quinta-feira, 2 de julho de 2009

Crítica 'Cinco Semanas em Balão (1863)'

Desde a leitura de “Atribulações de um chinês na China”, um livro com altos e baixos, fiquei com uma pulga trás da orelha em relação a Júlio Verne. Sempre tive vontade de conhecer sua obra, tendo em vista a quantidade de famosas estórias que encantaram gerações de jovens. Comecei este ano, por acaso, com o livro citado acima, mas minha avaliação foi abaixo do que eu esperava de um autor tão querido. Apesar da estória, em alguns momentos, ser um pouco monótona, gostei de seu estilo, e me foi imperioso dar outra chance a Júlio Verne, deste vez com um livro mais conhecido e recomendado, “Cinco semanas em um balão”.

E acertei ao dar outra chance a Júlio Verne. “Cinco semanas em um balão” não é uma obra-prima, mas é um livro muito divertido, simples, agradável e cheio de aventuras mirabolantes, como é característico de Verne, que ao lado de Stevenson e Kipling representa o espírito europeu do século XIX. O livro narra a grande aventura do Dr. Fergusson, pesquisador inglês, ao lado de seu criado Joe e seu amigo Richard Kennedy, através de uma viagem pela África a bordo de um balão, meio de transporte na época rudimentar e inseguro, o que torna perigoso e emocionante o trajeto permeado de desafios e descobertas maravilhosas. A estória por si só já é muito divertida, mas o que torna o livro realmente interessante são as entrelinhas da mentalidade de uma sociedade europeia do século XIX, o que vale alguns comentários.

Não se pode ler Júlio Verne, como nenhum outro autor, sem compreender seu contexto histórico, sob o risco de avaliar erroneamente sua obra e sua importância para a literatura e o conhecimento da época. Deve-se ler Júlio Verne com os olhos de uma pessoa do século XIX, pois este era o público alvo esperado pelo autor, não nós. No século XIX, a ciência avançava a largos passos, emitindo pareceres praticamente incontestáveis, pois as maravilhas que ela trazia consigo – como a luz elétrica, a energia a vapor – a elevavam a um status de salvadora da humanidade; para os homens do século XIX, todos os problemas seriam resolvidos pela ciência. Um deste dogmas científicos era o da superioridade da “raça ariana” sobre a “negróide” e a “mongolóide”. O instigante é que a chamada Época Vitoriana também se caracteriza pela religiosidade e forte moralismo. Dá para imaginar? É por isso que eu amo História, me dá a possibilidade de estudar este animal ridículo denominado ser humano.

O que hoje entendemos como racismo era incontestável naquela época, não existia sentimento de igualdade racial em lugar algum do planeta, foi preciso acontecer o holocausto na II Guerra Mundial para que o mundo abrisse os olhos para isso. Não seria Júlio Verne nem qualquer outro samaritano iluminado que mudaria isso sem qualquer razão histórica. Desculpem-me os adeptos da pré-destinação, mas em minha opinião ninguém é bom por natureza, o homem é fruto de seu tempo, a bondade só existe com cultura e estudo, “a ignorância é vizinha da maldade”. Não duvido que no futuro olhem para o século XXI e não entendam como é que as pessoas permitem uma configuração social excludente como a nossa.

A primeira coisa que precisamos para ler Júlio Verne é exatamente ter em mente que o autor viveu seu tempo, como qualquer ser humano na História, e relativizar ideias obsoletas e desagradáveis para nós, cidadãos do século XXI. Uma característica da escrita de Verne que hoje em dia pode nos causar repulsa é o racismo presente em alguns trechos. Numa passagem, os personagens se julgam cercados por africanos, mas depois percebem que na verdade são macacos. Os comentários não poderiam ser mais ofensivos:

- Nós julgávamos que te haviam cercado os indígenas. - Felizmente não passavam de macacos – respondeu o doutor. - A diferença de longe não é grande, caro Samuel. - Nem mesmo de perto – replicou Joe.

Em outra parte, os personagens comentam que é melhor negociar com os árabes do que com os negros, porque são “menos selvagens”. Outro preconceito da época largamente difundido do livro é a oposição entre a Civilização (Europa) e a Barbárie (África), incluindo justificativas para o colonialismo europeu. Ao resgatar um missionário francês preso por cinco anos por uma tribo africana, os personagens perguntam por que empreender uma missão perigosa como aquela, no que o religioso responde: “são almas que devemos resgatar”, a velha explicação para a brutalidade do colonialismo. Entretanto, é curioso que o autor não poupe críticas neste sentido também à Europa, pois num certo momento ele questiona se a execução pela forca, prática comum na Europa daquele tempo, não seria também uma selvageria.

A superioridade da ciência também tem espaço garantido em “Cinco semanas em um balão”. “Mas que remédio há senão submeter-se, aceitar de tempos em tempos o que a ciência ensina” é uma das apologias ao grau absoluto de conhecimento da época. Ao homem cabia dominar a natureza e transformá-la em seu proveito. Naturalistas que não relativizarem a leitura ficarão horrorizados com a quantidade de animais caçados por Richard Kennedy, que tem uma fixação em matar que em algumas vezes é freada pelo Dr. Fergusson, mas em outras é até estimulada – caso de animais julgados perigosos, como crocodilos e leões. É engraçado ver que não existia nenhuma noção de cadeia alimentar e equilíbrio da natureza, há uma sugestão no ar de que os animais predadores eram maus e as presas vítimas inocentes. Ainda sobre a ciência, uma característica muito marcante na obra de Verne é a apresentação de novas tecnologias, a explicação de fenómenos que promovem o funcionamento de inventos, como no presente caso a luz elétrica e o próprio balão utilizado pelos personagens. A descrição dos processos químicos e físicos é minuciosa, tudo aquilo era uma grande novidade, o avanço cientifico e tecnológico do século XIX foi fantástico para aquelas pessoas.

Mas de todos os aspectos do livro, o que mais me chamou a atenção foi a apresentação das expedições na África ocorridas na vida real. Até meados do século XIX, quase nada se conhecia sobre a África. As únicas localidades alcançadas por europeus eram pontos na costa africana. Com o impulso imperialista, surgiu a necessidade de conhecer o interior para descobrir as possibilidades de exploração colonial, o que levou à criação de inúmeras sociedades de Geografia e ao envio de diversos aventureiros para aquelas terras até então desconhecidas, fantásticas, que despertavam divagações e ferviam a imaginação dos escritores. Isso se tornou uma mania nacional em toda a Europa. As pessoas acompanhavam as aventuras de personagens reais como Livingstone e Speke através dos jornais. Os exploradores do século XIX eram contratados pelas sociedades de Geografia e também por jornais, incentivados pela procura do público por tais aventuras da vida real. Muitos deles ficavam anos incomunicáveis e depois reapareciam, para delírio do povo. Era comum que alguns deles se perdessem, criando-se assim novas expedições de resgate.

Júlio Verne apresenta brevemente em “Cinco semanas em um balão” a história dos principais exploradores daquele tempo, que aliás serviram de base para todo o livro, pois o autor nunca pisou na África, mas como prova de sua genialidade narrativa descreve as paisagens, vegetações e pontos geológicos com precisão e beleza.

Uma passagem do livro me chamou muito a atenção, veja se você identifica o porquê:
Se me dais licença meu amo, vou arremessar-lhes uma garrafa vazia. Se lá chegar sã e salva, hão de adorá-la; se se quebrar, farão dos bocados outros tantos talismãs!
Em outra parte, quando arremessam outro objeto do balão, um deles exclama: “Os negros hão de ficar bem espantados quando encontrarem este objeto na floresta. São capazes de fazer deles ídolos”.
Quem via Sessão da Tarde nos anos 90 vai de cara se lembrar de “Os deuses devem estar loucos”!

Os personagens do livro são muito legais, se completando: o Dr. Fergusson com sua serenidade, liderança e conhecimentos que sempre salvam a trupe; Richard Kennedy com suas habilidades de caçador e prontidão para qualquer parada; e Joe, o fiel escudeiro de Fergusson, o que se pode chamar de uma cara “safo”, que dá o jeito dele em qualquer situação. A escrita de Verne é agradável e divertida, não enjoa nem cansa o leitor com repetições de palavras. Não é o que se pode chamar de excepcional, mas simplesmente posso afirmar que fiquei satisfeito, como depois de uma refeição muito gostosa. Procurarei outros livros de Verne para me divertir, e recomendo “Cinco semanas em um balão”, mas sugiro que sua leitura se faça com um mapa da África ao lado. Para mim foi quase irresistível procurar as localidades presentes no texto e traçar o caminho percorrido pelos três aventureiros, apesar da dificuldade por causa de alguns nomes que não são mais usados hoje em dia.

Bom.

Crítica escrita por Fernando Rocha, autor do blog Livro em Foco, e cedida gentilmente para o blog JVernePt.

Se pretender comentar esta crítica faça-o aqui. Caso pretenda comentar a obra use a secção correspondente. Qualquer pessoa pode escrever uma crítica para qualquer obra. Para isso leia o tópico 'Críticas das obras'.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Vencedores - Passatempo 'Jules Verne - O espaço africano nas aventuras da travessia'

Já temos os vencedores do passatempo 'Jules Verne - O espaço africano nas aventuras da travessia'. Os dois mais rápidos foram:

Marta Vieira
Luís Silva

Para decifrar a mensagem, os participantes tiveram que subtrair a chave 432513, que aparece em A Jangada (daí a referência à obra no passatempo), ao conjunto de letras. Exemplo: l-4=G, r-3=O, u-2=S, etc...

Texto decifrado:

"Gostaria muito de ganhar este livro. Resta-me saber se fui um dos contemplados com um dos dois exemplares oferecidos pelo Blog JVernePT e pelo Dr. Carlos Jorge."



Cada participante receberá um exemplar da dissertação de Mestrado do Dr. Carlos Jorge (Fac. de Letras de Lisboa - Portugal) sobre Júlio Verne.

Obrigado aos participantes.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Passatempo 'Jules Verne - O espaço africano nas aventuras da travessia'

«Nunca África é vista , em qualquer dos romances vernianos, como lugar a ser deixado tal como fora encontrado. O espaço selvagem nunca é o lugar ameno de reencontro com a natureza... Para o exercício do herói, é mero lugar de jubilação, uma coutada a usar até a última peça de caça estar viva.»

Onde nasce o encanto da leitura (ingénua) por narrativas de aventuras que têm como matéria principal a revelação de países e territórios outros? Como é que um percurso de conhecimento e de reconhecimento de terras africanas se torna fascinante para o leitor, e não um mero «roteiro» turístico com personagens que percorrem espaços «exóticos»? Para entender a recepção desta representação do espaço, é preciso interrogar os respectivos processos textuais de Júlio Verne. E a resposta deste ensaio é que no genial autor de "Cinco Semanas em Balão" o percurso de escrita é uma progressão de técnicas e artifícios narrativos, também eles merecedores de uma infindável atenção específica.

Este livro, da editora Cosmos, é uma dissertação de Mestrado do Dr. Carlos Jorge (Fac. de Letras de Lisboa - Portugal) sobre Júlio Verne.
O Blog JVernePt, juntamente com o autor, tem para oferecer dois exemplares aos primeiros participantes que conseguirem decifrar o seguinte texto:

lruabundobjxsggmbqmdtjtxiolcsrvhuabpivcgfuxh hbjzqgqzdrrxgrqoegqzdrqzoipvhrlzfbiprqbuiv qlfuiflipvthntcosjmcfurhrafsioqisfeunttnsuij

A resposta deverá ser enviada para JVerne@portugalmail.pt.
Dica: como saberão, J. Verne era um amante da criptografia tendo usado várias técnicas (chaves de decifração) em algumas obras suas. Uma delas foi A Jangada.

O passatempo está aberto apenas aos membros registados no Fórum JVerne de qualquer nacionalidade.

O Saint-Michel II já flutua!!!

O Saint-Michel II, uma réplica de um dos três iates de J. Verne, já flutua, após quatro anos de trabalho.

Com 13 metros de comprimento, este navio vermelho e preto fabricado em 1876 foi o único dos três navios que Jules Verne supervisionou na construção, adaptando-o às suas necessidades, incluindo uma sala de escrita. Por dois anos o escritor navegou até Londres, Amesterdão e ao Mar Báltico, até comprar um barco a vapor, o Saint-Michel III. O Saint-Michel II foi vendido e destruído em 1911.

A réplica, cujo projecto foi lançado por ocasião do centenário da morte de Jules Verne, 2005, e que teve quatro anos de trabalho com voluntários da Associação La Cale 2 L'île, foi exposta em Nantes desde quarta-feira e na sexta-feira foi colocado na sua rampa de lançamento.



O navio foi lançado sábado de manhã, às 10 horas, ao "velho estilo", sobre o Loire.
Numa atmosfera festiva, as milhares de pessoas assistiram ao lançamento da réplica do Saint-Michel II. Com casco branco, preto e vermelho, o objeto de todas as atenções moveu-se lentamente sobre o rio e começou a flutuar acompanhado com um bater de palmas. Sim, o Saint-Michel II flutua novamente! Vejam também vídeo.




No entanto, o barco está muito longe de estar acabado. Ela carece das suas armas, incluindo a sua torre, os seus 180 metros quadrados de velas, motor, etc. Mas para alcançar este objetivo, é necessário um novo financiamento, os fundos que a Associação La Cale 2 L'île espera receber rapidamente (doações são aceites).

Ainda se desconhece em que porto ficará.

Fonte:
Texto: Blog de Passepartout.
Foto: Nathalie Bourreau - Presse Océan.fr

domingo, 28 de junho de 2009

Vencedores - Passatempo 'Idade do Gelo 3'

Deixo a lista dos vencedores do merchandising do filme "Idade do Gelo: Despertar dos dinossauros" que responderam corretamente às cinco perguntas. Para desempate teve-se em consideração os desenhos enviados.

"Os produtores deste 3º filme basearam-se numa obra de que escritor?"
(Resposta-"J. Verne")

"E que obra é essa?"
(Resposta-"Viagem ao centro da Terra")

"Os nossos heróis Ice Age estão de volta. Diga o nome de três deles."
(Resposta-"Por exemplo, Manny, Cid e Scrat")

"Qual a nacionalidade do realizador deste terceiro filme?"
(Resposta-"Brasileira")

"Qual o nome da distribuidora do filme em Portugal?"
(Resposta-"Castello Lopes")


3 fantásticos casacos Ice Age com os nossos heróis estampados

Isaac Rodrigues
Lilia Gomes
Adelia Nunes

3 bonés com a maravilhosa paisagem do filme no seu interior

Denise Almeida
Inês Gaspar
Ivo Santos

3 extraordinárias pen's num formato super giro

Marta Vieira
Rui Fonseca
Telma Silva

Todos os vencedores serão avisados por e-mail. Os prémios serão enviados para a morada que enviaram aquando da participação.
O Blog JVernePt agradece a todos que participaram no passatempo.


Idade do Gelo: Despertar dos dinossauros


Site oficial

ESTREIA DIA 1 DE JULHO

Realização

Carlos Saldanha

Versão Original e Versão Dobrada em Português com as Vozes de:

Manny - Ray Romano / Luís Rizo

Sid - John Leguizamo / Peter Michael

Diego - Denis Leary / Alfredo Brito

Crash - Sean William Scott / Vítor Emanuel

Eddie - Josh Peck / Heitor Lourenço

Ellie - Queen Latifah / Claudia Cadima

Buck - Simon Pegg / Afonso Pimentel

Género

Animação

Produtora

20th Century Fox

Duração aproximada de 90 min.

Os heróis abaixo de zero, dos famosos “blockbusters” de animação “A Idade do Gelo” e de “A Idade do Gelo: Descongelados”, estão de regresso numa nova e incrível aventura para todas as idades.

Scrat continua a tentar apanhar a sempre escorregadia avelã (talvez, até ao dia em que encontre o verdadeiro amor!); Manny e Ellie, esperam ansiosamente o nascimento do seu mini mamute; Diego, o tigre dentes de sabre, questiona-se se não estará a ficar demasiado “bonzinho” junto aos seus companheiros e Sid, a preguiça, mete-se em sarilhos quando resolve constituir uma família, “desviando” para isso alguns ovos de dinossauro.
Numa missão para resgatar o desafortunado Sid, o grupo aventura-se num misterioso e estranho mundo, onde têm encontros com dinossauros, gladiam com a flora e a fauna, e correm de um lado para o outro freneticamente – e acabam por encontrar uma implacável doninha zarolha, caçadora de dinossauros, chamada Buck.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

'20000 Léguas Submarinas' à prova de água

O italiano Paolo Orsacchini criou, faz este mês um ano (e pedimos desculpa pelo atraso mas só hoje chegou ao nosso conhecimento), esta edição - limitada e comemorativa – de Vinte Mil Léguas Submarinas de J. Verne.

Trata-se de uma versão impressa em papel à prova d’água e embalada num saco transparente contendo água do mar. Sem dúvida, uma compra que nunca iremos tentar abrir.



Fonte: Core77

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A megalomania de Michael Todd



Baseado na obra literária de Júlio Verne, o filme “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, de 1956, consegue ser uma das comédias mais fascinantes, suntuosas, faraónicas e megalomaníacas de seu tempo. A história, que cativava muitos produtores desde os anos 40, estava engavetada em alguma escrivaninha da Warner. Era tida como algo tão nababesco que seria impossível transpor sua concepção literária para a materialização do cinema. Até que o produtor Michael Todd resolveu quebrar todos os dogmas envolvendo o assunto e, remando contra a maré, arriscou suas fichas e apostou na ideia. Ele, de fato, sempre fora um inveterado apostador.

Para a história do cinema contemporâneo, Todd será sempre lembrado como o produtor de A Volta ao Mundo em 80 dias. Fora o seu primeiro e único filme. Resultado: foram 8 indicações ao Oscar e 5 estatuetas; melhor fotografia, melhor roteiro adaptado, melhor edição, melhor música e, para arrebatar, melhor filme. Um índice invejável.

A concepção da película tornava sua produção demasiadamente cara: a maioria das gravações ocorria em ambientes externos; 13 países serviriam como pano de fundo para ambientar a história; 68.894 figurantes; 74.685 peças de figurino; 6 milhões de quilómetros percorridos ao término das filmagens; 90 domadores que ficaram responsáveis por 8.500 animais que entrariam em cena; 140 cenários construídos.

Detalhe: Todd foi conseguindo um empréstimo aqui, outro acolá... Teve de driblar seus credores, inúmeras vezes, durante as filmagens e precisava provar a todos que aquilo não se tratava da maior barca furada da história de Hollywood. Para ajudar, o primeiro diretor do filme, John Farrow, foi sumariamente demitido logo em sua primeira semana. Em seu lugar, o jovem e desconhecido à época, Michael Anderson, que ficaria mais tarde conhecido por filmes como “As Sandálias do Pescador” e “Operação Crossbow”, fora recrutado.

Na obra em questão, fica claro a predileção do diretor em usar e abusar de takes com as lentes “Grande Angular”, para dar discernimento de espaço, amplitude e pontos longínquos ao cerne da cena. Tudo, sempre com movimentos absolutamente perfeitos amparados por um edição de primeiríssima linha.

O elenco é outro show à parte. Um verdadeiro grupo, que contava com o mestre David Niven, o fabuloso Cantinflas e a ainda novata Shirley Maclaine. Mas, como tudo aqui tem um “q” de afetação, Todd criou uma nova modalidade em se tratando de aparições em filmes: o papel camafeu. Tratava-se de uma pequena ponta feita por um grande nome da indústria. Não que seu papel fosse pequeno; nessa nova concepção de Todd era como se um espaço fosse aberto para a “assinatura” de um grande astro. E, no decorrer das gravações, uma corrente de estrelas fez questão de participar. Há aparições de gente como Frank Sinatra, Peter Lorre, Buster Keaton e Marlene Dietrich, só para citar alguns.

O filme nos dá um retrato da sociedade burguesa da Inglaterra, em fins do século XIX. A aristocracia costumava se reunir em clubes ultra tradicionais, para ler os jornais, jogar xadrez, tomar chá e fazer apostas com as cartas. Numa dessas reuniões, um figurão bretão aposta que Sir David Niven seria incapaz de dar uma volta completa no mundo em 80 dias. É o ponto de partida para uma das mais divertidas aventuras já realizadas pelo cinema.



Ninguém melhor nesse mundo que Niven para ilustrar o típico inglês: sistemático, sempre pontual, de modos pragmáticos, de ar petulante, senso imperialista, tom sofisticado, gestos delicados, muito educado (até quando ofende alguém), enfim, todas essas características fundidas, com precisão de dosagem, deixam o personagem de Niven sempre com um ar cómico. Impossível não rir e não se apaixonar. Mesmo ficando claro que para eles, os ingleses, o resto do mundo era visto como uma aldeia tribal, composta por seres ferozes e animalescos, prontos para serem doutrinados e dominados pela cultura da Rainha. Incrível ver o enorme desdém despejado por Niven por tudo o que é americano, durante a passagem dos aventureiros por lá.

Impossível, também, é não falar da presença do maior comediante da história do México: Cantinflas. Ele era o ator mais rico do mundo, em 1955, quando foi convidado a participar do projeto. Trata-se de seu primeiro filme em língua inglesa e um dos raros em que atuou até o fim de sua carreira. Mario Moreno, o Cantinflas, arrasa nesse filme. Além de notório comediante, ele dança, faz malabarismos, enfrenta um touro durante uma tourada na Espanha, doma cavalos e inventa as mais improváveis peripécias. Seu modo visceral, gestual e físico de fazer comédia pode ser comparado com o de Buster Keaton, ainda mais pela ausência total de dublês. Cantinflas, oriundo dos palcos de pequenos e modestos circos mexicanos, emana a mais pura luz, em cada cena que aparece. É o showman, um artista nato, daqueles tão raros de se encontrar nos dias de hoje.



Com um final escandalosamente incrível e engraçado, seria , no mínimo, injusto de minha parte não dar a nota máxima a essa obra que, ainda, abriu as portas para que outros profissionais ingleses fossem respeitados e premiados nos Estados Unidos, pondo fim a um ranço histórico entre colonizado e colonizador. Compará-lo ao remake de 2004, com Jackie Chan, seria de uma deselegância com David Niven que sinto-me na obrigação de me abster sobre o assunto.

Fiquem com o trailer deste magnífico filme:



Por Thiago Fernando Secco, do blog Salada de Filmes e cedido gentilmente para o Blog JVernePt.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Novo batismo do Saint-Michel II 133 anos depois

A Associação La Cale 2 l'Ile, decidiu, e de acordo com os planos originais, construir uma réplica do do segundo iate de J. Verne, o Saint-Michel II (1876).

Depois de 400 000 € investidos e quase 20 000 horas depois, o novo iate está finalmente pronto para navegar. O seu batismo está marcado para às 9.30h do dia 27 do corrente mês na cidade de nascimento do escritor francês, Nantes.

Esta construção tem sido acompanhada por toda a mídia francesa, desde os jornais à TV, e portanto, sugiro aos vernianos que moram em Nantes em não perder esta oportunidade pois será um acontecimento inesquecível.



Mais informações (em francês) aqui.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Vai uma nova aposta no Reform Club?

«Phileas Fogg havia saído de sua casa de Saville Row às onze e meia, e, depois de ter posto quinhentas e setenta e cinco vezes o seu pé direito diante do seu pé esquerdo e quinhentos e setenta e seis vezes o seu pé esquerdo diante do seu pé direito, chegou ao Reform Club, vasto edifício, construído em Pall Mall...»

Paulo Ferreira, do site Mistério Juvenil, após uma breve visita à capital inglesa, Londres, enviou, propositadamente para o Blog JVernePt, várias fotos do famoso Reform Club, o local de eleição de Phíleas Fogg. Foi numa destas salas deste maravilhoso edifício de 1836 que ocorreu a aposta de Fogg e dos outros membros do Clube para a viagem mais famosa do Mundo:






@PauloFerreira.tv

«...já que hoje é quarta feira 2 de Outubro, deverei estar de volta a Londres, a este mesmo salão do Reform Club, no sábado 21 de Dezembro, às oito e quarenta e cinco da noite...» (Phíleas Fogg).

O nosso obrigado ao Paulo Ferreira pelo envio destas magníficas fotografias.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Passatempo 'Idade do Gelo 3'

Hoje comemora-se o Dia da Criança e a distribuidora portuguesa Castello Lopes Multimédia, depois do grande sucesso do anterior passatempo, decidiu presentar mais uma vez o Blog JVernePt com merchandising do novo "Idade do Gelo: Despertar dos dinossauros", filme que foi notícia aqui no nosso blog.

A Castello Lopes Multimédia, em parceria com o Blog JVernePt, tem para oferecer aos visitantes mais jovens do nosso blog:




3 fantásticos casacos Ice Age com os nossos heróis estampados


3 bonés com a maravilhosa paisagem do filme no seu interior


e ainda...

3 extraordinárias pen's num formato super giro


Para ganhar os prémios basta preencher o formulário em baixo com o nome completo, email, morada (para entrega do prémio), e com as respostas às cinco questões formuladas.

Com o objetivo de desempatar pede-se também que cada jovem envie para jverne@portugalmail.pt, no formato JPG, um desenho feito por si com alguns dos heróis do filme no centro da Terra. Não se esqueça de adicionar ao desenho o nome que colocou aquando do envio do formulário.

O passatempo termina dia 29 às 18:00h.






A IDADE DO GELO 3

DESPERTAR DOS DINOSSAUROS

ICE AGE 3: DAWN OF THE DINOSAURS

Site oficial

ESTREIA DIA 1 DE JULHO

Realização

Carlos Saldanha

Versão Original e Versão Dobrada em Português com as Vozes de:

Manny - Ray Romano / Luís Rizo

Sid - John Leguizamo / Peter Michael

Diego - Denis Leary / Alfredo Brito

Crash - Sean William Scott / Vítor Emanuel

Eddie - Josh Peck / Heitor Lourenço

Ellie - Queen Latifah / Claudia Cadima

Buck - Simon Pegg / Afonso Pimentel

Género

Animação

Produtora

20th Century Fox

Duração aproximada de 90 min.

Os heróis abaixo de zero, dos famosos “blockbusters” de animação “A Idade do Gelo” e de “A Idade do Gelo: Descongelados”, estão de regresso numa nova e incrível aventura para todas as idades.

Scrat continua a tentar apanhar a sempre escorregadia avelã (talvez, até ao dia em que encontre o verdadeiro amor!); Manny e Ellie, esperam ansiosamente o nascimento do seu mini mamute; Diego, o tigre dentes de sabre, questiona-se se não estará a ficar demasiado “bonzinho” junto aos seus companheiros e Sid, a preguiça, mete-se em sarilhos quando resolve constituir uma família, “desviando” para isso alguns ovos de dinossauro.
Numa missão para resgatar o desafortunado Sid, o grupo aventura-se num misterioso e estranho mundo, onde têm encontros com dinossauros, gladiam com a flora e a fauna, e correm de um lado para o outro freneticamente – e acabam por encontrar uma implacável doninha zarolha, caçadora de dinossauros, chamada Buck.


Regulamento do Passatempo 'Ice Age 3' com a parceria Castello Lopes Multimédia e Blog JVernePt

1- O passatempo decorrerá de 2009.06.01 a 2009.06.29 e destina-se a todos os indivíduos que vivam em Portugal.

2- Das respostas recebidas, apenas serão consideradas válidas as que preencherem devidamente os campos solicitados (Nome completo, Morada completa, e-mail e respostas) e as que sejam enviadas dentro do prazo estabelecido. Qualquer resposta que não cumpra os requisitos exigidos, não será validada.

3- Serão premiados aqueles que respondam acertadamente às questões colocadas e que nos enviem os desenhos mais originais.

4- Só é aceite uma resposta válida por endereço de e-mail e por concorrente pelo que não adianta responder ao formulário mais do que uma vez.

5- O blog JVernePt compromete-se a garantir a privacidade dos dados pessoais recolhidos e/ou transmitidos online e comunicará apenas à entidade Castello Lopes Multimédia para que seja possível o envio dos prémios.

6- A cada participante será pedida a preferência do prémio a receber. Caso o número de participações para esse prémio ultrapasse a sua quantidade, as três melhores participações manter-se-ão passando as outras para o prémio cujas participações não tenham atingido a quantidade prémios a oferecer.

7- Os prémios serão enviados em correio registado (entrega em mão) e dirigidos ao nome
constante dos dados inseridos aquando do envio das respostas. Os premiados deverão apresentar o seu BI ou outro documento identificativo (não serão aceites fotocópias) ao agente de entrega de encomendas.

8- O participante, ao participar na acção promocional, aceita automaticamente as condições expressas neste regulamento, aceitando por isso as regras e condições nele estabelecidas.

9- Os premiados serão anunciados no Blog JVernePt, no dia seguinte ao fim do passatempo, e serão notificados por e-mail nesse mesmo dia para o endereço constante dos dados inseridos aquando do envio das respostas.

10- Caso existam dúvidas sobre o presente regulamento, devem ser apresentadas através do e-mail jverne@portugalmail.pt.

O nosso muito obrigado à Castello Lopes Multimédia pelo envio de merchandising deste fantástico filme.

E um feliz Dia da Criança a todas elas, é o desejo do Blog JVerne Pt.

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