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domingo, 13 de junho de 2010

Mais uma homenagem a J. Verne em Espanha

Muitos se lembram, com certeza, de duas visitas minhas, uma em 2007 e outra em 2008, a dois monumentos em Espanha dedicados a Júlio Verne.
No entanto, até ao dia de ontem pensava que eram os únicos em território espanhol mas, para minha surpresa, revelaram-me mais um.

Formentera é um município da Espanha na província e comunidade autónoma das Ilhas Baleares. É a mais pequena e menos desenvolvida das ilhas Baleares. Formentera ainda permanece a salvo do turismo de massas e oferece ao visitante óptimas praias emolduradas por penhascos rochosos e banhadas por um mar límpido e azul. É excelente para passeios a pé ou de bicicleta e para ter umas férias tranquilas.

A capital, Sant Francesc. é pouco mais do que uma aldeia grande e atraente com uma igreja do século XVIII na praça principal e um interessante Museu Etnológico.
De Sant Francesc, uma estrada estreita conduz à extremidade sul da ilha, Cap de Barbaria, com um farol isolado na ponta e uma torre defensiva do século XVIII.
Outro farol, de La Mola, ergue-se na extremidade oriental da ilha, no planalto de La Mola, juntamente com um monumento em honra do escritor francês Júlio Verne, que utilizou a ilha como cenário para uma das suas obras e onde a considerava como um lugar mágico.

Mas qual a obra que J. Verne usa Formentera como cenário e que o levou a ser homenageado?
Héctor Servadac é um oficial francês que, estando em Formentera, presencia um terremoto que sacode a ilha. Ele, depois de voltar a si, descobre que algo estranho se está a passar.

Aqui algumas fotos da sua homenagem em Formentera:


Novelista genial y profeta de la Ciencia eligió este lugar para el desarrollo de su novela Hector Servadac Viaje a traves del Mundo Solar … ”

Fica a esperança que um dia se faça uma homenagem a J. Verne em Portugal, país que visitou duas vezes.

Fotos do site Cyberhades e cedidas gentilmente para o Blog JVernePt.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Capitão Nemo na baía de Vigo

Como prometido no tópico referente à nova estátua que descobri perto de Vigo, onde é homenageado mais uma vez Júlio Verne através da personagem Cap. Nemo, fui no passado sábado visitá-la à pequena cidade espanhola de Redondela.

Li (e comprovei pelas fotos) que a estátua se localizava relativamente perto do areal da praia. No entanto, após a percorrermos de um extremo ao outro foi-nos impossível ver tal monumento. Procuramos e nada. Decidimos então perguntar à população (fiquei surpreendido por toda a gente conhecer o Capitão Nemo) e todos apontavam para o mesmo sítio mas nada se via. Fomos então até ao limite do areal e, contra o sol, lá o conseguimos ver mas muito longe. Foi-nos então explicado que a maré estava alta e por isso nos parecia impossível de alcançar. No entanto, quando a maré está baixa, o areal é muito mais extenso sendo possível tocar-lhe, explicou-nos um dos transeuntes.
Com a ajuda da máquina fotográfica e graças ao seu excelente zoom, foi possível tirar a seguinte foto:


Podem comprovar na foto a maré-alta, porém há também um pormenor interessante de se observar. Logo por baixo da estátua, mas ainda na pedra, é nos possível ver um grande “N”. Inicial de “Nautilus” e “Nemo”!
Nemo estava lá mas, e o seu Nautilus?
Quase por acaso apercebi-me de uma placa de bronze atrás de mim. Pensei que seria com certeza de alguma informação relativamente à praia onde estaria normas como não colocar lixo, usar trela nos cães, respeite a cor da bandeira, etc… Mas numa placa de bronze?Achei bastante estranho e então fui na sua direcção.
Para minha surpresa, era uma belíssima placa de homenagem a Júlio Verne (e ao seu personagem) onde se explicava o porquê da estátua naquele local (Baía de Vigo). E….lá estava o Nautilus!


Para além da imagem em relevo do submarino, é-nos dito que “O Capitão Nemo (Ninguém em latim) e a sua tripulação do submarino Nautilus no século XIX atracaram nesta enseada de San Simon para recuperar o tesouro dos Galeões afundados em Rande, com o fim de ajudar os povos do planeta, na sua luta pela liberdade.”
Mais em baixo está um excerto do capítulo VIII “A Baía de Vigo” da obra “20000 Léguas Submarinas” de Júlio Verne (1828-1905): “Estamos na baía de Vigo e compete-nos investigar-lhe os mistérios.”

Ideia de Ramón Lasta e escultura de Sérgio Portela, esta efeméride foi inaugurada em 2004 pelo Presidente da Galiza Manuel Fraga Iribarne pelo 301º aniversário da batalha de Rande (Mais informações da batalha no capítulo do livro acima mencionado).


Deixo também uma foto não tirada por mim (encontrei-a na Wikipédia) da estátua quando a maré se encontra baixa. Podemos ver também os escafandros (submersos quando lá me encontrava) com alguns homens da tripulação que se iriam “ocupar de esvaziar das barricas meio podres e caixas arrombadas, as barras de ouro e prata, cascatas de piastras e de jóias” dos galeões afundados.


Mais uma estátua sobre Verne em Espanha (apenas pela referência da baía de Vigo) e em Portugal, onde permaneceu 3 dias em cada uma das duas visitas, apenas foi realizado (proposto por mim) um selo como homenagem.
É de relembrar que este ano, para além do 180º aniversário do seu nascimento, faz 130 anos que o escritor visitou Portugal pela primeira vez.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Fresco de Júlio Verne em Nantes

Embora não tenha ocorrido em terras lusófonas, decidi partilhar com vocês um fresco de Júlio Verne pintado numa edifício na sua cidade de infância e juventude, Nantes.

Este fresco foi concluído no final do ano e tem por tema o seu nome. Foi realizado sobre uma parede de um edifício na rue de l'Échelle perto da rue de l'Arche-Sècheda.



Jean-Yves Jodeau, pintor de murais em Nantes escolheu retratar Jules Verne na sua cidade natal, cidade que o famoso escritor evoca nas suas lembranças de infância e de juventude. O artista decidiu inserir adicionar as máquinas imaginárias e maravilhosas de Jules Verne, pois permite também evocar a sua obra romancista.
"O muro de antemão é preparado com um revestimento à cal. O fresco cobre toda a superfície do muro de um comprimento de catorze metros por doze de largura.", referiu o artista. Esta frase foi retirada de um artigo de 27 de Novembro de 2007 onde concluía que "os traçados devem começar em breve e o fresco deverá estar terminado no início do ano próximo."
Felizmente o mural ficou terminado antes, o que reforça quando dizemos que "Jules Verne esteve sempre à frente do seu "tempo"".
Até aqui se provou...ehehe!

Fonte: Presse Océan

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Homenagem a Verne em Vigo

Foi esculpida em Vigo (Espanha) no ano de 2005, aquando do centenário da morte do autor, uma estátua de Júlio Verne em bronze.
Infelizmente, apenas há duas semanas tive conhecimento da sua existência e por isso só agora a pude visitar.
Trata-se duma homenagem que a cidade de Vigo realizou a Júlio Verne (no centenário da sua morte), pela referência da baía de Vigo no capítulo VII do seu livro “20.000 léguas submarinas”, como também pela sua passagem na cidade em 1878 e 1884 aquando da viagem de Verne à nossa capital.




Se pretende reproduzir a foto no seu blog/site, por favor cite a fonte.

A estátua, esculpida por José Molares (1961-...), tem 4 metros de largura, 2 de fundo e 1, 75 de altura e representa o escritor francês sentado sobre os tentáculos de uma lula gigante.

Segundo explica o autor, para levar adiante o projecto inspirou-se nas lembranças que tinha de pequeno, "lembrei-me do capitão Nemo e da lula gigante. Por isso decidi sentar o escritor sobre uns tentáculos, dando um maior protagonismo à peça."

Está localizada nos jardins de Montero Ríos, entre o edifício administrativo e o Clube Náutico e foi doada à cidade pela Associação de Mulheres Empresárias de Pontevedra.

Porque não uma homenagem em Lisboa?

Júlio Verne, como disse atrás, visitou o nosso país em 1878 e 1884, tendo feito escala em Vigo nas duas vezes apesar de na segunda vez ter sido exclusivamente devido a uma avaria no seu iate. Estas paragens e a referência da baía de Vigo em “20000 Léguas Submarinas”, valeu-lhe um magnífica homenagem em Vigo mas, e em Lisboa?

Dessas duas visitas à nossa capital, permaneceu em cada uma delas três dias tendo visitado a cidade e jantado com altas celebridades da época.

Além disso são várias as referências a Portugal e aos descobridores portugueses em algumas das suas obras e por isso me pergunto o porquê de ainda não se ter feito nenhuma homenagem ao autor na cidade de Lisboa, cidade que Verne "mostrou a mais perfeita boa vontade"!

sábado, 9 de junho de 2007

Uma visita a Amiens...

Tinha eu por volta dos 12 anos quando vi um livro numa livraria que me chamou a atenção devido ao seu título enigmático... Era “Viagem ao Centro da Terra” de um escritor de nome Júlio Verne.

Li-o com grande entusiasmo sem quase conseguir parar, sempre acompanhando com as magníficas ilustrações.
Após esta obra comprei “5 Semanas em Balão”, depois “20000 Léguas Submarinas”, “Volta ao Mundo em 80 dias”, etc...
Numa palavra posso dizer que fiquei apaixonado pelas obras deste autor.
Até hoje, ainda não parei de ler as suas obras, tendo cada vez mais admiração pelo mestre Júlio Verne.
As suas obras tiveram um grande significado na minha vida. Foram a partir delas que fui ao pólo norte e pólo sul, atravessei África, desci o rio Amazonas numa jangada, dei a volta ao mundo e até fui à Lua, sem sair do meu quarto. Além disso, as suas obras têm em mim uma grande “força” psicológica, isto é, quando me sinto “em baixo”, infeliz, deprimido, o meu remédio é a leitura de uma obra de Júlio Verne. As suas obras têm o poder de me fazer sentir feliz, de me sentir vivo!
Por isso, decidi que era a altura de lhe agradecer tudo o que fez por mim e nada melhor que o visitar na sua última morada em Amiens (França).
 
 
Levantando voo da minha cidade Natal, Porto, e chegando duas horas depois a Beauvais junto com o meu pai, apanhamos logo um táxi com destino à cidade de Júlio Verne.
À entrada da cidade, junto à linha de caminho de ferro, encontrei a primeira referência ao autor, “Le Cirque Municipal Jules Verne”. Este anfiteatro tem o seu nome desde 2003, devido ao seu discurso como conselheiro municipal, aquando da sua inauguração em 1889.
 
 
Seguindo pela “Boulevard Jules Verne”, uma rua nas traseiras do “Cirque”, foi me possível passar pela frente da casa onde Verne viveu em Amiens (aqui está o porquê do nome da rua) entre 1873-1882 e depois entre 1900-1905, onde veio a falecer. Esta casa, nº44 da antiga rua Longueville, está situada a sul da cidade, no novo bairro de Henriville que, em 1830, surgiu com a demolição das antigas fortificações. Modernas e amplas, estas casas estão voltadas para um grande jardim em torno do qual se justapõem casas todas elas do mesmo estilo. Em frente é possível ver na fossa das antigas fortificações, a nova linha de caminho de ferro Paris-Boulogne-Calais. Na fachada da casa, podemos ver um memorial onde nos é dito que Júlio Verne viveu nesta casa durante 14 anos vindo a falecer no dia 24 de Março de 1905.



Seguindo 100 m para este, encontrei, emocionado, um dos objectivos da minha visita: o “Museé Jules Verne”. Esta casa, conhecida pela casa da torre, foi habitada pela família Verne de 1882 até 1900. Porém devido à hora tardia, não me foi possível a sua visita nesse dia, deixando a sua descrição mais para a frente.
Seguindo 50 metros e atravessando uma rotunda, a qual Verne descreve numa das suas obras, podemos encontrar um pequeno parque verde com o nome “Square Jules Verne”. Lá podemos ver um magnífico monumento, constituído por um busto de Júlio Verne e três crianças lendo as “Voyages Extraordinaires”. Esta obra de arte, realizada em 1908 por Albert Roze, tem a finalidade de homenagear o autor devido à sua capacidade de levar as crianças a um primeiro contacto com a leitura. Porém, devido ao pouco dinheiro disponibilizado e à instabilidade do terreno provocado pela linha de caminho de ferro (neste local subterrânea), este monumento ficou mais pequeno do que o previsto. No entanto, o que me entristeceu foi a pouca limpeza do monumento.
 


Entrando no centro da cidade, por uma rua pedonal, deparamo-nos com o Teatro Municipal do qual Júlio Verne era bastante frequentador. Do original apenas sobreviveu a fachada visto que no seu interior nada mais encontramos do que uma agência bancária.
 
Seguindo pela mesma rua pedonal,“Rue Trois Cailloux”, encontramos o “Hotel de Ville”. Este fantástico e grandioso edifício alberga, traduzindo à letra, a casa da cidade. Verne foi conselheiro municipal durante 16 anos (1888 a 1904). A Câmara Municipal era governada na altura pelo republicano Frederic Petit.



Desde a saída do anfiteatro até aqui, é-nos sempre possível acompanhar a nível visual, a magnífica Catedral Notre-Dame de Amiens. Porém, só após atravessar meia cidade, é que pude finalmente deliciar, sem qualquer obstáculo, a magnífica obra do século XIII (palavras de Verne). Esta cidade, mais concretamente esta catedral (uma das maiores de França no seu estilo), serviu de fonte de inspiração para a descrição da cidade de Ragz e da sua catedral na obra “O Segredo de Wilhelm Storitz”.
 


Voltando ao hotel, ainda tive oportunidade de visitar exteriormente o “Le Musée de Picardie”, onde se encontram algumas obras de arte transferidas da Câmara Municipal a pedido de Júlio Verne afim de toda a população as poder ver, a Biblioteca Municipal onde Verne passava 5 horas por dia, o “Caisse d'Epargne” (Banco da Cidade) onde Verne foi administrador e a praça René Goblet aonde se localizavam os salões que Verne frequentava juntamente com os seus amigos.



Voltando ao hotel, tive a feliz oportunidade de passar por mais uma referência a este escritor, a Universidade Picardie Jules Verne. Já no interior do hotel verifiquei que os seus dois salões se chamavam, respectivamente, Nautilus e Nemo.
 

 O dia seguinte iria ser com certeza o mais especial da minha vida visto que iria visitar o meu “amigo” Júlio Verne à sua ultima casa.

Cimetiére de la Madeleine


Perante o meu pouco sono, devido com certeza à importância da visita ao túmulo, fiz-me à estrada, junto com o meu pai, bem cedo com a esperança de aproveitar bem a manhã no “Cimetière de la Madeleine”. Dois dias antes, ainda em casa, procedi aos cálculos da distância entre o hotel e o cemitério através do programa “Google Earth”. Obtive 2,34km e pensei que poderia fazê-los facilmente a pé. Não poderia estar mais enganado. Sem exagerar, andamos à volta de 10km. Durante o trajecto lembrei-me que procedi, no programa, à medição da distância em linha recta e não seguindo a estrada como deveria ser. Aprendi a lição pois no regresso viemos de bus.

O cemitério, o maior que já entrei, tem 500m de comprimento por 350m de largura. Passando os primeiros 250m cheguei finalmente à porta principal. Com o coração a bater cada vez mais depressa, entrei no cemitério. Optando por um caminho lateral devido à passagem de um carro (pela primeira vez entrei num cemitério onde é possível os visitantes se deslocarem de carro no seu interior) fui lentamente apreciando, com um pouco de nervosismo, as magníficas sepulturas dos séc. XVIII e XIX (a maioria abandonadas dando um ar muito assustador). Chegando a uma intercepção com outra via, segui em frente até que ao longe reparei num homem de mármore de braço esticado a tentar sair da sepultura. Se o meu coração já batia depressa, imagine-se agora! Com um passo agora largo, aproximei-me do túmulo do mestre Júlio Verne. Tinha conseguido! Estava perante o meu mestre.
Sem querer pisar o seu túmulo, estiquei-me e apertando a sua mão com imensa força, disse-lhe: Obrigado!

Tirei imensas fotografias, filmei e até trouxe um pouco de "terra sagrada” junto à sepultura (devido a este bocado de terra, fui revistado no aeroporto pois pensavam que era algum traficante que transportava alguma substância perigosa, mas lá consegui passar sem problema com a minha "terra sagrada" – um episódio curioso). Durante a minha tentativa de recolha de alguma terra (muito difícil pois o terreno é muito duro) reparei no nome quase apagado de sua mulher, Honorine, que também lá se encontra sepultada. Penso que o deveriam realçar pois foi uma pessoa bastante importante na vida do escritor.
Foi realmente um momento emocionante e espero um dia voltar a repeti-lo.

Mais o meu dia ainda não tinha acabado...

Maison 'Jules Verne'


À tarde foi a vez de visitar a casa da Torre no nº2 da rua Charles Dubois.


Não será preciso dizer que cumpri o horário de abertura. Estando algum tempo no jardim exterior deparei-me com a beleza da sua casa e da torre, como também da magnífica pintura na parede traseira do museu. Esta casa tinha sofrido obras no valor de 3 milhões de euros no ano do centenário (2005) e cá de fora podia dizer que tinha valido a pena. Estava como nova.
 


A recepção, onde se encontram revistas/livros de consulta e os “souvenirs”, foi no tempo de Verne a sua cozinha. Foi aí que me apresentei como sendo um português apaixonado por Verne (mostrando a minha t-shirt feita propositadamente para esta viagem), sendo esta a principal razão da minha vinda a esta cidade.
Foi-me explicado qual o trajecto a seguir dentro da casa, passando para as minhas mãos um caderno com uma breve explicação de cada divisão. Infelizmente, não foi permitido tirar fotografias nem filmar o seu interior (depois percebi que haveria um livro à venda com fotos interiores) mas poderão acompanhar esta minha descrição com as fotos disponibilizadas no site da “Maison de Jules Verne”.


Na 1ªfoto panorâmica têm uma vista da casa e da sua torre já no interior da propriedade. Podemos ver o portão da entrada do lado direito, a porta da recepção (antes cozinha) do lado esquerdo e em frente uma vista para o jardim interior.


Agora a partir da 2ª foto, podemos ver a espectacular pintura das máquinas maravilhosas de Verne desenhada pelo francês François Schuiten e ter uma maior noção da entrada da recepção.
Já dentro de casa, começamos a nossa visita pelo hall de entrada, vendo com mais pormenor o seu jardim interior.
 

De costas para o jardim exterior podemos ver um busto de Júlio Verne e à sua esquerda a entrada para sala de jantar. Infelizmente não nos é possível visitá-la virtualmente, porém poderão lá encontrar uma mesa de jantar como também um serviço de jantar com as iniciais JV lá gravadas. Passando para a divisão seguinte, entramos na sala da música. Lá encontramos, para além do piano de Júlio Verne, quadros pintados do casal Verne como também da sua irmã Marie. Era aqui que o casal Verne dava as suas festas.

Passamos agora para outra divisão não visitada pelas fotos panorâmicas. Trata-se uma pequena sala de fumo onde Verne e os seus amigos fumavam e conversavam depois de uma belo jantar. É possível ouvir-se através de uma gravação, barulhos de homens a conversar imitando um dia movimentado em sua casa. Podemos também reparar num quadro com a foto do escritor como também as suas certidões de nascimento e casamento.
 

Saindo desta divisão, entramos, na por mim chamada, divisão do “Great Eastern”. Este foi o nome do navio, o maior da altura, onde Verne atravessou o atlântico rumo a New York e às Niagara Falls. Esta viagem feita com o seu irmão Paul, serviu de inspiração à obra “A Cidade Flutuante”. Neste quarto é-nos possível ver uma miniatura deste navio, 1ªs edições do livro acima citado como também fotos da construção do navio, presenciada por Verne, em Inglaterra.

Subindo para o 1º andar, encontramos as divisões aonde em tempos se localizavam os quartos da família Verne. Estas divisões foram transformadas na biblioteca Hetzel (editor de Jules Verne),no seu escritório de Paris e na sua sala de estar. Nesta ultima foto, podemos encontrar o sofá de Hetzel onde se sentaram alguns dos mais conhecidos escritores de toda a França, George Sand, Jules Verne, Victor Hugo, Alexandre Dumas, entre outros, e apreciar os posters dos lançamentos das obras de Verne editadas por Hetzel.


No 2ª andar, podemos visitar o interior do seu navio “Saint Michel III ancorado em Le Crotoy", onde viveu entre 1865 e 1869, sempre acompanhado com o ruído de fundo do porto de mar. No seu último ano em Crotoy, Verne começou a escreveu a sua novela “20000 Léguas Submarinas”.

Neste piso, temos finalmente a oportunidade de visitar o seu local de estudo, isto é, a sua biblioteca. Nesta divisão podemos observar os grandes mapas-mundo na sua secretária que eram utilizados nas suas pesquisas. No outro lado da sala podemos pisar um grandioso mapa onde Verne traçou o trajecto de “Robur, o Conquistador”.


Por último, devido ao seu pequeno espaço apenas podemos ver da porta o seu local de escrita. Jules escrevia desde as 5 horas até às 11 da manhã e procedia depois a uma sesta na pequena cama de ferro junto à secretária. Nesta divisão podemos ver um dos globos pertencentes a Verne como também o seu material de escrita. Mais uma vez temas a oportunidade de ouvir um barulho de fundo, sendo caso o som da caneta a escrever no papel como também o tossir do "suposto" escritor.


Subindo agora para o quarto e último piso, temos a oportunidade de vermos o sótão de sua casa. Aqui estão colocados alguns presentes recebidos, posters de filmes e teatro, fotografias antigas, jogos, marionetas, quadros, recortes de jornais (aquando da sua morte), as suas bengalas, e pendurados no tecto, os modelos das suas máquinas maravilhosas como o “Epouvante” e o “Albatroz”.
 

Depois de visitarmos o sótão, temos agora a oportunidade de descermos os quatro pisos através da torre da casa e apreciarmos, a meio da descida, um modelo do “Columbiad” (Da Terra à Lua).
A nossa visita à cidade de Júlio Verne tinha acabado. Só me restava agora guardar estas belíssimas recordações.

No dia seguinte voltaria a Beauvais afim de apanhar o meu transporte para casa. Mas que fazer na manhã do meu último dia? Sim, voltaria novamente à sua casa. Logicamente, fui reconhecido pelos seus funcionários, talvez devido ao meu entusiasmo na visita, e foi-me oferecido, desta vez, a entrada na sua casa.
Obviamente, li e reparei em objectos (fotos, quadros, medalhas, diplomas, etc) que tinham passados despercebidos na minha primeira visita, mas que, agora sem a vontade de passar rapidamente para a próxima divisão, tive o prazer de os apreciar devidamente.

Gostaria, por último, de fazer um comentário pessoal acerca desta casa-museu como da cidade de Amiens.
Começando pela casa, gostaria de dizer que esteve para além das minhas expectativas. Quando o funcionário me explicou qual o caminho a seguir, pensei que me iria acompanhar afim de não tocar, pegar seja no que for. Mas não! Tive total liberdade (sempre acompanhado pelas câmaras de segurança) de tocar nos vários objectos de Verne como as suas poltronas, piano, móveis, etc...
Porém, a casa-museu chama-se “Maison de Jules Verne” e não “Maison de Jules Verne et Bureau de Pierre-Jules Hetzel”. Não estou a dizer que não gostei de ver o seu escritório, a sala de estar e a sua biblioteca mas talvez fosse mais interessante apreciar os quartos do casal Verne e do seu filho Michel.

Falando agora da cidade, surpreendeu-me o facto de grande percentagem das pessoas que tive contacto, mostrar desconhecimento pelo facto de Júlio Verne ter vivido lá durante 34 anos e estar sepultado no cemitério da cidade. Além disso, como já referi, é pouco o cuidado nos monumentos relacionados com o escritor. É pena.
Verne em 1893 disse: "O grande desgosto da minha vida foi jamais ter sido reconhecido na literatura francesa." 114 anos depois, digo que o meu desgosto é não ver Júlio Verne a ser reconhecido em Amiens.

As fotos interiores da casa retiradas do site Amiens.fr.