), o primeiro livro sobre restauro e conservação de pintura editado em Portugal


António Higino de Magalhães Mendonça (18??-1920) – Pintor, jornalista e crítico de arte; colaborador do jornal Novidades


Henrique Lopes de Mendonça (1856-1931) – Militar, historiador e arqueólogo naval; autor, entre outros, de Sangue Português: Contos de Outro Tempo (1920) e Vasco da Gama na História Universal (1925)


José Coelho de Jesus Pacheco (1894-1951) – Militar, empresário do ramo automóvel e poeta; colaborou com as revistas Renascença (1914) e Correio Ilustrado (1916)


António José da Silva Pinto (1848-1911) – Escritor e dramaturgo; autor, entre outros, de Contos Fantásticos (1875) e O Padre Gabriel, Drama Original em Três Actos (1878)


Salomão Bensabat Saragga (1845-1900) – Proprietário e editor da revista Os Dois Mundos: Illustração para Portugal e Brazil (1877)


António Manuel da Cunha e Sá (1854-1909) – Director dos serviços de correio na estação central de Lisboa; escritor de romances históricos; autor, entre outros, de Da Parte D’El-Rei (1873) e Da Parte da Rainha (1874)


Agostinho Barbosa de Sottomayor (1845-1923) – Juíz


Pedro de Alcântara Vidoeira (1834-1917) – Escritor, jornalista e crítico cultural; autor, entre outros, de A Fidalga do Juncal (1904) e Nova Lírica Popular (1913)


* Não foi possível encontrar informação biográfica concreta referente aos seguintes tradutores: Pompeu Garrido, Francisco Gomes Moniz, Diogo do Carmo Reis, Napoleão Toscano e J.B. Pinto da Silva.

Tradutores de Jules Verne - JV e a Wikipédia. Onde se Desmonta o Mito do seu Primeiro Tradutor Português

Templo de saber do nosso tempo, a Wikipédia é uma das maiores fontes de acesso à informação e ao conhecimento na era digital. Se esta (muito) parcial Biblioteca de Alexandria existisse no seu tempo de vida, Jules Verne não só ter-se-ia perdido, maravilhado, dias a fio pelas suas páginas, como certamente lhe teria sido muito útil como ferramenta de pesquisa para a escrita das suas obras.

Porém, dado que qualquer utilizador registado pode editar o conteúdo de uma página, pelo menos na sua versão portuguesa, a enciclopédia livre nem sempre está livre... de mitos. É o caso deste que se encontra na página da Wikipédia dedicada a Mariano Cirilo de  Carvalho [https://pt.wikipedia.org/wiki/Mariano_de_Carvalho].


Mariano Cirilo de Carvalho (1836-1905)


Nela pode ler-se textualmente: "Foi o primeiro tradutor para português das obras de Júlio Verne". E como uma mentira muitas vezes repetida torna-se (uma falsa) verdade, esta afirmação tem feito o seu caminho pelos diversos motores de pesquisa da internet e ajudado a alimentar um mito reproduzido em várias páginas da web [https://toponimialisboa.wordpress.com/2017/09/27/a-rua-do-conselheiro-mariano-de-carvalho-professor-da-escola-politecnica/] e, inclusive, em alguns artigos científicos dedicados à presença de Verne em Portugal.

É quase impossível saber como começou a circular a ideia de que coube a Mariano Cirilo de Carvalho iniciar o público português na obra de Verne, mas há uma hipótese plausível: o livro de memórias publicado pela sua filha, Maria da Conceição da Cunha Carvalho. Terá nascido aqui o mito?


1946, Lisboa Ottosgráfica

A resposta é: não. Eis as fotos das duas únicas páginas da obra em que se faz referência a Verne.




Em nenhuma delas surge a afirmação de ter sido Mariano de Carvalho o primeiro tradutor português de Jules Verne. 

Mariano de Carvalho foi, efectivamente, uma figura bastante activa na vida pública portuguesa da segunda metade do século 19, tanto no jornalismo como na política, além de ser um reputado lente (a designação à época para professor universitário) de matemática na Escola Politécnica de Lisboa. 

Como tradutor de Verne, se de alguma competição se tratasse ou se algum pódio houvesse, o pretensamente afamado "primeiro tradutor português" do escritor francês não chegou à meta em primeiro, nem sequer em segundo lugar. Foi responsável, sim, pela tradução da sexta e da sétima obras Vernianas a serem editadas em Portugal, Aventura de Três Russos e Três Ingleses e Viagem ao Centro da Terra e A Galera Chancellor em 1875. Traduziu, posteriormente, O País das Peles (1877). 

Nos posts seguintes, de uma vez por todas, vamos desvendar o enigma do(s) primeiro(s) tradutor(es) português(es) de Jules Verne.