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quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Jules Verne no Cinema em Portugal 3 - Miguel Strogoff (1950)

Em Novembro de 1950, no escurinho do cinema (parafraseando a cantora brasileira Rita Lee), Lisboa continuava "empolgada" pela terceira semana consecutiva. O culpado de tamanho arroubo cinéfilo? Strogoff. Miguel Strogoff. 


Diário Popular, 11 de Novembro de 1950 


E como nos idos da década de 1930 a cotação de popularidade de Jules Verne estava nos píncaros da lua, o que poderia ser melhor que uma adaptação de uma obra Verniana ao cinema? Duas adaptações diferentes da mesma obra, em dois anos consecutivos e, ambas, com o mesmo actor no papel de Strogoff*.

Depois da adaptação francesa de 1936, seguiu-se, em 1937, uma outra adaptação, à moda de Hollywood (logo a começar pelo título): The Soldier and the Lady. Esta adaptação foi dirigida por George Philips Jr. (1897-1939) e teve como produtor associado Joseph Emolieff (1889-1962)**.

O filme estreou a 9 de Abril de 1937 nos Estados Unidos, mas em Portugal só chegaria aos cinemas no dia 28 de Outubro de 1950.


Cartaz da adaptação hollywoodesca que
 empolgou Lisboa nas primeiras semanas de Novembro de 1950.


* O actor austríaco Adolf Wholbruck, que estrelou a versão francesa de 1936, abandonou a sua Áustria natal nesse mesmo ano com medo do clima de intimidação nazi que já se começava a fazer sentir no país para radicar-se em Inglaterra. Em 1937, já em Hollywood, interpretou o papel de Strogoff com o nome de Anton Walbrook.

** Empresário cinematográfico russo que se naturalizou americano e que foi proprietário de estúdios cinematográficos na Rússia anterior à Revolução Bolchevique de 1917. Emolieff devia ter uma predileção especial por esta obra de Verne porque, em 1944, voltou a produzir uma nova versão de Michel Strogoff, desta vez no México.

Jules Verne no Cinema em Portugal 2 - Miguel Strogoff (1938)

Na década de 1930, em Portugal, o domingo era dia de folga para a maioria dos comuns mortais. Dia de folga e de evasão ao quotidiano. E evasão, muitas vezes, rimava com dia de ida ao cinema.

Embora o cartaz fosse recheado e variado, nem sempre havia o último êxito de durões como Bogart ou Cagney. Joan Crawford, Bette Davis ou Errol Flynn, nas suas acrobáticas piruetas em filmes de aventuras, também, nem sempre, estavam disponíveis. Mas, por vezes, havia Jules Verne. Ao domingo à tarde, no grande ecrã.

 
A Comarca da Sertã, 19 de Fevereiro de 1938

Em Lisboa, Miguel Strogoff estreou a 24 de Abril de 1936, mas o facto de a sua exibição continuar a circular pelo interior do país quase dois anos depois atesta bem a popularidade de Jules Verne no Portugal dos anos 1930. 

Esta versão de Miguel Strogoff é a adaptação da obra realizada pelo francês Jacques de Baroncelli (1881-1951) e pelo alemão Richard Eichberg (1888-1952) e que estreou em França a 10 de Março de 1936. 


Cartaz francês do filme


Cartaz espanhol do filme

 (em Espanha, Miguel Strogoff estreou apenas a 20 de Junho de 1939, devido à Guerra Civil que assolou o território entre 1936 e 1939)

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Jules Verne no Cinema em Portugal 1- Mathias Sandorf (1924)

Se Jules Verne é o segundo autor mais traduzido no mundo, somente atrás de Agatha Christie (dados do Index Translationum da UNESCO), em termos de adaptações ao cinema também ocupa também uma posição invejável: é o quarto autor mais adaptado à sétima arte, ficando apenas atrás de Shakespeare, Charles Dickens e Arthur Conan Doyle. 

Ainda no seu tempo de vida, com a arte cinematográfica a dar os seus primeiros passos, Verne viu algumas das obras suas serem adaptadas, de forma directa ou indirecta, ao grande ecrã. A título de exemplo, Ferdinand Zecca (1864-1947) adaptou Os Filhos do Capitão Grant em 1901 e o incontornável George Méliès (1861-1938) inspirou-se em Verne para várias das suas produções: Voyage dans la lune (1902) ou Le voyage a travers l' impossible (1904). Estas são apenas algumas de uma extensa lista. 

Em Portugal, Verne também passava nos cinemas e, felizmente, não só nos grandes centros urbanos como se pode ver abaixo. 


Matias Sandorf em 20 partes. 
Teatro Sá de Miranda, Viana do Castelo - 29 de Maio de 1924


Mathias Sandorf, adaptado ao cinema por Henri Frescourt (1880-1966), estreeou em França a 15 de Julho de 1921. Chegou a Portugal cerca de ano e meio mais tarde, a 26 de Dezembro de 1922. 


Cartaz francês de Mathias Sandorf, 1921


Cartaz americano de Mathias Sandorf
(o filme estreou nos EUA em Março de 1922)